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Zika Vírus - IgM

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Definição: É uma doença febril/exantemática aguda, considerada uma arbovirose edêmica, cuja principal via de transmissão vetorial é constituída pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypt e do Aedes albopictus . Outras formas de transmissão foram descritas, como a sexual, sanguínea e, com maior relevância clínico-epidemiológica, a por via vertical (transplacentária).

Sinônimos: Zika - Sorologia IgM; Zika - Anticorpo IgM; ZIKV - IgM; Anticorpos Anti-Zika IgM.

O Zika vírus (ZIKV) é um vírus de material genético RNA, membro da família Flaviviridae , gênero Flavivirus , com duas linhagens descritas: uma africana e uma asiática. Apresenta um período de incubação que pode variar de 2-7 dias. Estima-se que o período de viremia se estenda até o 5º dia de doença.

Os anticorpos IgM podem ser encontrados a partir do 5º dia de doença (persistindo por 2 a 12 semanas), e os da classe IgG após o 12º dia (persistindo indefinidamente).

Ainda não se sabe, exatamente, o período de duração da imunidade conferida após uma infecção natural pelo ZIKV.

Geralmente, os anticorpos IgM e IgG para zika são solicitados em paralelo, proporcionando assim uma melhor interpretação sorológica.

Em casos com principal hipótese diagnóstica de ZIKV, é recomendada a testagem inicial por metodologias moleculares para a detecção do ZIKV durante os primeiros 5 dias de doença. Se não detectável, avaliar a testagem para dengue e chikungunya.

Persistindo resultados não reagentes, mas mantendo-se a suspeita clínica, considerar a coleta do anticorpo IgM para o ZIKV a partir do 5º dia (preferencialmente a partir do 10º dia de infecção).

Técnicas moleculares de detecção do material genético no sangue (nos primeiros 5 dias de doença) e em outros fluidos corporais, tais como urina (até os 15 primeiros dias de doença), saliva, líquido cefalorraquidiano, assim como o isolamento viral, também estão disponíveis.

A análise anatomopatológica, seguida de pesquisa de antígenos virais por imuno-histoquímica (IHQ), também pode ser útil em casos selecionados.

    Indicações:
  • Diagnóstico sorológico da infecção aguda ou recente;
  • Diagnóstico diferencial de infecções agudas/recentes causadas por outras arboviroses (ex.: dengue, chikungunya, febre amarela) e outras doenças febris.

Como solicitar: Zika - IgM.

  • Se possível, o médico deverá especificar qual a metodologia requisitada: as mais disponíveis comercialmente são a imunocromatografia ("teste rápido") e o ensaio imunoadsorvente ligado à enzima ("ELISA").
  • Orientações ao paciente: não é necessário preparo específico;
  • Tubo para soro (tampa vermelha/amarela). Enviar o material sob refrigeração (2-8°C);
  • Material: s angue;
  • Volume recomendável: 1,0 mL.

Não reagente.

Existem diferentes metodologias disponíveis: imunocromatografia ("teste rápido"), ensaio imunoadsorvente ligado à enzima ("ELISA"). A técnica imonocromatográfica é qualitativa, já a ELISA é quantitativa, cada uma apresentando características analíticas distintas.

Outros métodos indiretos também estão disponíveis em alguns centros, embora em menor grau, como a inibição da hemoaglutinação (IH) e o teste de neutralização por redução de placas (PRNT). Deve-se entrar em contato com o laboratório clínico para informações específicas sobre esses métodos.

Resultados falso-negativos podem ocorrer, especialmente quando realizados antes dos primeiros 5 dias de doença (janela imunológica).

Há a possibilidade de ocorrer reações cruzadas com o vírus da dengue e chikungunya, além do vírus Epstein barr, em amostras reagentes para o FAN e em pacientes com malária. Desse modo, resultados falso-positivos podem acontecer.

Devido ao quadro clínico semelhante ao da dengue, e à possibilidade de reação cruzada dos anticorpos IgM, é recomendada a testagem em paralelo das amostras para as duas doenças. Caso os resultados sejam negativos, a amostra deverá ser testada para chikungunya.

A vacinação recente para febre amarela também pode interferir no resultado do teste.

Seus resultados devem ser correlacionados com o quadro clínico, história epidemiológica e dados de outros exames complementares.

Reagente: Infecção aguda ou recente.

Não reagente: Indivíduos não infectados; janela imunológica; infecção passada/exposição prévia.

Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).

Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Zika Vírus: Diagnóstico. Brasília: Anvisa, 2016.

Kanaan S. Laboratório com interpretações clínicas. 1a ed. Rio de Janeiro: Atheneu, 2019.

Ministério da Saúde (BR), Secretaria de Vigilância em Saúde, Coordenação-Geral de Desenvolvimento da Epidemiologia em Serviços. Guia de Vigilância em Saúde: volume único. 3a ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2019.

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