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Oropouche (Teste Molecular RT-PCR)

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Definição: É um teste de biologia molecular (método direto) "padrão-ouro" utilizado para a detecção, em diversos líquidos biológicos, do RNA do vírus causador da febre oropouche (FO), notadamente na fase aguda da doença.*

Sinônimos: Febre Oropouche – RT-PCR; OROV – RT-PCR; Orthobunyavirus – PCR; Oropouche – PCR; PCR para Oropouche.

*Observação! Esse teste molecular pode ser realizado em diversos materiais biológicos (ex.: sangue, urina, líquido cefalorraquidiano – LCR, sangue de cordão umbilical) para a detecção do vírus causador da FO, e, por conseguinte, deve-se descrever o material a ser analisado. [cms-watermark]

A FO é uma arbovirose (zoonose transmitida por artrópodes) causada pelo vírus Oropouche ( Orthobunyavirus oropoucheense – OROV) do gênero Orthobunyavirus , que pertence à família Peribunyaviridae . No ciclo epidêmico urbano, é transmitida, notadamente, pela picada do mosquito Culicoides paraenses , conhecido, popularmente, como maruim ou mosquito-pólvora.

A FO apresenta sinais e sintomas semelhantes aos de outras arboviroses (ex.: dengue, chikungunya, zika, febre amarela), como febre, calafrios, cefaleia, mialgia, artralgia, dor retro-orbital, tontura, náuseas/vômitos, diarreia, manifestações hemorrágicas (ex.: gengivorragia, petéquias, epistaxe) e manifestações do sistema nervoso central (SNC) (ex.: disautonomia, diplopia, parestesia, meningite, encefalite, meningoencefalite).

Por conta da semelhança de seus sinais e sintomas com os de outras doenças infecciosas virais circulantes, o diagnóstico baseado somente na clínica pode ser desafiador. Dessa maneira, a confirmação desse com testes laboratoriais é de fundamental importância para sua identificação e seu adequado manejo.

O diagnóstico laboratorial da FO pode ser realizado por métodos indiretos (anticorpos) ou, preferencialmente, por técnicas diretas (ex.: RT-PCR, sequenciamento) de detecção do material genético viral (RNA), dadas suas altas sensibilidade e especificidade.

A reação em cadeia da polimerase em tempo real (RT-PCR) é o teste de laboratório considerado o "padrão-ouro" para o diagnóstico da FO, apresentando taxa de detecção no soro – quando o material é obtido em até 5 dias do início da doença – de cerca de 93%.

Observação! Ainda não estão bem estabelecidos os parâmetros de desempenho das metodologias para a pesquisa de anticorpos (técnicas indiretas), como dados de sensibilidade, especificidade e possibilidade de reações cruzadas. Adicionalmente, a disponibilidade comercial desses kits diagnósticos ainda é limitada. [cms-watermark]

    Indicações:
  • Diagnóstico da infecção aguda;
  • Diagnóstico diferencial de infecções agudas causadas por outras arboviroses (ex.: zika, chikungunya, dengue, febre amarela) e outras doenças agudas febris.

Como solicitar: Oropouche (Teste Molecular RT-PCR).*

*Observação! Esse teste molecular pode ser realizado em diversos materiais biológicos (ex.: sangue, urina, LCR, sangue de cordão umbilical) para a detecção do vírus causador da FO, e, por conseguinte, deve-se descrever o material a ser analisado. [cms-watermark]

