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Definição: É uma glicoproteína vitamina K dependente, sintetizada no endotélio, nos megacariócitos e, principalmente, no fígado, atuando como um cofator da proteína C ativada, na via da coagulação. Por sua vez, a proteína C ativada (utilizando a proteína S como um cofator) possui a capacidade de degradar os fatores V e VIII ativados, exercendo assim sua propriedade anticoagulante natural.
Sinônimos: Ptn S; Proteína S - ensaio funcional.
É encontrada no plasma sob duas formas: cerca de 60% é encontrada na forma conjugada (funcionalmente inativa) ligada à proteína ligadora de C4b (C4bBP) e aproximadamente 40% sob a forma livre (funcionalmente ativa, com atividade anticoagulante). A Proteína S total é definida pela soma da fração conjugada com a fração livre.
A sua deficiência genética, conceitualmente, pode se apresentar de três diferentes formas: a do tipo I é quantitativa, enquanto a do tipo II (tipo IIb) é qualitativa (apresentando concentrações normais da fração total e livre). Já a do tipo III (tipo IIa) também é qualitativa, porém é caracterizada pela deficiência da fração livre, com fração total normal.
Ela também pode estar diminuída de maneira adquirida (forma bem mais comum do que a genética), como no caso do uso de anticoagulantes orais, coagulação intravascular disseminada, doença hepática, deficiência de vitamina K
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Como solicitar:
Proteína S funcional (ver Interferentes/Limitações).
Figura 1.
Tubo para plasma - tampa azul clara
Observação!
Ao nascimento, os níveis de proteína S são sensivelmente menores, variando de 12 a 60%. Com o passar dos meses, vão aumentando gradativamente, atingindo níveis de adultos por volta dos 6 meses de idade.
Observação!
Os valores de referência para a Proteína S funcional podem variar de acordo com o laboratório clínico e a metodologia utilizada.
Nos ensaios funcionais baseados em coágulo (utilizados para triagem), todos os três tipos de deficiências apresentam níveis diminuídos. Após um teste funcional de triagem alterado, deve ser realizado um ensaio antigênico (imunológico) para a detecção da fração livre da proteína S para determinar o subtipo de deficiência. Se esse teste demonstrar uma diminuição da fração livre, um outro tipo de ensaio antigênico (imunológico) para a detecção da proteína S total deve ser realizado, concluindo assim a investigação.
| Tipo | Proteína S funcional | Proteína S livre (imunológico) | Proteína S total (imunológico) |
| I | Diminuída | Diminuída | Diminuída |
| II (IIb) | Diminuída | Normal | Normal |
| III (IIa) | Diminuída | Diminuída | Normal |
Os ensaios funcionais baseados em coágulo podem sofrer interferência de anticoagulantes lúpicos, níveis dos fatores VIII , fator V de Leiden e outras anormalidades da coagulação.
A proteína S possui baixa estabilidade, sendo sensível a inadequações de coleta, temperatura, transporte e armazenamento. Dessa forma, pacientes com resultados inesperadamente reduzidos (em uma primeira dosagem) devem repetir o exame em uma nova amostra para confirmação.
Amostras hemolisadas, lipêmicas ou ictéricas prejudicam a sua determinação.
Amostras com fibrina e/ou coaguladas são inapropriadas para a realização desse exame, devendo ser recoletadas.
Uma eventual elevação da atividade da Proteína S possui significado clínico incerto.
Aumento:
Não se aplica.
Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).
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