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Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG)

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Definição: O teste oral de tolerância à glicose (TOTG) avalia o grau de eficiência do organismo em metabolizar adequadamente a glicose após uma sobrecarga oral com 75 g de glicose anidra (primeira fase da secreção de insulina).

Sinônimos: TOTG; OGTT; TOTG-75g; Prova de Tolerância à Glicose Oral (PTGO); Teste de Tolerância à Glicose (TTG); Teste de Tolerância à Glicose Oral (TTGO); Teste com 75 g de Glicose Oral; Teste Oral de Tolerância à Glicose após 75 g de Glicose Anidra; Glicose, Teste de Tolerância; Sobrecarga Glicêmica; Curva Glicêmica; Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG) - Sangue.

A glicose é um monossacarídio, de fórmula molecular C 6 H 12 O 6 ; uma molécula polar e insolúvel na membrana plasmática.

Ela é um carboidrato de importância vital, já que todas as células do nosso organismo necessitam de glicose (em maior ou menor grau) para obtenção de energia (principal e preferencial fonte de energia das células) e desempenho de suas funções fisiológicas satisfatoriamente.

Esse teste é realizado mediante a coleta de uma amostra de sangue em jejum, seguida da administração oral de 75 g de glicose anidra. Em pacientes não gestantes, coleta-se nova amostra após 1 hora da ingesta; já em gestantes, além das coletas em jejum e após 1 hora da ingestão da glicose anidra, também é realizada nova coleta após 2 horas do consumo dessa solução.

Observação! Classicamente, em pacientes não gestantes, a segunda coleta é realizada em um intervalo de 2 horas. Todavia, em 2024, a Federação Internacional de Diabetes (IDF, do inglês International Diabetes Federation) e a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) posicionaram-se com recomendações sobre a mudança da coleta de 2 horas para 1 hora após a administração da glicose anidra. Essa alteração foi proposta por essas entidades já que o TOTG-1h mostrou ser superior e mais prático do que o TOTG-2h para o diagnóstico de diabetes melittus tipo 2 (DM2) e a detecção de pré-diabetes.

A glicemia é avaliada em ambas as amostras (antes e após a ingestão de glicose anidra em tempos pré-determinados), com os resultados interpretados em conjunto. Esse exame tem maior sensibilidade em relação à glicose de jejum e à hemoglobina glicada (HbA1c).

    Indicações:
  • Diagnóstico de diabetes melittus (DM) e de pré-diabetes;
  • Rastreamento e diagnóstico de diabetes mellitus gestacional (DMG) (entre 24 e 28 semanas), em gestantes sem diagnóstico prévio de DM;
  • Avaliação de DM diagnosticado na gestação ( overt diabetes ).
    Contraindicação:
  • Em pacientes com diagnóstico prévio confirmado de DM.
    Como solicitar:
  • Não gestantes: TOTG (jejum e 1 hora);
  • Gestantes: TOTG (jejum, 1 hora e 2 horas);
      Observações!
    • É importante descrever os tempos de coleta, se a paciente é gestante/período gestacional (no caso de mulheres) e a indicação do exame;
    • Classicamente, em pacientes não gestantes, a segunda coleta é realizada em um intervalo de 2 horas. Todavia, em 2024, a IDF e a SBD posicionaram-se com recomendações sobre a mudança da coleta de 2 horas para 1 hora após a administração da glicose anidra, pois o TOTG-1h mostrou-se superior e mais prático do que o TOTG-2h para o diagnóstico de DM2 e detecção de pré-diabetes.
  • Orientações ao paciente:
    • Jejum de 8 a 14 horas;
    • Dieta calórica adequada, sem restrição de carboidratos (pelo menos de 150 g/dia), deve ser seguida nos três dias que antecedem o exame;
    • Os pacientes devem evitar se alimentar, fumar, beber café/chá ou realizar esforço físico (ex.: caminhar) durante o período da realização do exame;
    • Informar medicamentos em uso e se já foi submetido a algum tipo de cirurgia bariátrica;
  • Tubo para soro (tampa vermelha/amarela - Figuras 1 e 2) ou para plasma fluoretado (tampa cinza - fluoreto de sódio - Figura 3):
    • Deverá ser coletada uma amostra em jejum;
    • Após essa coleta, administrar 75 g de glicose anidra pela via oral, devendo ser ingerida em até 5 minutos (para crianças e adultos de baixo peso, a dose de glicose anidra a ser administrada é de 1,75 g/kg de peso corporal, até o máximo de 75 g);
    • Em pacientes não gestantes, coleta-se nova amostra após 1 hora da ingesta; já em gestantes, além das coletas em jejum e de 1 hora, também é realizada nova coleta após 2 horas da administração da glicose anidra;
    • Manter as amostras sob refrigeração (2 a 8 o C);
  • Material: sangue;
  • Volume recomendável: 1 mL (em cada tubo).
Texto alternativo para a imagem Figura 1. Tubo para soro - tampa vermelha. Ilustração: Caio Lima
Texto alternativo para a imagem Figura 2. Tubo para soro - tampa amarela. Ilustração: Caio Lima
Texto alternativo para a imagem Figura 3. Tubo para plasma fluoretado - tampa cinza. Ilustração: Caio Lima
Não gestantes
Interpretação
Jejum (mg/dL)
1 hora após 75 g de Glicose Anidra (mg/dL) 2 horas após 75 g de Glicose Anidra (mg/dL)
Normal
< 100 < 155 < 140
Pré-diabetes 100 a 125 155 a 208 140 a 199
Diabetes mellitus *
≥ 126
≥ 209 ≥ 200

