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TGP_ALT

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Definição: É uma enzima primariamente encontrada no fígado (apesar de também ser observada em níveis altos nos rins), que utiliza, como seu cofator, a vitamina B6.

Sinônimos: TGP; ALT; GPT; SGPT; Transaminase glutâmico-pirúvica; Alanina aminotransferase; Aspartato alanina aminotransferase.

As transaminases ou aminotrasferases são enzimas que catalisam a interconversão, através da transferência de aminogrupos, de aminoácidos em cetoácidos. Sob o ponto de vista da importância clínico-laboratorial, esse grupo de enzimas é representado pela TGP/ALT e pela TGO/AST.

A TGP/ALT tem alta atividade na região citoplasmática (extramitocondrial) do hepatócito, apresentando concentrações intracelulares cerca de 3 mil vezes maiores que as do plasma.

Seus níveis se modificam com a idade e o sexo, apresentando moderada variação diária (10-30%), com uma meia-vida plasmática de, aproximadamente, 47 horas (+/-10).

É um marcador mais específico para lesão hepatocelular do que a TGO/AST, especialmente, mas não exclusivamente, em doenças hepáticas não alcoólicas e em pacientes assintomáticos.

    Indicações:
  • Avaliação e monitorização da função hepática;
  • Investigação, auxílio diagnóstico e acompanhamento de doenças hepáticas.

Como solicitar: TGP ou ALT.

  • Orientações ao paciente: jejum não necessário. Evitar exercícios físicos intensos antes da coleta;
  • Tubo para soro (tampa vermelha/amarela). Aguardar a devida retração do coágulo, centrifugar a amostra, e manter o material sob refrigeração (2-8 o C);
  • Material: sangue;
  • Volume recomendável: 1,0 mL.
Texto alternativo para a imagem Figura 1. Tubo para soro - tampa vermelha. Ilustração: Caio Lima


Texto alternativo para a imagem Figura 2. Tubo para soro - tampa amarela. Ilustração: Caio Lima
  • Homens: 10-40 U/L;
  • Mulheres: 8-35 U/L;
    • Observação! Os valores de referência para a TGP/ALT podem variar de acordo com o laboratório clínico e a metodologia utilizada;
    • Observação! Idosos podem exibir valores ligeiramente superiores aos de adultos;
    • Observação! Crianças podem apresentar até o dobro dos níveis de adultos.

Amostras acentuadamente hemolisadas podem aumentar falsamente os sues níveis.

Reagentes contendo NH 4 + (aumentam falsamente as concentrações).

Em alguns métodos, o Metronidazol pode reduzir falsamente os níveis.

Alterações das concentrações da vitamina B6 podem interferir em alguns ensaios, gerando resultados espúrios.

Pode estar falsamente baixa na insuficiência renal.

Cerca de 6% da população apresenta algum grau de alteração das aminotransferases, entretanto, apenas 1% não tem hepatopatia.

Concentrações de pico não estão, necessariamente, correlacionadas com o prognóstico.

No contexto da hepatite fulminante, seus níveis encontam-se muito elevados no início do quadro, podendo cair rapidamente em seguida. Entretanto, essa situação não indica melhora do quadro, mas, sim, destruição e necrose hepatocelular importante em curso.

Aumento: Alcoolismo, hepatite alcoólica (geralmente o aumento de TGO/AST é maior do que o de TGP/ALT, na proporção de 2:1 ou mais), hepatite viral aguda ou crônica (geralmente na proporção TGO/AST: TGP/ALT de 0,5-0,8), hepatite fulminante, hepatite autoimune, cirrose, hipervitaminose A, deficiência de α 1 -antitripsina, hemocromatose, febre tifoide, doença celíaca, colestase, colecistite, colangite, isquemia hepática, intoxicação por acetaminofeno, doença hepática gordurosa não alcoólica, doença de Wilson, síndrome de Reye, síndrome HELLP, mononucleose, trauma, doenças musculoesqueléticas, malignidades, infarto renal, exercícios físicos intensos, índice elevado de massa corporal, drogas (Aciclovir, Alopurinol, penicilinas sintéticas, Ciprofloxacino, Gentamicina, Nitrofurantoína, Cetoconazol, Fluconazol, Isoniazida, Eritromicina, Cloranfenicol, anticonvulsivantes, Furosemida, estatinas, AINES, sulfonilureias utilizadas para o tratamento do HIV, dentre outras), substâncias de abuso (esteroides anabólicos, cocaína, ecstasy, colas e solventes contendo tolueno e/ou clorofórmio, álcool).

Diminuição: Deficiência de vitamina B6; Ácido ursodesoxicólico; redução de peso.

Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).

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