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Proteína C Reativa (PCR)

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Definição: A proteína C reativa (PCR) é uma proteína da família das pentraxinas, sendo considerada o reativo de fase aguda de escolha no contexto de processos inflamatórios/infecciosos.

Sinônimos: CRP; PCR não ultrassensível; PCR convencional; Proteína C reativa; Proteína C-reativa.

  • Observação! Atenção com as abreviaturas, já que "proteína C reativa" (PCR) pode ser facilmente confundida na hora do cadastro do exame com "reação em cadeia da polimerase" ou, em inglês, polymerase chain reaction (PCR).

Primeiramente identificada em 1930 no plasma de pacientes com pneumonia pneumocócica, recebeu essa nomenclatura devido à sua capacidade de ligação ao polissacarídio-C da parede celular dos pneumococos. Posteriormente, descobriu-se a sua relação e utilidade como um marcador de fase aguda.

Em condições fisiológicas, suas concentrações séricas são muito baixas e constantes, visto que não apresentam variações circadianas significativas.

Durante o curso de processos inflamatórios/infecciosos, mediadores químicos são liberados na circulação (ex.: interleucinas), os quais sinalizam aos hepatócitos (a produção da proteína C reativa é predominantemente hepática) sobre a necessidade da síntese de proteínas de fase aguda, dentre as quais a proteína C reativa.

Seus níveis elevam-se, em concentrações proporcionais ao grau de estímulo, em apenas algumas horas (pico em 24-38 horas) após o início de um processo inflamatório/infeccioso. Seu aumento, muitas vezes, pode preceder sinais e sintomas clínicos inflamatórios/infecciosos, sendo uma das primeiras proteínas de fase aguda a aparecer. Após a resolução do quadro/cessação do estímulo, devido a sua curta meia-vida (8-12 horas), seus níveis decaem rapidamente .

É uma proteína que apresenta elevada sensibilidade como um marcador de processos inflamatórios/infecciosos, porém com baixa especificidade, visto que suas concentrações podem se alterar diante de uma ampla gama de condições. A determinação da proteína C reativa, como um marcador de fase aguda, apresenta vantagens clínicas e laboratoriais em relação à velocidade de hemossedimentação (VHS).

    Indicações:
  • Avaliar a presença, a extensão, a atividade do processo inflamatório/infeccioso, além de monitorar a evolução e a resposta ao tratamento;
  • Avaliação de severidade e seguimento da atividade de doença em algumas patologias autoimunes, colagenoses e vasculites.
    • Observação! Para avaliação do fator de risco e eventos cardiovasculares, a PCR-us (de ultrassensibilidade/alta sensibilidade) é mais sensível e específica que a convencional. Embora seja a mesma proteína, sua principal diferença para a PCR convencional é que o ensaio ultrassensível foi desenvolvido para detectar e distinguir pequenos aumentos séricos da PCR (típico de doenças cardiovasculares), com diluições e calibrações específicas.

Como solicitar: Proteína C Reativa (PCR) ou Proteína C Reativa (PCR) não ultrassensível.

  • Observação! Para avaliação do fator de risco e eventos cardiovasculares, solicitar a PCR-us (proteína C reativa de ultrassensibilidade).
  • Orientações ao paciente: não é necessário preparo específico;
  • Tubo para soro (tampa vermelha/amarela) ou tubo para plasma heparinizado (tampa verde). Aguardar a devida retração do coágulo, centrifugar a amostra, e manter o material sob refrigeração (2-8 o C) (Figuras 1 a 3);
  • Material: Sangue;
  • Volume recomendável: 1,0 mL.
Texto alternativo para a imagem Figura 1. Tubo para soro - tampa vermelha


Texto alternativo para a imagem Figura 2. Tubo para soro - tampa amarela


Texto alternativo para a imagem Figura 3. Tubo para plasma heparinizado - tampa verde

PCR convencional - adultos: < 5,0 mg/L.

    PCR-ultrassensível (PCR-us):
  • Risco cardiovascular baixo: < 1,0 mg/L;
  • Risco cardiovascular intermediário: 1,0 a 3,0 mg/L;
  • Risco cardiovascular alto: > 3,0 mg/L.

Observação! O risco cardiovascular somente deve ser interpretado na ausência de quadros inflamatórios/infecciosos.

Observação! Os valores de referência da proteína C reativa podem variar de acordo com o laboratório clínico e a metodologia utilizada.

Observação! Em concentrações > 10,0 mg/L, deve-se pesquisar uma fonte de inflamação ou infecção. Esse resultado deve ser descartado, e uma nova dosagem feita após 2 semanas.

Amostras acentuadamente lipêmicas ou hemolisadas podem causar resultados falso-positivos.

A presença de anticorpos heterófilos pode interferir na determinação.

É um teste que apresenta baixa especificidade para processos inflamatórios/infecciosos, sendo necessária sua correlação com dados clínicos e de outros exames complementares.

Pacientes com doença hepática podem apresentar uma resposta menos acentuada da PCR.

Aumento: E stados inflamatórios/infecciosos; cirurgias; pós-operatório; doença inflamatória pélvica; doença inflamatória intestinal; doenças autoimunes; colagenoses; vasculites; sepse; apendicite aguda; infarto agudo do miocárdio (IAM); reposição hormonal com estrógenos; trauma.

Diminuição: Controle/debelação do processo inflamatório/infeccioso de base; drogas (corticoides).

Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).

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