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Definição: A prolactina é um dos hormônios produzidos na parte anterior da hipófise (adenoipófise), necessário para a iniciação e manutenção da lactação em mulheres. Nos indivíduos saudáveis do sexo masculino, sua função ainda não está bem estabelecida, mas ela tem função no orgasmo e na recuperação/relaxamento pós-coito.
Sinônimos: Hormônio lactogênico; PRL; LTH; Prolactina sérica; Prolactina - Sangue.
A secreção da prolactina apresenta variação circadiana, bem como segue um padrão pulsátil. Ela encontra-se sob controle inibitório do hipotálamo, tendo a dopamina como seu principal inibidor.
Os hormônios que estimulam a liberação da prolactina ainda não estão muito bem definidos, porém há indícios de que o hormônio estimulador de tireotrofina (TRH), o peptídio vasoativo intestinal (VIP) e outros peptídios podem desempenhar tal função.
De maneira geral, em pacientes com prolactinoma, as concentrações de prolactina são diretamente proporcionais ao tamanho do tumor. Nos indivíduos com prolactinoma, após o início do tratamento, espera-se uma importante redução de seus níveis (na maioria dos casos).
Em alguns pacientes, pode ser encontrada uma forma polimérica acoplada à imunoglobulina, de alto peso molecular e baixa atividade biológica, chamada de macroprolactina (big big prolactina), que pode coexistir no mesmo indivíduo com outras diferentes formas de prolactina.
Essa forma polimérica pode ser estimada, mais comumente, em um método de precipitação com polietilenoglicol (PEG). Ele é utilizado para triagem da presença de macroprolactina associado ao achado de hiperprolactinemia assintomática, evitando assim procedimentos adicionais desnecessários (ex.: tomografia computadorizada ou ressonância magnética da região hipofisária).
Altos percentuais (ex.: > 60%) de recuperação após precipitação por PEG indicam baixa probabilidade da presença de macroprolactina, enquanto níveis elevados de prolactina após PEG sugerem hiperprolactinemia verdadeira.
Como solicitar: Prolactina.
Figura 1.
Tubo para soro - tampa vermelha.
Ilustração:
Caio Lima.
Figura 2.
Tubo para soro - tampa amarela.
Ilustração:
Caio Lima.
Observação! Os valores de referência para a prolactina podem variar de acordo com o laboratório clínico e a metodologia utilizada.
A maior causa de hiperprolactinemia é o efeito colateral medicamentoso.
A presença de macroprolactina pode gerar resultados falsamente elevados. Níveis elevados de prolactina após polietilenoglicol (PEG) sugerem hiperprolactinemia verdadeira.
Amostras acentuadamente hemolisadas podem interferir em suas determinações laboratoriais.
Em gestantes com prolactinoma, a interpretação dos resultados é prejudicada.
A presença de anticorpos heterófilos ou de anticorpos humanos anti-rato (HAMA) na amostra pode interferir nos resultados em algumas metodologias.
O "efeito gancho" ou "efeito Hook" pode ocorrer nas dosagens de Prolactina. Ele aparece quando há altas concentrações desse hormônio no soro, saturando os anticorpos de captura e de sinal utilizados em alguns ensaios, o que pode levar a um resultado falsamente menor (moderadamente acima dos valores de referência). Essa situação pode ser corrigida após uma diluição da amostra (1:100) e repetição do exame.
Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).
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