' Procalcitonina - Prescrição
Conteúdo copiado com sucesso!

Procalcitonina

Voltar

Definição: Peptídio constituído por 116 aminoácidos, precursor (pró-hormônio) da calcitonina (hormônio produzido pela tireoide, envolvido na homeostase do cálcio ).

Sinônimos: PCT; ProCT; PróCT; Pro-calcitonina; Pró-calcitonina; Procalcitonina sérica; Procalcitonina - Sangue.

Fisiologicamente a procalcitonina permanece apenas no interior das células C parafoliculares da tireoide, servindo como um pró-hormônio da calcitonina.

No curso de infecções bacterianas, devido ao estímulo de endotoxinas e citocinas inflamatórias (ex.: fator de necrose tumoral alfa, interleucina 6), ela pode ser produzida por macrófagos e células mononucleares (notadamente no fígado) sendo, nessas situações, encontrada na circulação periférica.

Ao contrário da procalcitonina tireoidiana, sua forma encontrada no sangue periférico não se converte em calcitonina . Essa forma atua como uma quimiocina, induzindo a síntese de óxido nítrico endotelial e modulando a produção de citocinas.

Em contrapartida, alguns mediadores de infecção viral (como o interferon gama) inibem sua expressão, diminuindo, assim, os seus níveis circulantes. Desse modo, uma de suas maiores aplicabilidades clínicas é no diagnóstico diferencial entre infecções bacterianas e virais.

A procalcitonina pode ser encontrada no sangue periférico de 2 a 4 horas após o evento desencadeante, alcançando um pico de concentração sérica em torno de 12 a 24 horas. Ela apresenta meia-vida de 25 a 30 horas, não sendo degradada por nenhuma enzima plasmática.

Como usar a procalcitonina em pneumonia comunitária?

Qual a evidência para descalonamento antibiótico na UTI baseado na procalcitonina?

    Indicações:
  • Auxiliar o diagnóstico diferencial de infecções bacterianas e virais;
  • Guiar o início, a suspensão e/ou a troca do esquema antimicrobiano;
  • Avaliação de gravidade, prognóstico e de resposta ao tratamento na sepse bacteriana;
  • Monitorar o desenvolvimento de infecções bacterianas.

Como solicitar: Procalcitonina.

  • Orientações ao paciente: não é necessário nenhum preparo específico;
  • Tubo para soro (tampa vermelha/amarela). Aguardar a retração do coágulo e centrifugar a amostra por 15 minutos. Se esta for processada em até 24 horas, o soro deve ser armazenado em um tubo de transporte. Caso o prazo entre a coleta e a análise seja maior do que 24 horas, deve-se congelar (-20 o C) a alíquota de soro;
  • Material: sangue;
  • Volume recomendável: 1 mL.
Texto alternativo para a imagem Figura 1. Tubo para soro - tampa vermelha. Ilustração: Caio Lima
Texto alternativo para a imagem Figura 2. Tubo para soro - tampa amarela. Ilustração: Caio Lima
  • Os valores de referência para a procalcitonina podem variar de acordo com o laboratório clínico, protocolo clínico institucional e metodologia utilizada. [cms-watermark]
  • Adultos e recém-nascidos (> 72 horas de vida): ≤ 0,15 ng/mL;
  • Os valores de referência para recém-nascidos com menos de 72 horas de vida ainda não estão bem definidos.

A procalcitonina não é específica para infecções bacterianas, podendo aumentar em outras situações clínicas (ex.: choque, queimaduras, trauma, cirurgia, insuficiência renal).

Resultado falso-negativo pode ocorrer se a amostra for coletada em um estágio muito precoce da infecção.

Sua interpretação deve ser sempre feita em conjunto com dados clínicos e o resultado de outros exames complementares.

Protocolos e níveis de corte variam de acordo com cada centro clínico/bibliografia.

Seu uso é limitado na avaliação de doenças fúngicas ou em doenças localizadas sem resposta sistêmica.

A interpretação de suas concentrações em pacientes imunocomprometidos, renais crônicos, grávidas e após cirurgias deve ser cautelosa.

