' Ureia - Prescrição
Conteúdo copiado com sucesso!

Ureia

Voltar

Definição: A ureia é o principal metabólito nitrogenado proveniente do catabolismo final das proteínas.

Sinônimos: Ur; Ureia sérica; Ureia - Sangue.

Os aminoácidos provenientes da degradação das proteínas são catabolizados no fígado, formando nesse processo amônia livre . Em nível hepático, essas moléculas de amônia se combinam, sintetizando assim a ureia no ciclo da ornitina, uma substância menos tóxica, que é liberada na circulação. Essa é a principal via catabólica para a eliminação do excesso de nitrogênio do organismo.

Cerca de 90% da ureia é excretada pelos rins, sendo os 10% restantes eliminados pelo trato gastrointestinal (TGI) e pelas glândulas sudoríparas (suor). Ela é filtrada nos glomérulos renais, com reabsorção pelos túbulos proximais, onde normalmente cerca de 40-80% é reabsorvida passivamente e retorna ao sangue.

Em relação à creatinina , as concentrações da ureia se elevam mais precocemente na insuficiência renal e não sofrem influência pelo grau de massa muscular, apesar de possuir uma maior variação com a dieta e o grau de hidratação do paciente.

    Indicações:
  • Auxílio na diferenciação entre azotemia pré-renal, renal e pós-renal;
  • Monitoramento da eficácia da diálise;
  • Avaliação da função renal quando utilizada em conjunto com outros biomarcadores, como a creatinina e a cistatina C;
  • Monitoramento da eficácia da diálise.

Como solicitar: Ureia.

  • Orientações ao paciente: Não é necessário nenhum preparo específico; [cms-watermark]
  • Tubo para soro (tampa vermelha/amarela). Não usar tubos com fluoreto ou anticoagulantes contendo amônia. Aguardar a devida retração do coágulo, centrifugar a amostra, e manter o material sob refrigeração (2-8 o C);
  • Material: Sangue;
  • Volume recomendável: 1,0 mL. [cms-watermark]
Texto alternativo para a imagem Figura 1. Tubo para soro - tampa vermelha


Texto alternativo para a imagem Figura 2. Tubo para soro - tampa amarela
    Adultos: [cms-watermark]
  • Homens: 19-43 mg/dL;
  • Mulheres: 15-36 mg/dL. [cms-watermark]
    Observações:
  • Os valores em crianças são significativamente mais baixos do que em adultos. Nos recém-nascidos, os valores são cerca de 50% menores do que nos adultos;
  • A ureia sanguínea nitrogenada (do inglês blood urea nitrogen [BUN]) corresponde a aproximadamente 28/60 da ureia sérica, em mg/dL. Elas podem ser convertidas, aproximadamente, por meio dos seguintes cálculos:
    • Ureia x 0,467 = BUN.
    • BUN x 2,14 = Ureia.
  • Os valores de referência da ureia podem variar de acordo com o laboratório clínico e a metodologia utilizada.

Amostras acentuadamente hemolisadas podem prejudicar a sua determinação.

Tubos de coleta com fluoreto ou com anticoagulantes contendo amônia podem interferir nas dosagens.

Jejum prolongado e dieta hiperproteica interferem nas concentrações.

Suas concentrações séricas podem ser influenciadas pela dieta (ex.: ingesta proteica), estado de hidratação, hemorragias, traumas e medicamentos (ex.: glicocorticoides).

A ureia não é produzida de forma uniforme ao longo do dia.

Não deve ser utilizada, isoladamente, para a avaliação da função renal.

Aumento: Causas pré-renais (ex.: ICC, choque, desidratação, diarreia, hemorragia, febre, estresse); renais (ex.: IRA/IRC, glomerulonefrite, necrose tubular, nefrite intersticial, pielonefrite); pós-renais (ex.: calculoses, hiperplasia prostática, tumores do trato genitourinário); estados catabólicos (ex.: queimaduras, síndrome de Cushing); alta ingesta proteica; hormônios (ex.: glicocorticoides, tireoidianos).

Diminuição: Desnutrição/caquexia, alta ingesta/administração de líquidos, gravidez, andrógenos, hormônio do crescimento, hepatopatias graves, doença celíaca, baixa ingesta proteica.

Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).

Jacobs DS, DeMott WR, Oxley DK. Jacobs & DeMott Laboratory Test Handbook With Key Word Index. 5th ed. Hudson: Lexi-Comp Inc., 2001.

Kanaan S, Garcia MAT, Xavier AR. Bioquímica clínica. 3a ed. Rio de Janeiro: Atheneu, 2022.

Kanaan S. Laboratório com interpretações clínicas. 1a ed. Rio de Janeiro: Atheneu, 2019.

Levey AS. Measurement of renal function in chronic renal disease. Kidney Int. 1990; 38(1):167-84.

Lopes FF, Sitta A, de Moura Coelho D, et al. Clinical findings of patients with hyperammonemia affected by urea cycle disorders with hepatic encephalopathy. Int J Dev Neurosci. 2022; 82(8):772-88.

McPherson RA, Pincus MR. Henry's Clinical Diagnosis and Management by Laboratory Methods. 23rd ed. St. Louis: Elsevier, 2017.

Rifai N, Horvath AR, Wittwer CT. Tietz Textbook of Clinical Chemistry and Molecular Diagnostics. 6th ed. Elsevier, 2018.

Sherman DS, Fish DN, Teitelbaum I. Assessing renal function in cirrhotic patients: problems and pitfalls. Am J Kidney Dis. 2003; 41(2):269-78.