' Proteína de Bence Jones - Urina de 24 horas - Prescrição
Conteúdo copiado com sucesso!

Proteína de Bence Jones - Urina de 24 horas

Voltar

Definição: O clássico teste da pesquisa da proteína de Bence Jones (BJ) na urina - pelo método de precipitação pelo calor - é uma técnica em desuso, mas que foi utilizada por muitos anos com a finalidade de pesquisar cadeias leves urinárias para o auxílio diagnóstico de paraproteinemias.

Sinônimos: Proteínúria de Bence Jones - Urina de 24 horas; Pesquisa da Proteína de Bence Jones - Urina de 24 horas; Proteínas de Bence Jones - Urina de 24 horas; Bence Jones - Urina de 24 horas.

Relatada em 1847 por Henry Bence Jones, esse proteína que leva seu nome é representada pelas cadeias leves (kappa e lambda) de imunoglobulinas monoclonais que, uma vez filtradas pelos glomérulos renais são eliminadas e, por conseguinte, detectadas na urina.

    A técnica da pesquisa da proteína de Bence Jones (BJ), pelo método de calor, é uma técnica simples e barata, que se baseia nas propriedades de solubilização dessa proteína:
  • Aliquotam-se cerca de 10 mL de volume da urina de 24 horas. Essa amostra é colocada em um tubo de ensaio em conjunto com um ácido (ex.: ácido sulfossalicílico a 3%), a fim de acidificar o material até um pH 5,0;
  • Após o aquecimento do tubo em banho maria por 5 minutos, a amostra é filtrada ainda quente. Caso alguma turbidez e/ou precipitado durante o resfriamento seja notado, a amostra é reaquecida em banho-maria;
  • A pesquisa é considerada positiva se o precipitado desaparecer a 100 °C, e, durante a segunda etapa de resfriamento, este precipitado for novamente observado.

Dada a interpretação subjetiva da leitura de seus resultados, bem como sua baixa reprodutividade, sensibilidade e valor preditivo positivo (VPP), a pesquisa da proteína de Bence Jones na urina é uma técnica com desempenho analítico insatisfatório, estando, pois, em desuso.

Ffoi substituída, com sucesso, por exames mais modernos e acurados para o diagnóstico e acompanhamento de paraproteinemias (ex.: eletroforese de proteínas séricas e urinárias, cadeias leves livres no soro e na urina, imunofixação de proteínas séricas e urinárias ).

    Indicações:
  • Auxílio diagnóstico e de monitoramento de gamopatias monoclonais.

Como solicitar: Proteína de Bence Jones - Urina de 24 horas.

  • Orientações ao paciente:
    • Manter rotina, dieta e hidratação diária habitual;
    • No início do período da colheita, esvaziar a bexiga, desprezando essa micção, e anotar o horário;
    • Após esse procedimento, coletar toda a urina produzida no frasco coletor para urina de 24 horas (sem conservante) fornecido pelo laboratório, e acondicionar em geladeira (2-8 o C) durante toda a coleta;
    • No fim do período, exatamente na hora em que ele foi iniciado no dia anterior, coletar essa última micção no frasco e levar ao laboratório;
  • Frasco coletor: Deve ser apropriado para a urina de 24 horas, sem conservante;
  • Material: Urina de 24 horas;
  • Volume recomendável: Não há um volume recomendável preestabelecido para a urina de 24 horas, devendo apenas ser devidamente coletada e armazenada. Aliquotar 10 mL do volume total.
Texto alternativo para a imagem Figura 1. Frasco coletor urina de 24 horas. Ilustração: Caio Lima

Não detectada.

O uso de contrastes orais pode prejudicar a análise.

A interpretação da leitura de seus resultados é subjetiva/examinador dependente.

Apresenta um desempenho analítico insatisfatório (baixa sensibilidade e valor preditivo positivo) como ferramenta auxiliar ao diagnóstico do mieloma múltiplo (MM).

Resultados inconclusivos podem ocorrer na presença de outras globulinas.

Se a proteína de Bence Jones estiver muito concentrada, reações falso-negativas podem ocorrer.

Resultados falso-positivos podem ocorrer se outras globulinas se precipitarem pelo ácido através do método de precipitação pelo calor.

Presente: Mieloma múltiplo (MM); macroglobulinemia de Waldenstrom; doenças linfoproliferativas malignas; amiloidose; gamopatia monoclonal de significado indeterminado (MGUS); doença das cadeias pesadas.

Ausente: Indivíduos saudáveis.

Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).

Reddy A, Rapiti N, Gounden V. Comparison of 24-hour versus random urine samples for determination and quantification of Bence Jones protein in a South African population. Afr J Lab Med. 2021 Aug 4;10(1):1228.

Sewpersad S, Pillay TS. Historical perspectives in clinical pathology: Bence Jones protein-early urine chemistry and the impact on modern day diagnostics. J Clin Pathol. 2021 Apr;74(4):212-215.

Rajkumar SV. Multiple myeloma: 2020 update on diagnosis, risk‐stratification and management. Am J Hematol. 2020; 95(5):548-567.

Parmar MS. (F)utility of urine Bence Jones proteins for "routine" screening for plasma cell dyscrasia. Diagnosis (Berl). 2020 Nov 12:dx-2020-0104.

Kanaan S. Laboratório com interpretações clínicas. 1a ed. Rio de Janeiro, RJ: Atheneu; 2019.

Tomaz APO, et al. A detecção de proteína Bence Jones na urina pelo teste de calor auxilia no diagnóstico de mieloma múltiplo? J Bras Patol Med Lab. 2017; 53(1):20-23.

McPherson RA, Pincus MR, eds. Henry's Clinical Diagnosis and Management by Laboratory Methods. 23rd ed. St. Louis, MO: Elsevier; 2017.

Olivieri B, Rai AJ. A primer on clinical applications and assays using urine: focus on analysis of plasma cell dyscrasias using automated electrophoresis and immunofixation. Methods Mol Biol. 2010; 641:13-26.

Graziani M, Merlini G, Petrini C. IFCC Committee on Plasma Proteins; SIBioC Study Group on Proteins. Guidelines for the analysis of Bence Jones protein. Clin Chem Lab Med. 2003 Mar;41(3):338-46.

Jacobs DS, DeMott WR, Oxley DK, eds. Jacobs & DeMott Laboratory Test Handbook With Key Word Index. 5th ed. Hudson, OH: Lexi-Comp Inc.; 2001.