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HIV - Linfócitos T CD4+ (Subpopulação)

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Definição: Por meio de técnicas baseadas em citometria de fluxo, tornou-se possível a classificação dos linfócitos em subpopulações, de acordo com sua diferenciação e função. Os linfócitos T que expressam o antígeno CD4 são funcionalmente definidos como linfócitos T auxiliares ( helper ), enquanto os que apresentam o antígeno CD8 são conhecidos pela sua atividade supressora/citotóxica. O HIV apresenta citotropismo para os linfócitos T CD4+, reduzindo suas concentrações no sangue periférico. Essa queda dos linfócitos diminui a resposta imune celular, facilitando o desenvolvimento de doenças oportunistas e a progressão para a síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA).

Sinônimos: Contagem de Linfócitos T CD4+; LT CD4+; CD4 - Subpopulação Linfocitária; Linfócitos T Auxiliar - Subpopulação; Linfócitos T Auxiliadores - Subpopulação; Linfócito T helper - Subpopulação; LT helper (LTh) - Subpopulação.

O vírus da imunodeficiência humana (HIV) é um retrovírus esférico, de material genético RNA de cadeia simples, pertencente ao gênero Lentivirinae , família Retroviridae . Ele se liga e infecta, preferencialmente, aos linfócitos T CD4 ( helper ), diminuindo seus níveis lenta e progressivamente.

A infecção aguda pode se manifestar por uma síndrome mononucleose- like (cerca de metade dos indivíduos) ou evoluir de forma oligo/assintomática. Com o passar dos anos (cerca de 10 anos após a infecção primária, em média), infecções oportunistas e malignidades secundárias podem acontecer, levando a um estágio da infecção conhecida como SIDA (síndrome da imunodeficiência adquirida).

Possui 2 tipos distintos, porém intimamente relacionados, com cerca de 40% de material genético homólogo: HIV-1 (distribuído mundialmente) e o HIV-2 (encontrado, principalmente, na África), ambos agentes etiológicos da SIDA. A infecção pelo HIV-2 induz a uma clínica/doença semelhante a causada pelo HIV-1, embora o tempo médio de incubação para o desenvolvimento da SIDA pareça ser maior.

Os linfócitos T que expressam o antígeno CD4, são funcionalmente definidos como linfócitos T auxiliares ( helper ), enquanto os que apresentam o antígeno CD8 são conhecidos pela sua atividade supressora/citotóxica.

O HIV apresenta citotropismo para os linfócitos T CD4+, reduzindo suas concentrações no sangue periférico. Essa queda dos linfócitos leva a uma diminuição da resposta imune celular, facilitando assim o desenvolvimento de uma série de doenças oportunistas e a progressão para a síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA).

Em virtude das graves implicações que um resultado positivo pode trazer, diversos fluxogramas para triagem e confirmação laboratorial são propostos pelo Ministério da Saúde (MS). Tais fluxogramas objetivam o fornecimento de resultados precisos e confiáveis, a fim de aumentar ao máximo a sensibilidade e especificidade dos testes.

    Indicações:
  • Monitorar a progressão da infecção pelo HIV; [cms-watermark]
  • Indicador prognóstico no HIV; [cms-watermark]
  • Avaliar o início/modificação/efetividade da terapia antirretroviral; [cms-watermark]
  • Definição de síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA) por critério laboratorial;
  • Avaliar a profilaxia contra doenças oportunistas;
  • Diagnóstico e acompanhamento de imunodeficiências celulares primárias;
  • Avaliar a imunidade celular após terapia imunussupressora (ex.: Transplantes).

Como solicitar: Linfócitos T CD4+ (Subpopulação).

  • Orientações ao paciente: Não é necessário nenhum preparo específico; [cms-watermark]
  • Tubo para sangue total (tampa roxa - EDTA). Enviar ao laboratório clínico em temperatura ambiente; [cms-watermark]
  • Material: Sangue;
  • Volume recomendável: 4,0 mL. [cms-watermark]
Idade % /mm 3
Cordão umbilical 11,4 a 40,3 487 a 2.284
0 a 3 meses 36,7 a 52,2 1.686 a 3.418
3 a 6 meses 27,9 a 47,2 1.358 a 3.375
6 a 12 meses 26,4 a 47,5 1.361 a 3.266
1 a 2 anos 26,1 a 47,0 957 a 2.727
2 a 6 anos 27,7 a 46,3 786 a 2.086
6 a 12 anos 28,5 a 44,0 566 a 1.293
12 a 18 anos 30,7 a 46,0 640 a 1.279
≥ 18 anos 24,4 a 54,2 456 a 1.492

Observação! Os valores de referência podem variar de acordo com cada laboratório clínico.

Os valores podem sofrer interferência em pacientes em uso de esteroides, imunossupressores, pós-operatório recente de cirurgia sob anestesia geral, doenças pré-existentes graves.

Variações nos linfócitos T CD4+ podem ocorrer de acordo com a idade, sexo e raça.

A contagem absoluta dos linfócitos e de suas subpopulações apresenta um pico na infância, declinando com o passar dos anos.

Indivíduos de origem asiática (principalmente homens), parecem possuir níveis absolutos e percentuais linfocitários menores.

A maturação/diferenciação dos linfócitos em indivíduos com linfomas é inconsistente e prejudicada.

Em pacientes esplenectomizados, a contagem absoluta linfocitária pode aumentar. Nessa situação, a percentagem de linfócitos T CD4+ é um parâmetro mais confiável.

Pacientes com carga viral indetectável, com sintomatologia ou contagem de linfócitos T CD4+ decrescente, devem ter a infecção pelo HIV-2 suspeitada.

Aumento: Após terapia efetiva;

Diminuição: Progressão da infecção, falha da terapia, linfocitopenia CD4 idiopática, outras patologias (ex.: Citomegalovírus, toxoplasmose, tuberculose).

Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).

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