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Haptoglobina

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Definição: É uma α 2 -sialoglicoproteína tetramérica, cuja função fisiológica principal é a de se ligar à hemoglobina livre, proveniente da hemólise intravascular, impedindo assim a sua perda pelos rins.

Sinônimos: Haptoglobina sérica; Haptoglobina - Sangue.

A haptoglobina é constituída de dois pares peptídicos não idênticos de cadeias α (leves) e ß (pesadas), unidas por pontes dissulfeto (a cadeia pesada é constante e a leve é a que muda), apresentando assim três fenótipos principais: Hp 1-1, Hp 2-2 e Hp 2-1.

Esses fenótipos, embora não estejam associados a nenhuma doença específica, podem auxiliar em investigações de paternidade e na área de medicina forense.

A haptoglobina apresenta síntese hepática, migrando na região das α 2 -globulinas quando submetida à eletroforese de proteínas.

Ela se combina, com grande afinidade e estabilidade, à hemoglobina (formando o complexo hemoglobina-haptoglobina), que é liberada após a destruição das hemácias, transportando-a ao sistema reticuloendotelial para catabolização.

Dessa forma, ela auxilia a reaproveitar e preservar as reservas de ferro corporal e de proteínas, além de evitar danos oxidativos aos glomérulos renais ao impedir que a hemoglobina chegue livre pela circulação e atravesse a membrana glomerular.

Outros testes que podem ser solicitados para se avaliar condições hemolíticas incluem: hemograma, LDH, bilirrubinas (principalmente a indireta), reticulócitos, dentre outros.

    Indicações:
  • Investigação de quadros hemolíticos (ex.: anemias hemolíticas, reações transfusionais, queimaduras térmicas);
  • Avaliação da indicação ou do sucesso de esplenectomia em paciente com hemólise crônica;
  • Investigação de quadros de eritropoese ineficaz (ex.: anemia megaloblástica, hemoglobinopatias);
  • Avaliação do grau de degradação eritrocitária (ex.: válvulas cardíacas mecânicas, hemoglobinopatias, traumatismo associado a exercícios físicos);
  • Diagnóstico diferencial de rabdomiólise.

Como solicitar: Haptoglobina.

  • Orientações ao paciente : Não é necessário preparo específico;
  • Tubo para soro (tampa vermelha/amarela) (Figuras 1 e 2): Aguardar a devida retração do coágulo, centrifugar a amostra por 15 minutos e armazenar o material sob refrigeração (2-8°C);
  • Material: Sangue;
  • Volume recomendável: 1,0 mL.
Texto alternativo para a imagem Figura 1. Tubo para soro - tampa vermelha. Ilustração: Caio Lima.


Texto alternativo para a imagem Figura 2. Tubo para soro - tampa amarela. Ilustração: Caio Lima.
  • Crianças e adultos jovens: 22-164 mg/dL;
  • Adultos : 30-200 mg/dL;
    • Observação! A interpretação das concentrações de haptoglobina é melhor realizada quando seus níveis são correlacionados a determinações laboratoriais seriadas;
    • Observação! No período neonatal, é esperado encontrar, fisiologicamente, níveis baixos de haptoglobina, os quais atingem concentrações dentro dos limites da normalidade em torno dos 6 meses de idade;
    • Observação! Os valores de referência para a haptoglobina podem variar de acordo com idade, Laboratório Clínico e metodologia utilizada.
  • Amostras acentuadamente hemolisadas ou lipêmicas podem prejudicar a sua determinação laboratorial;
  • Falsos aumentos, falsas reduções ou falsos níveis dentro dos valores de referência podem ocorrer em indivíduos com outras comorbidades associadas;
  • A haptoglobina é considerada um reativo de fase aguda, elevando-se de maneira independente na vigência de quadros inflamatórios/infecciosos. Nesses casos, sua interpretação pode ser prejudicada.
    Aumento: [cms-watermark]
  • Resposta ao estresse;
  • Estados inflamatórios/infecciosos;
  • Anemia aplásica;
  • Diabetes melito;
  • Hepatites;
  • Necrose tecidual;
  • Leucemias/linfomas;
  • Doenças obstrutivas biliares;
  • Síndrome nefrótica;
  • Enteropatias perdedoras de proteínas;
  • Amiloidose;
  • Tabagismo;
  • Drogas (corticoides, andrógenos). [cms-watermark]
    Diminuição: [cms-watermark]
  • Hemólise (intramedular, intravascular ou extravascular);
  • Hematomas/hemorragias;
  • Anemias megaloblásticas;
  • Anemias hemolíticas;
  • Reações hemolíticas transfusionais;
  • Queimaduras;
  • Hemoglobinopatias;
  • Hepatopatias;
  • Traumatismo associado ao exercício físico;
  • Cirrose;
  • Gravidez;
  • Malária;
  • Válvulas cardíacas mecânicas;
  • Deficiência genética da haptoglobina;
  • Drogas (estrógenos). [cms-watermark]

Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).

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