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TRAb

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Definição: São autoanticorpos que possuem afinidade ao receptor do hormônio estimulador da tireoide (TSH) localizado nas células secretórias tireoidianas, estimulando ou inibindo a produção de hormônios tireoidianos.

Sinônimos: Anticorpo antirreceptor de TSH; Autoanticorpo anti-TSRH; Autoanticorpo contra receptor de TSH; Tthyrotropin receptor autoantibodies (TRAb); TRAb - Sangue; TRAb sérico.

Os autoanticorpos contra receptores do hormônio da tireoide são constituídos por dois grupos clinicamente significativos: A imunoglobulina estimulante da tireoide (TSI), que desencadeia um quadro de hipertireoidismo, e a imunoglobulina ligante inibidora da tireoide (TBII), que leva ao hipotireoidismo.

Existe ainda um terceiro grupo, formado por anticorpos neutros, que não promovem disfunção tireoidiana. Usualmente, os testes não diferenciam os tipos de autoanticorpos, detectando tanto estimuladores quanto os inibidores.

Os autoanticorpos TSIs são provavelmente a causa do hipertireoidismo na doença de Graves, embora os TBIIs também estejam presentes (mas sem causar sintomas). Em alguns casos, entretanto, esses autoanticorpos podem desencadear um quadro de hipotireoidismo.

Na doença de Graves, os autoanticorpos do tipo TSI ativam autonomamente o receptor, promovendo a síntese e a secreção do hormônio estimulador da tireoide (TSH). Os TSIs são autoanticorpos do tipo IgG e, dessa forma, podem atravessar a barreira placentária, levando a um quadro de tireotoxicose neonatal.

    Indicações:
  • Investigação e diagnóstico da doença de Graves;
  • Marcador de gravidade inicial e avaliação de recidiva da doença de Graves;
  • Diagnóstico diferencial entre as causas de tireotoxicose, auxiliando a determinar a etiologia do hipertireoidismo;
  • Monitoramento e predição do desfecho da terapia antitireoidiana na doença de Graves;
  • Avaliar o risco de hipertireoidismo fetal e tireotoxicose neonatal transitória, em gestantes com doença de Graves ou história pregressa, no início e no terceiro trimestre de gestação;
  • Diagnóstico diferencial entre tireotoxicose gestacional da ocorrência ou recorrência da doença de Graves no primeiro trimestre;
  • Diagnóstico de tireotoxicose neonatal em crianças cujas mães sejam portadoras da doença de Graves ou possuam história pregressa.
    • Observação! Nesse caso, testes que diferenciem os autoanticorpos como estimulantes (TSIs) ou inibidores (TBIIs) são importantes clinicamente.

Como solicitar: TRAb.

  • Orientações ao paciente: Não é necessário nenhum preparo específico. Informar medicamentos em uso, notadamente os hormônios tireoidianos. Deve-se evitar a administração de radioisótopos antes da coleta, se a metodologia empregada for por radioimunoensaio (RIA). Sugere-se, a critério médico, a suspensão do uso de Biotina (vitamina B7) nas 72 horas que antecedem a coleta;
  • Tubo para soro (tampa vermelha/amarela). Aguardar a devida retração do coágulo, centrifugar o tubo por 15 minutos e manter a amostra sob refrigeração (2-8 o C);
  • Material: Sangue;
  • Volume recomendável: 1,0 mL.
Texto alternativo para a imagem Figura 1. Tubo para soro - tampa vermelha. Ilustração: Caio Lima.


Texto alternativo para a imagem Figura 2. Tubo para soro - tampa amarela. Ilustração: Caio Lima.
  • Não reagente: Até 1,75 unidade/mL; [cms-watermark]
  • Reagente: > 1,75 unidade/mL. [cms-watermark]

Observação! Os valores de referência do TRAb podem variar de acordo com o laboratório clínico e a metodologia utilizada.

Valores baixos podem ser encontrados devido a pequenas concentrações de proteínas séricas e/ou de imunoglobulinas.

Amostras acentuadamente hemolisadas ou ictéricas podem prejudicar a sua determinação.

A sensibilidade para o hipertireoidismo na doença de Graves varia de 80% a 99%, conforme o método laboratorial. Apresenta também uma boa especificidade, porém, na maioria dos casos, sua solicitação pode não ser determinante para o diagnóstico.

TRAb pode ser encontrado em pacientes com tireoidite atrófica (de 10-75% dos casos) e com tireoidite de Hashimoto (em até 20% dos casos).

Sugere-se, a critério médico, a suspensão do uso de Biotina (vitamina B7) nas 72 horas que antecedem a coleta, pela possibilidade de interferência analítica em alguns ensaios.

A presença de anticorpos heterófilos na amostra pode interferir nos resultados.

Alguns pacientes com de doença de Graves podem não apresentar esses autoanticorpos.

Usualmente, os testes não diferenciam os tipos de autoanticorpos, detectando tanto estimuladores quanto os inibidores.

Aumento: Doença de Graves; tireotoxicose neonatal; em alguns casos de tireoidite de Hashimoto; tireoidite subaguda.

Diminuição: Uso de drogas antitireoidianas.

Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).

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