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Teste de Tolerância à Lactose Oral

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Definição: A lactose é um dissacarídeo encontrado no leite e em seus derivados, e composto por dois monossacarídeos: a galactose e a glicose.

Sinônimo: Lactose, Teste de Tolerância; Teste de Tolerância com 50 g de Lactose via Oral; Teste de Tolerância à Lactose via Oral; Teste de Intolerância à Lactose Oral; LTT; Teste de Tolerância à Lactose Oral - Sangue.

Os dissacarídeos alimentares (lactose, maltose, isomaltose e sacarose) são desdobrados, pelas dissacaridases (enzimas), em monossacarídeos constitucionais (glicose, galactose e frutose).

A mucosa intestinal é impermeável a dissacarídeos, entretanto, ela capaz e absorver os monossacarídeos produzidos pela hidrólise enzimática desses dissacarídeos.

Fisiologicamente a lactose é digerida pela enzima lactase (sintetizada pelos enterócitos), que age na lactose, hidrolisando-a em glicose e galactose. Como, em condições normais, há lactase no lúmen intestinal, ocorre a absorção de glicose pela mucosa, acarretando o aumento, em paralelo, dos níveis séricos de glicose.

Quando há algum grau de deficiência enzimática, o dissacarídeo não é hidrolisado totalmente, permanecendo assim no lúmen intestinal. Por mecanismos osmóticos, ocorre retenção de líquidos intraluminais, desencadeando quadros de desconforto e distensão abdominal (favorecidos também pela fermentação ocasionada na flora bacteriana), náuseas/vômito, diarreia e fezes ácidas.

O teste de tolerância à lactose oral baseia-se na coleta de uma amostra de sangue em jejum (amostra basal), seguida de administração oral de uma quantidade específica de lactose. Após esse procedimento, amostras séricas seriadas de glicose são analisadas e interpretadas conforme a curva.

Classicamente uma elevação ≥ 20 mg/dL das concentrações séricas de glicose, em relação à glicose basal, em qualquer tempo da curva, é interpretada como normal.

O teste do hidrogênio expirado é um exame alternativo superior, assim como os testes genéticos, quando estão disponíveis. A biópsia da mucosa intestinal com dosagem direta da lactase, apesar de ser um método invasivo, também diagnostica a deficiência dessa enzima.

    Indicações:
  • Investigação de deficiências primárias ou secundárias da lactase;
  • Avaliação de intolerância à lactose;
  • Diagnóstico diferencial de síndromes de má-absorção.

Contraindicações: Não estão definidos os critérios para sua interpretação em pacientes diabéticos.

Como solicitar: Teste de tolerância à lactose oral.

  • Orientações ao paciente: Deverá ser informado que o teste pode desencadear cólicas, distensão abdominal e diarreia em alguns casos. Uma amostra sanguínea deverá ser coletada em jejum de 8 a 14 horas (amostra basal). Em seguida, devem-se administrar 50 g de lactose pela via oral. Após a ingestão da lactose, obter amostras seriadas em 30, 60 e 120 minutos. O laboratório clínico determinará as concentrações de glicose na amostra basal e nas demais da curva;
    • Observação 1! Em crianças, a dose de lactose a ser administrada é de 2 g/kg de peso corporal, até o máximo de 50 g;
    • Observação 2! Anotar e relatar sintomatologias apresentadas;
    • Observação 3! Existem variações, entre os laboratórios clínicos, tanto na quantidade de lactose ofertada (50 ou 100 g) quanto nos intervalos de tempo para a coleta seriada das amostras. Verificar, anteriormente à coleta, a dosagem de lactose e os tempos da curva recomendados pelo laboratório clínico que realizará o teste.
  • Tubo para soro (tampa vermelha/amarela) ou plasma fluoretado (tampa cinza). Após a coleta de cada tubo, aguardar a retração do coágulo, centrifugar a amostra por 15 minutos e armazenar o material sob refrigeração (2 a 8 o C);
  • Material: S angue;
  • Volume recomendável: 1 mL.
Texto alternativo para a imagem Figura 1. Tubo para soro - tampa vermelha. Ilustração: Caio Lima
Texto alternativo para a imagem Figura 2. Tubo para soro - tampa amarela. Ilustração: Caio Lima
Texto alternativo para a imagem Figura 3. Tubo para plasma fluoretado. Ilustração: Caio Lima

Aumento ≥ 20 mg/dL das concentrações séricas de glicose, em relação à glicose basal, em qualquer tempo, é considerado normal.

  • Observação 1! Um pico máximo < 20 mg/dL de glicose, em todos os tempos do teste, em relação à glicose basal, associado à sintomatologia, sugere deficiência de lactase;
  • Observação 2! Em pacientes com curvas de tolerância achatadas, o teste deve ser repetido em 2 dias, e a curva menos anormal das duas obtidas será a utilizada para interpretação dos dados;
  • Observação 3! Entre os laboratórios clínicos, existem variações na quantidade de lactose ofertada (50 ou 100 g) e nos intervalos de tempo para a coleta seriada das amostras.

Esse teste não deve ser utilizado em pacientes diabéticos, bem como não estão definidos os critérios para sua interpretação nessa população.

Resultados falso-positivos podem ser encontrados em 23-30% dos casos.

Como já informado anteriormente, há variações, entre os Laboratórios Clínicos, na quantidade de lactose ofertada e nos intervalos de tempo para a coleta seriada das amostras.

Resultados falso-negativos podem ocorrer em pacientes diabéticos e em casos de supercrescimento bacteriano do intestino delgado.

Os resultados podem ser afetados por distúrbios do esvaziamento gástrico.

Aumento da glicemia: Indivíduos saudáveis.

Diminuição/não elevação fisiológica da glicemia: Deficiência de lactase; deficiência secundária de lactase (enterites, supercrescimento bacteriano, defeitos imunes, doença inflamatória intestinal, ressecções intestinais pequenas, jejunite, espru, infestação por Giardia lamblia , doença de Whipple, fibrose cística).

Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).

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