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Teste do Hidrogênio Expirado com Lactose

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Definição: Método não invasivo para avaliação de intolerância à lactose. Baseia-se na determinação da concentração de hidrogênio em amostras de ar expirado após a administração do substrato lactose. O carboidrato não digerido, ao atingir o intestino grosso, sofre ação fermentativa de bactérias, levando à liberação de gás hidrogênio, que se difunde pelas paredes do intestino até a corrente sanguínea. O gás dissolvido é carreado aos pulmões através das veias capilares sendo, então, expirado.

Sinônimos: Teste do H2 expirado com lactose; Teste respiratório para pesquisa de intolerância à lactose.

Teste respiratório do hidrogênio expirado com lactose ou teste respiratório do hidrogênio expirado para pesquisa de intolerância à lactose.

Pesquisa de intolerância ou má-absorção à lactose em pacientes com sintomas compatíveis.

    Recomendações:
  • Jejum absoluto de 8-12 horas (jejum de água de 2 horas);
  • Realizar dieta não fermentativa na véspera do exame, evitando-se carboidratos complexos e fibras (grãos integrais, legumes, frutas e vegetais ricos em fibras);
  • Realizar uma boa higiene oral no dia do exame (escovar bem os dentes em casa antes do exame); [cms-watermark]
  • Evitar a realização do exame em condições como uso de antibióticos ou probióticos (4 semanas); laxativos e procinéticos (1 semana);
  • Não fumar, realizar atividade física ou mascar goma no dia do exame;
  • Não é necessário interromper uso de inibidores de bomba de prótons antes do exame.
  • Uma aferição basal do hidrogênio expirado é realizada antes da ingestão do substrato e o exame deve ser iniciado se a medida for < 10 ppm. Níveis elevados basais de hidrogênio podem indicar supercrescimento bacteriano, estase intestinal, refeição rica em carboidratos na noite anterior ou jejum inadequado;
  • O teste se inicia pela ingestão de 25 gramas do substrato lactose (equivalente a 500 mL de leite) diluídos em 250 mL água. A quantidade de hidrogênio é, então, mensurada no ar expirado por aparelho específico a cada 30 minutos por até 180 minutos;
  • Durante o exame e até 24 horas após a ingestão do substrato, o examinador deve registrar toda sintomatologia apresentada pelo paciente.

Gestantes e pacientes incapazes de responder a comandos técnicos simples.

Considera-se o teste positivo para intolerância à lactose ( Figura 1 ) se elevação na concentração de hidrogênio do ar expirado ≥ 20 ppm em relação ao basal após os 90 minutos de teste, associada a presença de sintomas (flatulência, distensão ou desconforto abdominal e/ou diarreia). Se ausência de sintomas, mas elevação de hidrogênio, é chamada de má-absorção de lactose.

Texto alternativo para a imagem Figura 1. Exame positivo para intolerância à lactose. Houve elevação da curva de hidrogênio maior ou igual a 20 ppm acima do basal após 90 min,
e o paciente apresentou sintomas durante o estudo.

Considera-se o teste negativo para intolerância à lactose ( Figura 2 ) se não houver elevação na concentração de hidrogênio do ar expirado ≥ 20 ppm em relação ao basal após os 90 minutos de teste. Em caso de teste negativo com presença de sintomas característicos, considerar a possibilidade do paciente não ser produtor de hidrogênio e necessitar repetir o estudo com a quantificação de metano.

Texto alternativo para a imagem Figura 2. Exame normal. Não houve elevação da curva de hidrogênio maior ou igual a 20 ppm acima do basal após 90 min.

Quando houver elevação na concentração de hidrogênio do ar expirado ≥ 20 ppm em relação ao basal antes de 90 minutos de teste (elevação precoce), deve ser aventada a hipótese de intolerância à lactose secundária a supercrescimento bacteriano do intestino delgado.

    Falso-negativos:
  • Constipação;
  • Diarreia;
  • Vômitos;
  • Síndrome do intestino irritável.

Autoria principal: Guilherme Grossi Lopes Cançado (Gastroenterologia e Hepatologia).

    Revisão:
  • Caroline Camargo (Gastroenterologia);
  • Leandro Lima da Silva (Gastroenterologia e Endoscopia Digestiva).

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