    Aumento:
  • Infecções bacterianas;
  • Sepse bacteriana;
  • Grandes queimaduras;
  • Trauma;
  • Grandes cirurgias;
  • Pancreatite aguda;
  • Carcinoma medular da tireoide;
  • Tumores neuroendócrinos;
  • Hemorragia subaracnoide;
  • Doença enxerto versus hospedeiro;
  • Íleo paralítico;
  • Insuficiência renal;
  • Algumas doenças autoimunes;
  • Carcinoma pulmonar de pequenas células;
  • Infecções virais (em menor escala);
  • Malária;
  • Infecções invasivas por Candida ;
  • Infecções pulmonares fúngicas (ex.: aspergilose , mucormicose );
  • Resposta inflamatória sistêmica;
  • Período pós-natal imediato;
  • Medicamentos (imunomoduladores).

Diminuição: Sucesso do tratamento do processo infeccioso bacteriano de base.

Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).

Julián-Jiménez A, García de Guadiana-Romualdo L, Merinos-Sánchez G, et al. Diagnostic accuracy of procalcitonin for bacterial infection in the Emergency Department: a systematic review. Rev Clin Esp (Barc). 2024; 224(6):400-16.

Zaki HA, Bensliman S, Bashir K, et al. Accuracy of procalcitonin for diagnosing sepsis in adult patients admitted to the emergency department: A systematic review and meta-analysis. Syst Rev. 2024; 13(1):37.

Maigari IM, Jibrin YB, Gwalabe SA, et al. Diagnostic usefulness of serum procalcitonin in patients with bacterial sepsis. Niger J Clin Pract. 2023; 26(10):1436-43.

Kanaan S, Garcia MAT, Xavier AR, et al. Bioquímica clínica. 3a ed. Rio de Janeiro: Atheneu; 2022.

Bassetti M, Russo A, Righi E, et al. Role of procalcitonin in predicting etiology in bacteremic patients: Report from a large single-center experience. J Infect Public Health. 2020; 13(1):40-5.

DiaSorin Ltda. LIAISON® BRAHMS PCT® II GEN (REF 318040). Ficha técnica 2022.

Schuetz P, Beishuizen A, Broyles M, et al. Procalcitonin (PCT)-guided antibiotic stewardship: An international experts consensus on optimized clinical use. Clin Chem Lab Med. 2019; 57(9):1308-18.

Sager R, Kutz A, Mueller B, et al. Procalcitonin-guided diagnosis and antibiotic stewardship revisited. BMC Med. 2017; 15(1).

McPherson RA, Pincus MR. Henry's clinical diagnosis and management by laboratory methods. 23rd ed. St. Louis: Elsevier; 2017.

Rhee C. Using procalcitonin to guide antibiotic therapy. Open Forum Infect Dis. 2016; 4(1):ofw249.

Bouadma L, Luyt CE, Tubach F, et al. Use of procalcitonin to reduce patients' exposure to antibiotics in intensive care units (PRORATA trial): A multicentre randomised controlled trial. Lancet. 2010; 375(9713):463-74.

Meisner M. Procalcitonin: Biochemistry and clinical diagnosis. Bremen: UNI-MED; 2010.

Hochreiter M, Köhler T, Schweiger AM, et al. Procalcitonin to guide duration of antibiotic therapy in intensive care patients: A randomized prospective controlled trial. Crit Care. 2009; 13(3):R83.

Schroeder S, Hochreiter M, Koehler T, et al. Procalcitonin (PCT)-guided algorithm reduces length of antibiotic treatment in surgical intensive care patients with severe sepsis: Results of a prospective randomized study. Langenbecks Arch Surg. 2009; 394(2):221-6.

Harbarth S, Holeckova K, Froidevaux C, et al. Diagnostic value of procalcitonin, interleukin-6, and interleukin-8 in critically ill patients admitted with suspected sepsis. Am J Respir Crit Care Med. 2001; 164(3):396-402.

Maruna P, Nedelnikova K, Gurlich R. Physiology and genetics of procalcitonin. Physiol Res. 2000; 49(Suppl 1):S57-61.