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Definição: A triiodotironina (T3) é um hormônio tireoidiano derivado, principalmente (aproximadamente 80% das suas concentrações), da conversão periférica do T4 (tetraiodotironina) em diversos tecidos, por meio do processo da 5’-monodeiodinação. Os outros cerca de 20% advêm da sua produção pela glândula tireoide.
Sinônimos: Tri-iodotironina; Triiodotironina; T3; T3 T; T3 - Sangue; T3 total sérico; T3 sérico.
As principais funções dos hormônios tireoidianos estão ligadas ao desenvolvimento de órgãos e tecidos, promoção do metabolismo celular e, a depender do tecido-alvo, estimular ou inibir a transcrição gênica.
O hormônio T3 liga-se mais fracamente às proteínas de ligação do que o T4
(exceto em relação a albumina), apresentando, dessa maneira, uma meia-vida menor (cerca de 1 dia) em comparação ao T4
(em torno de 7 dias), além de possuir uma maior taxa de depuração metabólica. Seus receptores localizam-se no núcleo das células-alvo, em diversos tecidos.
Sua ligação com a globulina ligadora da tiroxina (TBG)
é estável, porém reversível, de modo que a proporção entre o hormônio ligado/hormônio livre permanece constante (desde que não haja alterações nas concentrações das proteínas ligantes).
Possui uma atividade biológica superior ao T4, sendo encontrado na sua forma livre (em torno de 0,3%) em uma proporção relativamente maior do que o T4. Essa fração livre (T3 livre) é a forma ativa do hormônio (determinante do estado metabólico do paciente).
Os ensaios para o T3 total medem tanto a fração ligada quanto a não ligada (livre) do hormônio.
Contraindicação: Sua solicitação isolada, na avaliação inicial da função tireoidiana, não é recomendada de rotina.
Como solicitar:
T3 total.
Figura 1.
Tubo para soro - tampa vermelha.
Ilustração:
Caio Lima
Figura 2.
Tubo para soro - tampa amarela.
Ilustração:
Caio Lima
| Idade | Nanograma/dL | Nanomol/L |
| 1-3 dias | 100 a 740 | 1,54 a 11,40 |
| 1-11 meses | 105 a 245 | 1,62 a 3,77 |
| 1-5 anos | 105 a 269 | 1,62 a 4,14 |
| 6-10 anos | 94 a 241 | 1,45 a 3,71 |
| 11-15 anos | 82 a 213 | 1,26 a 3,28 |
| 16-20 anos | 80 a 210 | 1,23 a 3,23 |
| 20 a 50 anos | 70 a 204 | 1,08 a 3,14 |
| 50 a 90 anos | 40 a 181 | 0,62 a 2,79 |
Observação!
Os valores de referência para o T3 total podem variar de acordo com o laboratório clínico e a metodologia utilizada.
A presença de autoanticorpos anti-T3 pode interferir nos resultados.
Estados de ligação alterados de proteínas (ex.: altos ou baixos níveis de TBG
podem elevar ou diminuir, respectivamente, as concentrações de T3 total).
Possui baixa acurácia para o diagnóstico de hipotireoidismo, já que a conversão aumentada de T4 para T3 mantém concentração sérica de T3 nos limites normais até o hipotireoidismo se tornar grave.
O aumento ou diminuição do T3 total não indica, necessariamente, um estado de hiper ou hipotireoidismo.
Sugere-se, a critério médico, a suspensão do uso de Biotina (vitamina B7) nas 72 horas que antecedem a coleta, pela possibilidade de interferência analítica em alguns ensaios.
Amostras acentuadamente hemolisadas podem prejudicar a sua determinação.
A presença de anticorpos heterófilos na amostra pode interferir nos resultados.
Aumento: Hipertireoidismo; doença de Graves; ingesta aumentada de T3 sintético; drogas (anticoncepcional, estrógenos, Clofibrato, opioides, andrógenos); tireotoxicose pelo T3; aumento da TBG (gravidez, elevação genética da TBG, porfiria intermitente aguda, cirrose biliar primária, uso de estrogênio, período neonatal, hepatites, HIV, 5-fluouracil, heroína, metadona, clofibrato, tamoxifeno).
Diminuição: H ipotireoidismo; infarto agudo do miocárdio ( IAM) ; drogas (Dopamina, L-dopa, Lítio, Amiodarona, Propranolol, Propiltiouracil, contrastes radiológicos, Salicilatos, Fenitoína, Carbamazepina, Furosemida, AINEs); diminuição da TBG (corticoterapia em altas doses, síndrome de Cushing, hepatopatia grave, doenças não tireoidianas graves, redução genética da TBG, uso de andrógenos, ácido nicotínico, L-asparaginase).
Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).
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