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TAP_INR

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Definição: O tempo de atividade da protrombina (TAP) é utilizado para a avaliação geral da integridade da via extrínseca e comum da coagulação. Ele determina o tempo de formação do coágulo de fibrina, iniciando com a ativação do fator VII até a etapa final, quando o fibrinogênio (fator I) é convertido em fibrina.

Sinônimos: TP, PT, tempo de protrombina, tempo de atividade da protrombina, prothrombin time , RNI, R.N.I., I.N.R.

Por meio da adição, junto ao plasma citratado do paciente, de cloreto de cálcio e tromboplastina (rica em fosfolipídeos e fator tecidual), ocorre a formação do coágulo de fibrina. O tempo para a formação desse coágulo é então calculado, por métodos mecânicos ou ópticos, e reportado em segundos e em uma porcentagem da atividade, em conjunto com o international normalized ratio [cms-watermark] (INR) ou razão normatizada internacional (RNI).

Lamentavelmente, existe uma grande variabilidade entre as tromboplastinas utilizadas pelos fabricantes de kits diagnósticos para o TAP ao redor do mundo. O INR ou RNI foi um mecanismo idealizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para suplantar essa variabilidade, com o propósito de estabelecer uma comparação/padronização válida em nível mundial, independente do tipo de reagente escolhido.

Dessa forma, o INR permite uma comparação interlaboratorial, independentemente do fornecedor/fabricante, da tromboplastina, matriz ou aparelho/metodologia utilizada. Ele é estabelecido mediante uma fórmula matemática cujo cálculo é realizado automaticamente pelos aparelhos a partir do resultado do TAP e do índice de sensibilidade internacional ( [cms-watermark] ISI, do inglês international sensitivity index [cms-watermark] ) e relatado nos laudos.

Já o ISI é um fator determinado previamente pelos fabricantes que cada reagente do TAP possui (e até mesmo entre cada lote de reagente do mesmo fabricante), tendo em vista as diferentes sensibilidades desses para as deficiências dos fatores da coagulação.

Para se estabelecer o valor do ISI, a tromboplastina utilizada no kit diagnóstico é comparada/padronizada com uma tromboplastina de referência internacional. Quanto maior a sensibilidade/qualidade da tromboplastina do kit diagnóstico, mais próximo de 1 será o ISI.

  • INR = (TAP paciente / TAP normal) ISI
      Onde:
    • INR: relação normatizada internacional;
    • TAP: tempo de atividade da protrombina;
    • ISI: índice de sensibilidade internacional.
    Indicações:
  • Triagem e avaliação da integridade da via extrínseca (fator VII*) e comum (fibrinogênio ou fator I e fatores II* , V e X* ) da coagulação;
  • Monitorar a anticoagulação por meio do INR e dos antagonistas da vitamina K (ex.: varfarina sódica).

*Fatores dependentes de [cms-watermark] [cms-watermark] vitamina K.

Como solicitar: TAP, TP, PT, INR, RNI, I.N.R. ou R.N.I.

  • Orientações ao paciente: não é necessário preparo específico;
  • Tubo para plasma (tampa azul claro – citrato de sódio 3,2%). Coletar logo após o tubo sem aditivo ou de hemocultura (se houver) e antes dos outros, na ordem de coleta, a fim de evitar a contaminação dos outros tubos subsequentes pelo seu anticoagulante (citrato de sódio). Proceder a uma inversão do tubo quatro vezes, delicadamente, homogeneizando a amostra;
  • Material: sangue;
  • Volume recomendável: varia de acordo com o volume do tubo utilizado, que geralmente possui uma marcação evidenciando o nível até onde deve ser preenchido pelo sangue. Sempre respeitar a proporção de nove partes de sangue para uma de citrato (9:1).
Texto alternativo para a imagem Figura 1. Tubo para plasma (tampa azul claro – citrato de sódio 3,2%)
    Adultos:
  • TAP: 10-14 segundos (70%-100% de atividade);
  • INR: 0,90-1,20.
    Observações:
  • O valor de referência para o TAP varia conforme o tipo de tromboplastina, o plasma controle do dia, o laboratório clínico e a metodologia utilizada;
  • Recém-nascidos normalmente apresentam TAP mais prolongado em comparação com o de adultos.

Contaminação com outros anticoagulantes no momento da coleta, quando não se respeita a ordem correta dos tubos.

Amostras hemolisadas podem interferir na sua determinação.

Contaminação com plaquetas pode levar a resultados espúrios.

Há uma grande diferença entre os extratos de tromboplastina utilizados pelos fabricantes, com variações significativas de qualidade, de sensibilidade em relação aos fatores dependentes de [cms-watermark] vitamina K, de matriz (humana, sintética) e até mesmo entre aparelhos/metodologias diferentes.

Policitemia pode causar resultados aumentados (tanto do TAP/INR quanto do TTPa/PTTa, ) caso não seja reduzida, proporcionalmente ao volume plasmático, a quantidade de anticoagulante no tubo.

    Aumento (prolongamento):
  • Causas hereditárias (deficiência dos fatores II, V, VII ou X; deficiência do fibrinogênio);
  • Causas adquiridas (disfunção hepática, deficiência de vitamina K, coagulação intravascular disseminada (CIVD), uso de varfarina, hirudina ou argatroban, inibidores de fatores específicos, uso dos novos anticoagulantes orais);
  • A presença do anticoagulante lúpico ou o uso de heparina podem eventualmente prolongar o TP.
    Observação:
  • Os novos anticoagulantes orais não necessitam de monitorização de rotina da coagulação, porém, em alguns casos específicos, o seu controle se faz necessário. Em linhas gerais, todos prolongam o TAP (por interferirem nos fatores II e X ), especialmente a Rivaroxabana. Sua influência, no entanto, depende da concentração do fármaco, do tempo decorrido da última dose tomada até a realização do exame, do tipo de reagente e ensaio etc. O TAP pode ser utilizado qualitativamente para a Rivaroxabana, todavia ainda não há um consenso sobre esse tema.

Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).

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