  • Orientações ao paciente: Não é necessário preparo específico:
    • Sangue: Tubo para soro (tampa vermelha/amarela). Coletar até o 5º dia do início dos sintomas, na fase virêmica. Após a retração do coágulo, centrifugar a amostra por 15 minutos, aliquotar 2-3 mL do soro em um tubo plástico estéril, livre de nucleases, com tampa de rosca e anel de vedação. Conservar a amostra entre 2-8 o C por até 48 horas; -20 o C por até 7 dias; após esse período, manter a -70 o C;
    • Urina: Frasco de coleta de urina descartável com boca larga, fundo chato e tampa de rosca. Coletar até o 15º dia do início dos sintomas. Conservar a amostra entre 2-8 o C por até 48 horas; -20 o C por até 7 dias; após esse período, manter a -70 o C;
    • LCR: Tubo plástico estéril, livre de nucleases, com tampa de rosca e anel de vedação. Coletar até o 7 o dia do início dos sintomas;
    • Sangue de cordão umbilical (gestantes): Tubo para sangue total EDTA (tampa roxa). Após o clampeamento do sangue do cordão umbilical (segundos após o nascimento do neonato), coletar 12 mL. Conservar a amostra entre 2-8 o C por até 48 horas; após esse período, manter a -20 o C por até 7 dias;
  • Material(ais): Sangue, urina, LCR, sangue de cordão umbilical;
  • Volume recomendado:
    • Sangue: 5 mL (criança), 10 mL (adulto);
    • Urina: 10 mL;
    • LCR: 1 mL (criança), 3 mL (adulto);
    • Sangue de cordão umbilical (gestantes): 12 mL.
Texto alternativo para a imagem Figura 1. Tubo para soro - tampa vermelha - Ilustração: Caio Lima.
Texto alternativo para a imagem Figura 2. Tubo para soro - tampa amarela - Ilustração: Caio Lima.
Texto alternativo para a imagem Figura 3. Tubo para soro - tampa roxa. Ilustração: Caio Lima

Não detectado.

A detecção molecular (RT-PCR) do OROV em amostras de soro neonatal, cordão umbilical ou de placenta pode sugerir transmissão vertical recente. Todavia, isso não indica, necessariamente, que essa infecção seja a causa das eventuais anomalias congênitas presentes.

Amostras de soro coletadas, principalmente, após o 5 o dia do início dos sintomas, podem apresentar resutados falso-negativos.

O OROV é capaz de "trocar" segmentos de material genético ("reassortimento") com outros vírus semelhantes, gerando novas combinações. Desse modo, a depender do kit /protocolo utilizado, eventuais resultados falso-negativos podem ocorrer.

Detectado: FO aguda.

Não detectado: Indivíduos saudáveis; FO recente (principalmente com > 5 dias de evolução) ou passada.

Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).

Perez-Restrepo LS, Knuese C, Vargas V, et al. Protocol for detection of Oropouche viruses from human serum. STAR Protoc. 2025 May 5; 6(2):103805.

Bai F, Denyoh PMD, Urquhart C, et al. A Comprehensive Review of the Neglected and Emerging Oropouche Virus. Viruses. 2025 Mar 19; 17(3):439.

Porwal S, Malviya R, Sridhar SB, et al. Mysterious Oropouche virus: Transmission, symptoms, and control. Infect Med (Beijing). 2025 Mar 17; 4(2):100177.

RIO DE JANEIRO. Secretaria de Estado de Saúde. Nota Técnica SES/SUBVAPS Nº 07/2025. Vigilância da Febre Oropouche no estado do Rio de Janeiro: Consolidado das atualizações. SES: RJ; 2025.

RIO DE JANEIRO. Secretaria de Estado de Saúde. Nota Técnica SES/SUBVAPS Nº 03/2025. Atualizações para a Vigilância da Febre Oropouche no estado do Rio de Janeiro. SES: RJ; 2025.

Desai AN, Otter A, Koopmans M, et al. Oropouche virus: A re-emerging arbovirus of clinical significance. Int J Infect Dis. 2024 Dec; 149:107251.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Departamento de Doenças Transmissíveis. Coordenação-Geral de Vigilância de Arboviroses. Nota Técnica Conjunta nº 135/2024-SVSA/SAPS/SAES/MS. Brasília: MS; 2024.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Departamento de Doenças Transmissíveis. Coordenação-Geral de Vigilância de Arboviroses. Nota Técnica nº 117/2024-CGARB/DEDT/SVSA/MS: Atualização das orientações para a vigilância do Oropouche. Brasília: MS; 2024.