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Nasofibroscopia

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Definição: E xame endoscópico realizado pelo nariz com nasoendoscópio flexível (nasofibroscópio) com o objetivo de avaliar quadros/doenças que se manifestam na cavidade nasal, faringe e laringe. As vantagens desse exame em relação à endoscopia rígida nasal ou laríngea são o maior grau de conforto e a possibilidade de se avaliar as estruturas de maneira dinâmica, como no canto e na deglutição. Já em relação às desvantagens, podemos citar o preço mais elevado do nasofibroscópio e a menor qualidade de imagem gerada, em comparação com as óticas rígidas [cms-watermark] .

Sinônimos: N asofibrolaringoscopia; videonasolaringoscopia; endoscopia nasal flexível .

Como o exame em questão avalia diferentes regiões da via aérea superior, deve-se especificar na indicação do exame a área de maior interesse.

    Exemplos de indicações:
  • Avaliar paciente idoso do sexo masculino com história de obstrução nasal crônica, roncos noturnos e sonolência diurna: Rinopatia alérgica? Desvio de septo nasal? Síndrome da apneia obstrutiva do sono? (Neste caso, as áreas de interesse serão cavidade nasal, esfíncter velofaríngeo, nasofaringe, orofaringe e base de língua) ;
  • Avaliar paciente idosa e tabagista (alta carga tabágica) com queixa há 2 meses de frequentes e autolimitados episódios de epistaxe por fossa nasal direita, associados à obstrução nasal, sem história de trauma: Neoplasia de cavidade nasal? (Neste caso, a cavidade nasal e a rinofaringe são as áreas de maior interesse, devendo-se também avaliar a laringe decorrente de história de tabagismo) ;
  • Avaliar paciente jovem do sexo masculino com história de disfonia (voz soprosa e áspera) após abuso vocal há 2 semanas, sem odinofagia ou tosse. O paciente não tolerou o exame de videolaringoscopia com ótica rígida: Pólipo de prega vocal? Paralisia de prega vocal? Hematoma de prega vocal? (Neste caso, a laringe – especialmente a glote – é a área de maior interesse).
  • Obstrução nasal;
  • Avaliação de perfuração do septo nasal;
  • Distúrbios da deglutição;
  • Investigação de facialgia e cefaleia;
  • Sangramentos de cavidade nasal e faringe;
  • Sinusopatias (rinossinusite aguda/crônica);
  • Roncos noturnos;
  • Odinofagia persistente;
  • Disfonia;
  • Tosse seca;
  • Pigarro;
  • Globus faríngeo;
  • Otite serosa (avaliação da tuba auditiva e nasofaringe);
  • Corpo estranho em nariz, faringe ou laringe.

No geral, não é recomendado jejum, exceto caso o paciente apresente exacerbação de reflexo nauseoso. Nesse caso, pode-se solicitar jejum de 4 horas.

O uso de anestesia tópica nasal com Lidocaína 2% reduz o incômodo causado pelo exame, e o emprego de Lidocaína 10% em faringe reduz o reflexo nauseoso.

Podem ser usados algodões embebidos em gotas de vasoconstritor nasal ou solução de SF 0,9% + Adrenalina (1:10) para melhorar a permeabilidade nasal. Entretanto, esse procedimento está indicado após um primeiro exame com a mucosa nasal sem o efeito desse tipo de medicação.

É de extrema importância que o paciente seja orientado de como o exame será realizado e que as dúvidas quanto a sua execução sejam sanadas antes da realização do exame.

Para esse exame, é sugerido que o paciente encoste a cabeça na cadeira, sem hiperestender o pescoço.

    O exame deve avaliar as seguintes estruturas (sugestão de ordem):
  • Mucosa nasal – aspecto e coloração;
  • Vestíbulo nasal e septo anterior – pesquisa de desvios e lesões;
  • Assoalho do nariz até rinofaringe;
  • Concha nasal inferior – da cabeça à cauda;
  • Meato médio (ex.: lesões, secreção e pólipos);
  • Recesso esfenoetmoidal (ex.: lesões, secreção e pólipos);
  • Concha nasal superior e teto do nariz;
  • Meato inferior – válvula de Hasner (óstio do ducto lacrimal);
  • Faringe: rinofaringe (avaliação de adenoide e óstios da tubas auditivas) -> orofaringe e base de língua -> hipofaringe e valécula;
  • Laringe: supraglote (seios piriformes e epiglote) -> Glote (pregas vocais) -> subglote (sem tocar pregas vocais).

Exame realizado ambulatorialmente, com anestesia local tópica e boa tolerância.

O sistema de vídeo utiliza uma câmera acoplada a um endocoupler para gerar a imagem em tela (monitor de computador ou tela de televisão). A imagem deve ser gravada para registro e confecção de laudo médico.

  • Crianças < 5 anos; [cms-watermark]
  • Adultos com exacerbação de reflexo nauseoso; [cms-watermark]
  • Adultos com transtorno de ansiedade grave; [cms-watermark]
  • Desvios do septo nasal que impossibilitem a progressão do fibroscópio; [cms-watermark]
  • Lesões expansivas em fossas nasais que impossibilitem a progressão do fibroscópio. [cms-watermark]

O exame em questão não apresenta contraindicações.

  • Lesão de mucosa nasal;
  • Epistaxe;
  • Dor local;
  • Êmese.

Autoria principal: Gabriel Caetani (Otorrinolaringologia).

Revisão: Eveline Tasca Rodrigues (Otorrinolaringologia). [cms-watermark]

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