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Hipovitaminose D em Pediatria_ Profilaxia e Tratamento

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Definição: Consiste na carência de vitamina D.

    Quais as principais ações da Vitamina D?
  • Age na mineralização óssea;
  • Aumenta a absorção de cálcio e fósforo no intestino;
  • Aumenta a reabsorção de cálcio intestinal;
  • Age na regulação de genes.
    Quanto uma criança ou adolescente precisa ingerir por dia de vitamina D de alimentos ricos em vitamina D para não precisar de suplementação (Fonte: SBP, 2016)?
  • Uma criança ou adolescente precisa ingerir por dia 600 unidades de vitamina D de alimentos ricos em vitamina D para não precisar de suplementação.
    Quais são os alimentos ricos em vitamina D e quanto eles fornecem de vitamina D?
  • Peixes:
    • Salmão selvagem (100 gramas) 600-1000 unidades;
    • Óleo de fígado de bacalhau (1 colher de chá) 400-1000 unidades;
    • Sardinha enlatada (100 gramas) 300 unidades;
    • Atum (90 gramas) 230 unidades;
    • Salmão criado em fazendas de piscicultura (100 gramas) 100-250 unidades;
  • Fígado de boi (100 gramas) 50 unidades;
  • Gema de ovo (1 unidade) 25 unidades.
  • Leite e derivados:
    • Fórmulas lácteas fortificadas (1 litro) 400 unidades;
    • Iogurte (100 gramas) 90 unidades;
    • Leite materno (1 L) 20-40 unidades;
    • Leite de vaca (1 L) 40 unidades.
    Indicações gerais:
  • Prematuros com peso > 1500 g: Assim que houver tolerância à ingestão oral;
  • Bebês em seio materno exclusivo: Começar logo ao nascimento;
  • Bebês com ingestão de volume de fórmula infantil fortificada com vitamina D < 1 L/dia;
  • Crianças e adolescentes sem exposição solar regular;
  • Crianças e adolescentes sem ingestão mínima de 600 unidades/dia de vitamina D.
    Quais são os grupos de risco mais comuns em pediatria?
  • Neonatos: Prematuros ou cujas mães tiveram hipovitaminose D; [cms-watermark]
  • Lactentes: Em seio materno exclusivo sem suplementação de vitamina D ou com ingestão < 1 L de fórmula infantil fortificada/dia; [cms-watermark]
  • Crianças e adolescentes:
    • Baixa ingestão de vitamina D;
    • Com exposição solar inadequada (permanência longa em ambientes fechados ou só com janelas fechadas, uso de filtro solar e/ou roupas que cubram o corpo todo);
    • Uso de anticonvulsivantes (Oxcarbazepina, Fenobarbital, Fenitoína, Carbamazepina), corticoides, Rifampicina, Cetoconazol, antirretrovirais, Colestiramina e Orlistat;
    • Fatores fisiológicos como obesidade, hiperpigmentação da pele, síndromes de má absorção;
    • Adolescentes gestantes ou lactantes.
  • Com doenças de base:
    • Neoplasia maligna e/ou sarcopenia;
    • Com história de fraturas ou quedas recorrentes;
    • Diabéticos;
    • Pacientes com doenças osteometabólicas (ex.: osteomalácia, raquitismo e/ou hiperparatireoidismo);
    • Nefropatas e/ou hepatopatas crônicos;
    • Pacientes com má absorção intestinal como: pacientes com fibrose cística, doença celíaca, doença de Crohn ou após cirurgia bariátrica;
    • Doença granulomatosa como: sarcoidose, tuberculose ou histoplasmose.

Como é o quadro clínico de hipovitaminose D?

    Pode ser assintomático ou manifestar-se com:
  • Atraso do crescimento e/ou desenvolvimento;
  • Irritabilidade;
  • Dores ósseas e quando grave, pode ocorrer: Baixos níveis séricos de cálcio e fósforo, aumento do PTH, raquitismo em crianças, osteomalácia em adolescentes e adultos.
    Quando devemos tratar hipovitaminose D?
  • Independente de sintomatologia quando o nível da 25 hidrovitamina D é < 12 ng/mL (deficiência);
  • Se tiver valores de 12-20 ng/mL (insuficiência), tratar o paciente que for do grupo de risco e/ou se tiver alterações sugestivas de raquitismo como aumento de PTH e fosfatase alcalina, hipocalcemia e hipofosfatemia;
  • Sempre que possível adequar a dieta;
  • Não existe limite seguro de exposição à radiação ultravioleta para produção de vitamina D, que não aumente o risco de câncer de pele.
    Qual é o tratamento e quanto tempo dura o tratamento de hipovitaminose D?
  • O tratamento de hipovitaminose D é feito com reposição de vitamina D via oral na forma de colecalciferol. O padrão-ouro é tomar a vitamina D 1x/dia por 12 semanas. Após as 12 semanas, é importante fazer novo exame de sangue para dosar a vitamina D no sangue (25 hidroxivitamina D), então reavaliar o tratamento e será prescrita dose diária de manutenção da vitamina D para continuar a ser tomada diariamente. Existe uma alternativa de, na fase terapêutica, tomar a dose de vitamina D uma vez por semana por 6 a 8 semanas, mas sempre que possível prescreveremos a dose diária por ser mais eficaz.
    Além da vitamina D, é preciso tomar mais alguma medicação para a hipovitaminose D?
  • Somente para os pacientes com raquitismo ou dieta pobre em cálcio, é necessário suplementar também carbonato de cálcio. [cms-watermark]

Autor(a) principal: Renata Carneiro da Cruz (Pediatria pela UERJ e SBP).

    Equipe adjunta:
  • Dolores Silva (Pediatria pela UERJ);
  • Gabriela Guimarães Moreira Balbi (Pediatria pela UFPR e Reumatologia Infantil pela UNIFESP).

Sociedade Brasileira de Pediatria (SPB). Hipovitaminose D em pediatria: recomendações para o diagnóstico, tratamento e prevenção. Guia Prático de Atualização Departamento Científico de Endocrinologia. Rio de Janeiro: SBP, 2016.

Ferreira CES, Maeda SS, Batista MC, et al. Posicionamento Oficial da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) e da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) – Intervalos de Referência da Vitamina D-25(OH)D. Rio de Janeiro: Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial e da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, 2018.

Maeda SS, Borba VZC, Camargo MBR, et al. Recomendações da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) para o diagnóstico e tratamento da hipovitaminose D. Arqu Bras Endocrinol Metabol. 2014; 58(5):411-433.

Munns CF, Shaw N, Kiely M, et al. Global Consensus recommendations on prevention and management of nutritional rickets. J Clin Endocrinol Metab. 2016; 101:394-415.

Nigri AA, Silva AC, Tardelli AMD, et al. Vitamina D: quando fazer a dosagem e tratar? Boletim Soc Pediatr SP. 2019; 4(5):8-10.