' VDRL - Prescrição
Conteúdo copiado com sucesso!

VDRL

Voltar

Definição: Teste não treponêmico por reação de floculação em lâmina.

Sinônimos: V.D.R.L.; Venereal Disease Research Laboratory Tes t; Venérea, Laboratório de Pesquisa em Doença.

Teste não treponêmico mais utilizado em medicina para detectar anticorpos atuantes contra o material lipoproteico das células danificadas e na cardiolipina dos treponemas. Portanto, ele não é específico para o Treponema pallidum , já que também pode positivar em outras treponematoses (ex.: bouba, pinta, bejel).

Geralmente os anticorpos detectados pelo VDRL aparecem de 1 a 4 semanas após o surgimento do cancro primário e, dessa maneira, resultados não reagentes podem ocorrer em casos de sífilis primária precoce. Resultados não reagentes também podem ser observados na sífilis tardia ou latente.

As reações antígeno-anticorpo são avaliadas por microscópio ótico (com um aumento de 100 vezes na visualização), sendo a aglutinação/floculação das partículas seu critério para detecção de positividade.

Os exames positivos são titulados pela repetição dos testes com diluições de razão 2 da amostra. Assim, quanto mais elevada a titulação, maior é a concentração de anticorpos. Os títulos são utilizados para determinar a eficácia do tratamento.

Redução de 4 vezes na titulação da sífilis inicial, em 12 meses, ou de 4 vezes em 6 meses e de 8 vezes na titulação da sífilis tardia, em 12 meses, são evidências de tratamento efetivo.

O VDRL é utilizado, usualmente, para triagem, no monitoramento do curso da doença, avaliação da eficácia do tratamento e na investigação de neurossífilis no exame de liquor.

Outros exemplos de testes não treponêmicos incluem: Reagina plasmática rápida (RPR), reagina no soro não aquecido (USR) e soro não aquecido com vermelho de toluidina (TRUST).

Exemplos de testes treponêmicos: FTA-ABS , MHA-TP, ELISA/EIA, ensaio imunológico com revelação quimioluminescente (EQL), Western-blot (WB), teste rápido (imunocromatográfico).

Esses exames podem ser utilizados, dependendo do fluxograma, para triagem inicial, ou para confirmar um teste não treponêmico de triagem reagente, ou ainda para confirmar infecção frente a exame não treponêmico negativo na doença tardia ou latente.

    Sensibilidade do VDRL:
  • Sífilis primária: 78% (74-87%);
  • Sífilis secundária: 99%;
  • Sífilis latente: 95% (88-100%);
  • Sífilis tardia: 71% (37-94%).
    Indicações:
  • Investigação, monitoramento do tratamento e avaliação de cura para sífilis;
  • Triagem de rotina no pré-natal;
  • Triagem e acompanhamento dos filhos de mães com resultado reagente em testes não treponêmicos, para se avaliar sífilis congênita;
  • Diagnóstico de neurossífilis quando realizado exame de liquor.

Como solicitar: VDRL.

  • Orientações ao paciente: não é necessário nenhum preparo específico;
  • Tubo para soro (tampa vermelha/amarela). Aguardar a devida retração do coágulo, centrifugar a amostra por 15 minutos e armazenar o material sob refrigeração (2 a 8 o C);
  • Material: sangue;
  • Volume recomendável: 1 mL.
Texto alternativo para a imagem Figura 1. Tubo para soro - tampa vermelha. Ilustração: Caio Lima
Texto alternativo para a imagem Figura 2. Tubo para soro - tampa amarela. Ilustração: Caio Lima

Não reagente.

    O VDRL é um teste que apresenta a possibilidade de exibir grandes proporções de resultados:
  • Falso-positivos (geralmente se apresentam em baixos títulos): Idade avançada, gravidez, malária, mononucleose, doença hepática crônica, hepatites virais, pacientes politransfundidos, hanseníase, vírus da imunodeficiência humana (HIV), tuberculose, leptospirose, doenças do tecido conjuntivo, pneumonia, mieloma múltiplo, erro técnico, recém-nascidos;
  • Falso-negativos: Fenômeno pró-zona (títulos elevados de anticorpos) no estágio inicial da sífilis primária, na sífilis tardia ou latente.

Um resultado negativo não exclui, de maneira definitiva, a possibilidade de doença.

Teste examinador-dependente, e, por esse motivo, pode apresentar resultados divergentes a depender da experiência do profissional executante.

Alguns pacientes prévia e corretamente tratados para sífilis, mesmo com critérios de cura, podem manifestar resultados positivos em baixas titulações por um período indeterminado, situação conhecida como "cicatriz sorológica".

Um tratamento penicilínico inadequado pode, transitoriamente, negativar o VDRL, promovendo interpretações clínicas equivocadas.

Por não ser um teste específico para o Treponema pallidum , outras infecções treponêmicas causadas pelas subespécies p ertenue e endemicum , bem como pelo Treponema carateum, podem apresentar resultados reagentes.

A qualidade dos reagentes pode interferir nos resultados. Deve-se, sempre que possível, realizar o exame no mesmo kit diagnóstico/laboratório clínico para fins de comparação e acompanhamento.

Aumento: Sífilis primária, sífilis secundária, sífilis latente, sífilis tardia, outras infecções treponêmicas causadas pelas subespécies pertenue e endemicum , e pelo Treponema carateum.

Diminuição: Tratamento eficaz; falha no tratamento (redução da titulação menor do que a esperada); pode negativar espontaneamente em 25% dos pacientes não tratados.

Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).

Workowski KA, Bachmann LH, Chan PA, et al. Sexually transmitted infections treatment guidelines, 2021. MMWR Recomm Rep. 2021; 70(4):1-187.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST)/Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis. Brasília: Ministério da Saúde, 2020.

Patwardhan VV, Bhattar S, Bhalla P, et al. Seroprevalence of syphilis by VDRL test and biological false positive reactions in different patient populations: is it alarming? Our experience from a tertiary care center in India. Indian J Sex Transm Dis AIDS. 2020; 41(1):43-6.

Kanaan S. Laboratório com Interpretações Clínicas. Rio de Janeiro: Atheneu, 2019.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Coordenação-geral de Desenvolvimento da Epidemiologia em Serviços. Guia de Vigilância em Saúde: volume único. 3a ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2019.

McPherson RA, Pincus MR. Henry's Clinical Diagnosis and Management by Laboratory Methods. 23rd ed. St. Louis: Elsevier, 2017.

Jacobs DS, DeMott WR, Oxley DK. Jacobs & DeMott Laboratory Test Handbook With Key Word Index. 5th ed. Hudson: Lexi-Comp Inc., 2001.