' Tomografia por Emissão de Pósitrons - Prescrição
Conteúdo copiado com sucesso!

Tomografia por Emissão de Pósitrons

Voltar

Definição: Trata-se de uma modalidade de imagem não invasiva que é capaz de avaliar isquemia e viabilidade miocárdica, pois avalia, simultaneamente, a perfusão e o metabolismo cardíaco. Para tal feito, a tomografia por emissão de pósitrons (PET) requer isótopos emissores de pósitrons semelhantes ao oxigênio, flúor, carbono e nitrogênio, o que permite a avaliação de processos fisiologicamente relevantes em estados normais e patológicos. Os principais radiofármacos são o rubídio-82, a amônia e o 2-fluordeoxiglicose (FDG).

Sinônimos: Cintilografia por PET; PET cardíaco; PET com FDG.

  • Cintilografia por PET;
  • PET cardíaco;
  • PET com FDG.
  • Diagnóstico de isquemia miocárdica;
  • Pesquisa de isquemia silenciosa;
  • Avaliação de viabilidade miocárdica pré-revascularização em pacientes com insuficiência cardíaca e suspeita de miocárdio hibernado;
  • Avaliação de endocardite e infecções de dispositivos cardíacos;
  • Investigação de doenças inflamatórias do coração;
  • Prognóstico e predição de fração de ejeção pós-infarto.
  • Exame pode ser realizado em ambiente hospitalar ou ambulatorial;
  • Não é examinador-dependente, porém necessita de profissional gabaritado para sua interpretação;
  • Envolve radiação;
  • Pouco disponível;
  • Não utiliza contraste, porém utiliza radiotraçador;
  • Não requer jejum;
  • Requer suspensão de medicamentos, a depender da indicação;
  • Alto custo.

Papel dos radiofármacos: Tanto o rubídio quanto a amônia avaliam a perfusão miocárdica, pois são radiofármacos que persistem na circulação, demonstrando o fluxo sanguíneo para as diferentes regiões do coração. Um miocárdio isquêmico tende a trocar o metabolismo de ácidos graxos pelo metabolismo de glicose, o que faz com que o FDG se impregne nesse miocárdio. Portanto, um miocárdio que não possui perfusão adequada com os outros radiotraçadores e se impregna com o FDG pode demonstrar viabilidade. Em alguns estados em que o metabolismo da glicose está aumentado, como nas infecções de válvula (leia-se endocardite) e de dispositivos como marca-passo, o FDG também pode ser captado nos tecidos adjacentes evidenciando o local da infecção.

Endocardite: O exame pode auxiliar não só no diagnóstico, mas também no tratamento e na sua duração. Estudos mostram que FDG PET / CT, mostrou uma sensibilidade e especificidade para o diagnóstico de endocardite de 77% e 78%, respectivamente. No caso de endocardite em prótese valvar, a sensibilidade chega a 86% e a especificidade a 84% e a principal indicação é nos casos duvidosos pelo ecocardiograma. Entretanto, deve-se ter muito cuidado com resultados falso-positivos, particularmente com imagens tardias. Essa abordagem deve ser usada com cautela nas decisões relacionadas à duração da terapia.

Vantagens do PET em relação a tomografia computadorizada por emissão de fóton único (SPECT): Devido as suas propriedades físicas, os aparelhos PET conseguem maior qualidade de imagem em relação ao SPECT. Além disso, o PET possui marcadores distintos para o metabolismo miocárdico (via de metabolismo energético) e para os subtipos de receptores de membrana cardíaca, permitindo a avaliação destas vias fisiológicas in vivo . O modo dinâmico do PET permite ainda uma análise da mudança do radiotraçador com o tempo, podendo ser feita uma melhor investigação de todo o processo fisiológico.

Interpretação do exame: A interpretação das imagens no exame é semelhante ao SPECT. Existem modelos matemáticos para avaliar o modo dinâmico dos radiotraçadores e dar informações mais precisas e adicionais sobre as variáveis estudadas.

Autoria principal: Gabriel Quintino Lopes (Clínica Médica e Cardiologia).

Revisão: Isabela Abud Manta (Clínica Médica e Cardiologia).

Zipes DP, Libby P, Bonow RO, et al. Braunwald's Heart Disease: A Textbook of Cardiovascular Medicine. 11th ed. Philadelphia: Elsevier; 2018.

Bax JJ, Poldermans D, Elhendy A, et al. Sensitivity, specificity, and predictive accuracies of various noninvasive techniques for detecting hibernating myocardium. Curr Probl Cardiol. 2001; 26(2):147-86.

Underwood SR, Bax JJ, vom Dahl J, et al. Imaging techniques for the assessment of myocardial hibernation. Report of a Study Group of the European Society of Cardiology. Eur Heart J. 2004; 25(10):815-36.

Ishimaru S, Tsujino I, Sakaue S, et al. Combination of 18F-fluoro-2-deoxyglucose positron emission tomography and magnetic resonance imaging in assessing cardiac sarcoidosis. Sarcoidosis Vasc Diffuse Lung Dis. 2005; 22(3):234-5.

Youssef G, Leung E, Mylonas I, et al. The use of 18F-FDG PET in the diagnosis of cardiac sarcoidosis: a systematic review and metaanalysis including the Ontario experience. J Nucl Med. 2012; 53(2):241-8.

Sgard B, Brillet PY, Bouvry D, et al. Evaluation of FDG PET combined with cardiac MRI for the diagnosis and therapeutic monitoring of cardiac sarcoidosis. Clin Radiol. 2019; 71(1):81.e9-81.e18.

Barten DG, Delsing CE, Keijmel SP, et al. Localizing chronic Q fever: a challenging query. BMC Infect Dis. 2013; 13:413.

Wang SX, Zhang XC, Wang SY, et al. (18)F-FDG PET/CT localized valvular infection in chronic Q fever endocarditis. J Nucl Cardiol. 2015; 22(6):1320-2.

Chieng D, Janssen J, Benson S, et al. 18-FDG PET/ CT Scan in the diagnosis and follow-up of chronic Q fever aortic valve endocarditis. Heart Lung Circ. 2016; 25(2):e17-20.

Duval X, Le Moing V, Tubiana S, et al. Impact of systematic whole-body 18F-fluorodeoxyglucose PET/CT on the management of patients suspected of infective endocarditis: the prospective multicenter TEPvENDO Study. Clin Infect Dis. 2021; 73(3):393-403.

Mahmood M, Kendi AT, Ajmal S, et al. Meta-analysis of 18F-FDG PET/CT in the diagnosis of infective endocarditis. J Nucl Cardiol. 2019; 26(3):922-935.

Scholtens AM, van Aarnhem EE, Budde RP. Effect of antibiotics on FDG-PET/CT imaging of prosthetic heart valve endocarditis. Eur Heart J Cardiovasc Imaging. 2015; 16(11):1223.

Delgado V, Ajmone Marsan N, de Waha S, et al; ESC Scientific Document Group. 2023 ESC Guidelines for the management of endocarditis. Eur Heart J. 2023; 44(39):3948-4042.