* Para a confirmação do diagnóstico de DM (não havendo sintomas inequívocos de hiperglicemia), outro exame, em dia diferente, deve ser realizado.

    Observações!
  • Glicemia ≥ 200 mg/dL obtida de forma randômica (aleatória), associada a sintomas inequívocos de hiperglicemia (ex.: poliúria, polidipsia, polifagia, perda de peso inexplicada, desidratação) ou crise hiperglicêmica, independentemente de jejum, confirma o diagnóstico para DM; [cms-watermark]
  • O diagnóstico de DM pode ser estabelecido por um dos exames listados abaixo. Se somente um exame estiver alterado, este deverá ser repetido para confirmação. [cms-watermark]
    • Glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL; [cms-watermark]
    • HbA1c ≥ 6,5%; [cms-watermark]
    • Glicemia no TOTG-1h ≥ 209 mg/dL; [cms-watermark]
    • Glicemia no TOTG-2h ≥ 200 mg/dL.
Gestantes
Interpretação
Jejum (mg/dL) 1 hora após 75 g de Glicose Anidra (mg/dL) 2 horas após 75 g de Glicose Anidra (mg/dL)
Normal < 92 < 180 < 153
Diabetes mellitus gestacional (DMG)*
92 a 125 ≥ 180 153 a 199
Diabetes mellitus diagnosticado na gestação
≥ 126
- ≥ 200

* A alteração de qualquer uma das três medidas (jejum, 1 e/ou 2 horas) confirma o diagnóstico de DMG.

Observação! O diagnóstico de DMG ( overt diabetes ) deve ser considerado quando a glicemia de jejum estiver ≥ 126 mg/dL e/ ou a glicemia 2 horas após 75 g de glicose anidra seja ≥ 200 mg/dL.

Esse teste apresenta baixa reprodutibilidade, causa um pouco de desconforto ao paciente, é mais oneroso e consome mais tempo (em comparação à glicose de jejum e a HbA1c ),além de poder acarretar sobrediagnóstico e de apresentar sensibilidade e especificidade baixas para a predição de complicações.

O uso de anticoncepcionais orais e hormonioterapia em mulheres pós-menopausadas podem desencadear diminuição da tolerância à glicose.

A falha de adesão a uma dieta adequada de 150 g/dia de carboidratos pode promover resultados falso-positivos.

Hemólise, leucocitose e glicólise (devido ao armazenamento inadequado ou à demora demasiada na separação do soro/plasma da parte celular do sangue) são causas possíveis de falsas reduções dos níveis de glicose.

Pacientes que apresentarem episódio de vômito após a administração da glicose podem ter seus resultados prejudicados.

O tempo de jejum da primeira coleta influencia nos resultados, devendo-se, dessa maneira, respeitar o intervalo entre 8 e 14 horas de jejum.

    Aumento:
  • DM ;
  • Pré-diabetes;
  • DMG;
  • Intolerância ao carboidrato/resistência insulínica;
  • Aumento das concentrações de hormônio do crescimento, hormônios adrenocorticotróficos (ex.: síndrome de Cushing), hormônios tireoidianos, catecolaminas (ex.: feocromocitoma);
  • Medicamentos (corticosteroides, anticoncepcionais orais, dentre outros).

Diminuição: Não se aplica.

Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).

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