' Transferrina - Prescrição
Conteúdo copiado com sucesso!

Transferrina

Voltar

Definição: Principal glicoproteína transportadora de ferro no sangue, cuja ligação a esse mineral (em pH fisiológico) é de alta afinidade. Apresenta síntese hepática e meia-vida de, aproximadamente, 7 dias.

Sinônimos: Siderofilina; TRF; Transferrina Sérica; Transferrina - Sangue.

A aquisição do ferro pelas células a partir da transferrina é mediada pelos receptores da transferrina (do inglês transferrin receptors [TfRs] ), pelo processo de endocitose.

A produção da transferrina é regulada pelos níveis de ferro plasmático (baixas concentrações desse mineral estimulam sua síntese; e altos níveis a inibem). Sob condições fisiológicas, apenas cerca de 1⁄3 da transferrina está na forma saturada (ligada a, no máximo, dois íons férricos).

Sua concentração está relacionada diretamente com a capacidade total de ligação com o ferro (do inglês total iron binding capacity [TIBC] ). Alguns métodos utilizam essa relação para a quantificação da transferrina (transferrina [mg/dL] = 0,7 × TIBC [micrograma/dL]), e outros foram desenvolvidos para sua determinação direta (menos utilizados no dia a dia por serem mais caros).

A desvantagem da dosagem da transferrina em relação à determinação da TIBC é que sua medida não possibilita (por não ser viável relacionar dois compostos de natureza diferentes) o cálculo do percentual de saturação da transferrina.

Na eletroforese de proteínas séricas , a transferrina migra na região das betaglobulinas. É considerada uma proteína de fase aguda negativa (ou seja, seus níveis diminuem em processos inflamatórios/infecciosos agudos e neoplasias, por exemplo).

Outros testes são, frequentemente, solicitados em conjunto, a fim de auxiliar na interpretação dos resultados, como ferro , ferritina , TIBC e saturação da transferrina .

    Indicações:
  • Investigação, monitoramento e diagnóstico diferencial de anemias;
  • Auxiliar a avaliação do status corporal de ferro;
  • Screening de condições que cursem com sobrecarga crônica de ferro.

Como solicitar: Transferrina.

  • Orientações ao paciente: A coleta deve ser feita pela manhã, com o paciente em jejum de 8 a 12 horas, e antes de eventual administração de ferro e/ou hemotransfusão;
  • Tubo para soro (tampa vermelha/amarela). Aguardar a devida retração do coágulo, centrifugar a amostra por 15 minutos e manter o material sob refrigeração (2 a 8°C);
  • Material: Sangue;
  • Volume recomendável: 0,5 mL.
Texto alternativo para a imagem Figura 1. Tubo para soro - tampa vermelha - Ilustração: Caio Lima.
Texto alternativo para a imagem Figura 2. Tubo para soro - tampa amarela - Ilustração: Caio Lima.

200 a 380 mg/dL.

Observação! Os valores de referência para a transferrina podem variar de acordo com o Laboratório Clínico e a metodologia utilizada. [cms-watermark]

  • Amostras acentuadamente hemolisadas podem prejudicar os resultados do exame;
  • Os níveis de ferro apresentam variação durante o dia, sendo maiores pela manhã e menores ao anoitecer, podendo impactar nos resultados;
  • O uso de testes/tratamentos que utilizem compostos radioativos podem, eventualmente, alterar os resultados;
  • Testes para a avaliação do ferro podem ser menos confiáveis se realizados em um intervalo menor que 4 a 7 dias após hemotransfusão;
  • Ao contrário da determinação TIBC , a medida da transferrina não possibilita (por não ser viável relacionar dois compostos de natureza diferentes) o cálculo do percentual de saturação da transferrina .
    Aumento:
  • Anemia ferropriva;
  • Hemorragia aguda;
  • Gravidez;
  • Medicamentos (ex.: estrógenos).
    Diminuição:
  • Anemia de doença crônica;
  • Anemia sideroblástica;
  • Anemia hemolítica;
  • Excesso de ferro;
  • Hemocromatose;
  • Estados inflamatórios/infecciosos;
  • Malignidades;
  • Doença renal;
  • Hipoproteinemia;
  • Talassemia;
  • Atransferrinemia hereditária.

Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).

Kanaan S, Garcia MAT, Xavier AR, eds. Bioquímica Clínica. 3. ed. Rio de Janeiro, RJ: Atheneu; 2022.

Mahant H, Jain S, Patel A, et al. Appropriate method of TIBC estimation in reference to serum transferrin levels. J Lab Physicians. 2022; 15(1):25-30.

Kanaan S. Laboratório com interpretações clínicas. Rio de Janeiro, RJ: Atheneu; 2019.

Pagana KD, Pagana TJ, Pagana TN, eds. Mosby’s diagnostic & laboratory test reference. 14th ed. St. Louis: MO: Elsevier; 2019.

McPherson RA, Pincus MR, eds. Henry's clinical diagnosis and management by laboratory methods. 23rd ed. St. Louis, MO: Elsevier; 2017.

Aigner E, Feldman A, Datz C. Obesity as an emerging risk factor for iron deficiency. Nutrients. 2014; 6(9):3587-600. [cms-watermark]

Smith GA, Fisher SA, Doree C, et al. Oral or parenteral iron supplementation to reduce deferral, iron deficiency and/or anaemia in blood donors. Cochrane Database Syst Rev. 2014; 7:CD009532.

Szoke D, Panteghini M. Diagnostic value of transferrin. Clin Chim Acta. 2012; 413(15-16):1184-9.

Kasvosve I, Delanghe J. Total iron binding capacity and transferrin concentration in the assessment of iron status. Clin Chem Lab Med. 2002; 40(10):1014-8.

Jacobs DS, Demott WR, Oxley DK, eds. Jacobs & Demott laboratory test handbook with key word index. 5th ed. Hudson, OH: Lexi-Comp Inc.; 2001.