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Definição: Os fatores de crescimento insulina-símile (IGFs, do inglês insulin-like growth factors ) circulam pelo plasma ligados a complexos maiores, denominados "proteínas ligantes do fator de crescimento insulina-símile" (IGFBPs, do inglês insulin-like growth factor binding proteins ). Existem cerca de dez IGFBPs descritas, sendo a IGFBP-3 a de maior importância e utilização clínica.
Sinônimos: Proteína Ligante do Fator de Crescimento Insulina-símile-3; Proteína Transportadora do Fator de Crescimento Insulina-símile-3; Proteína Ligadora 3 do IGF; Proteína Ligante do Fator de Crescimento Semelhante à Insulina 3; IGFBP3; Proteína Ligadora da Somatomedina C; IGFBP-3 Sérica; IGFBP-3 - Sangue.
A IGFBP-3 é a proteína transportadora dos IGFs mais abundante na circulação, sendo responsável pela ligação de cerca de 95% desses IGFs, notadamente o IGF-1.
Uma vez que sua meia-vida é mais longa, com concentração mais constante (não sofre pulsos como o hormônio do crescimento [GH]
), é considerada um ótimo biomarcador, assim como o IGF-1
, para a avaliação complementar dos níveis e efeitos do GH
.
Além de sua importância no transporte, no prolongamento da meia-vida e na modulação da biodisponibilidade dos IGFs aos seus receptores, a IGFBP-3 também tem atividade apoptótica, com capacidade de inibir a proliferação celular, e apresenta outras funções metabólicas (ex.: regulação da metabolização lipídica, da glicose sanguínea, etc.).
Em linhas gerais, o padrão de secreção da IGFBP-3 é similar ao do IGF-1
, sendo ambos diretamente relacionados e controlados primariamente pelas concentrações séricas de GH.
Usualmente, para uma melhor interpretação dos resultados, a IGFBP-3 é solicitada em conjunto com o IGF-1
e o GH
.
Como solicitar:
IGFBP-3.
Figura 1.
Tubo para soro - tampa vermelha -
Ilustração:
Caio Lima.
Figura 2.
Tubo para soro - tampa amarela -
Ilustração:
Caio Lima.
| Idade (anos) | Valor de Referência (microgramas/mL) |
| 1 | 0,7 a 3,6 |
| 2 | 0,8 a 3,9 |
| 3 | 0,9 a 4,3 |
| 4 | 1 a 4,7 |
| 5 | 1,1 a 5,2 |
| 6 | 1,3 a 5,6 |
| 7 | 1,4 a 6,1 |
| 8 | 1,6 a 6,5 |
| 9 | 1,8 a 7,1 |
| 10 | 2,1 a 7,7 |
| 11 | 2,4 a 8,4 |
| 12 | 2,7 a 8,9 |
| 13 | 3,1 a 9,5 |
| 14 | 3,3 a 10 |
| 15 | 3,5 a 10 |
| 16 | 3,4 a 9,5 |
| 17 | 3,2 a 8,7 |
| 18 | 3,1 a 7,9 |
| 19 | 2,9 a 7,3 |
| 20 | 2,9 a 7,2 |
| 21 a 25 | 3,4 a 7,8 |
| 26 a 30 | 3,5 a 7,6 |
| 31 a 35 | 3,5 a 7 |
| 36 a 40 | 3,4 a 6,7 |
| 41 a 45 | 3,3 a 6,6 |
| 46 a 50 | 3,3 a 6,7 |
| 51 a 55 | 3,4 a 6,8 |
| 56 a 60 | 3,4 a 6,9 |
| 61 a 65 | 3,2 a 6,6 |
| 66 a 70 | 3 a 6,2 |
| 71 a 75 | 2,8 a 5,7 |
| 76 a 80 | 2,5 a 5,1 |
| 81 a 85 | 2,2 a 4,5 |
Observação! Os valores de referência para a IGFBP-3 podem variar de acordo com sexo, idade, estágio de Tanner, Laboratório Clínico e metodologia utilizada.
O uso recente de radioisótopos deve ser evitado se a metodologia utilizada for por radioimunoensaio.
Amostras coletadas em tubos contendo ácido etilenodiaminotetracético (tampa roxa) ou Heparina (tampa verde) invalidam os resultados.
Apresenta valores preditivos baixos para a avaliação de deficiência do GH.
Sugere-se, a critério médico, a suspensão do uso de Biotina (vitamina B7) nas 12 horas que antecedem a coleta, pela possibilidade de interferência analítica em alguns ensaios.
Amostras acentuadamente hemolisadas e/ou ictéricas podem prejudicar a sua determinação.
Concentrações de acordo com os intervalos de referência da IGFBP-3 podem ser observados na resistência ao GH na infância.
Pode haver uma variação significativa entre os resultados obtidos em diferentes plataformas analíticas/kit diagnósticos. Dessa forma, deve-se ter cautela ao interpretar e comparar os resultados nessas situações.
Anticorpos heterófilos detectados na amostra podem interferir nos resultados.
Resultados discrepantes de IGFBP-3 e IGF-1 podem ocorrer devido, principalmente, a hepatopatias ou nefropatias.
Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).
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