Orientações ao Prescritor
Orientações gerais:
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O tratamento inclui reposição volêmica, correção da hiperglicemia com insulina e de distúrbios eletrolíticos (principalmente hipocalemia), manutenção de vias áreas pérvias, reversão da acidose e manejo do fator desencadeante (ex.: infecção);
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Os casos moderados a graves devem ser admitidos em unidade de terapia intensiva;
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Uma importante etapa no manejo é a identificação e tratamento de fatores precipitantes (ex.: infecção);
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Atenção à complicações frequentes: edema cerebral e hipoglicemia.
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Insulinoterapia:
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A administração de
Insulina
EV deve ser iniciada o mais rápido possível após o diagnóstico, apenas quando os níveis séricos de potássio estiverem acima de 3,5 mEq/L;
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Pode ser realizado bólus de 0,1 unidade/Kg IV, seguido de 0,1 unidade/Kg/hora em bomba de infusão contínua (BIC);
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Quando a glicemia atingir níveis de < 250 mg/dL, reduzir a velocidade de infusão para 0,05 unidade/kg/hora;
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Checar eletrólitos, função renal, gasometria venosa e glicemia a cada 2 horas até estabilidade do paciente;
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Quando glicemia < 200-250 mg/dL, reduzir infusão de
Insulina
para 0,02-0,05 unidade/kg/hora e associar
Soro glicosado 5%
, objetivando manter glicemia entre 150-200 mg/dL até resolução da cetoacidose;
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Utilizar o
Soro glicosado 5%
desde o início, na cetoacidose euglicêmica.
Conversão de Insulina venosa para Insulina subcutânea
:
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A infusão de
Insulina
EV deve ser continuada por 1-2 horas após o início da
Insulina
SC, pois a interrupção abrupta da
Insulina
EV pode resultar em recorrência de hiperglicemia;
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Enquanto o paciente não estiver se alimentando, manter infusão EV e reposição de fluidos;
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Assim que o paciente conseguir alimentar-se e estiver bem controlado do ponto de vista clínico e laboratorial, inicia-se insulinoterapia basal com
Insulina humana
de ação intermediária ou com análogos de
Insulina
de longa ação, em associação à múltiplas injeções de
Insulina
regular ou análogos de
Insulina
ultrarrápidos antes das refeições.
Prescrição de Insulina após resolução da cetoacidose diabética (CAD):
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Diagnóstico prévio de diabetes:
Reiniciar o mesmo esquema de
Insulina
que vinham fazendo antes da CAD;
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Pacientes recém-diagnosticados ou adultos que não usavam Insulina previamente:
Podem receber uma dose inicial total de 0,5-0,6 unidades/kg/dia (basal-bólus).
Dieta e Hidratação
1.
Dieta zero.
2.
Hidratação EV:
Etapa rápida seguida por
escolha dos demais fluidos, que dependerá do sódio e do estado volêmico do paciente:
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Etapa rápida:
1.000-1.500 mL de
SF 0,9%
na primeira hora (15-20 mL/kg/hora);
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Hipovolemia moderada:
Corrigir sódio sérico antes de hidratar:
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Sódio sérico normal a alto:
Solução salina de
NaCl
0,45%
(250-500 mL/hora);
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Sódio sérico baixo:
Solução isotônica de
NaCl 0,9%
(250-500 mL/hora).
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Hipovolemia severa:
Solução isotônica de NaCl 0,9% a 1 L/hora;
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Choque cardiogênico
: Vasopressores hemodinâmicos.
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Tratamento Farmacológico (Correção de Eletrólitos)
Escolha um dos esquemas ou associe-os conforme necessidade clínica:
Esquema A: Correção de potássio:
Administrar solução de potássio conforme esquema abaixo:
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Solução:
Cloreto de potássio 10%
(1 g/10 mL) 10 mL +
NaCl
0,45%
100 mL (concentração: 1,34 mEq/mL):
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Se potássio sérico < 3,5 mEq/L:
Administrar KCl 10-20 mEq/hora em cada litro de fluido EV até potássio > 3,5 mEq/L. Checar K+ a cada 1 hora. Iniciar infusão de insulina apenas quando potássio > 3,5;
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Se potássio sérico entre 3,5-5,0 mEq/L:
Administrar KCl 10-20 mEq em cada litro de fluido EV para manter potássio entre 4-5 mEq/L. Checar K+ a cada 2 horas. Insulina pode ser iniciada associada à reposição de potássio;
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Se potássio sérico > 5,0 mEq/L:
Iniciar insulina e aguardar próxima dosagem (em 2 horas) para planejar reposição.
Esquema B: Correção de acidose
(Monitorar potássio a cada 2 horas
)
:
Administrar solução de bicarbonato conforme esquema abaixo:
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Solução:
Bicarbonato de sódio 8,4%
(1 mEq/mL) 100 mL +
SF 0,9%
400 mL (concentração: 0,2 mEq/mL): Escolha uma das opções conforme pH:
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Se pH < 7,0:
Administrar solução de
Bicarbonato
em 2 horas e, se necessário, repetir a dose até que pH ≥ 7,0.
Observação!
Checar K+ a cada 2 horas;
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Se pH ≥ 7,0:
Não administrar solução.
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Lembrando que a administração de bicarbonato não é recomendada de forma rotineira na cetoacidose diabética, apenas em quadros mais graves em que o pH esteja menor que 7,0.
Tratamento Farmacológico (Insulinoterapia)
Para mais informações sobre insulinoterapia, conversão de insulina venosa para insulina subcutânea e prescrição de insulina após resolução da cetoacidose diabética (CAD), acesse "Orientações ao Prescritor": Escolha um dos esquemas:
Esquema A: CAD moderada a grave:
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Insulina regular
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(100 unidades/mL) 1 mL +
SF 0,9%
99 mL (concentração: 1 unidade/mL). Administrar 0,1 unidade/kg EV em bólus, seguida de 0,1 unidade/kg/hora EV em BIC. Titular pela resposta.
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Esquema B:
CAD leve:
Escolha uma das opções:
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Insulina regular
(100 unidades/mL) 0,3 unidade/kg SC, dose única, seguida de 0,2 unidade/kg SC de 2/2 horas;
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Lispro
(100 unidades/mL) 0,2-0,3 unidade/kg SC, dose única, seguido de 0,1 unidade/kg SC de 2/2 horas;
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Asparte
(100 unidades/mL) 0,2-0,3 unidade/kg SC, dose única, seguido de 0,1 unidade/kg SC de 2/2 horas.
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Profiláticos e Sintomáticos
1.
Analgésico e antitérmico:
Se presença de dor ou febre ≥ 37,8°C. Escolha uma das opções:
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Dipirona sódica
(500 mg/mL) 1-2 g EV até de 4/4 horas (dose máxima: 5 g em 24 horas);
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Paracetamol
(10 mg/mL) 1 g EV de 6/6 horas (dose máxima 4 g em 24 horas).
2.
Antiemético:
Se presença de náuseas e/ou vômitos.
Escolha uma das opções:
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Metoclopramida
(10 mg/2 mL) 10 mg EV, diluído em água destilada, até de 8/8 horas;
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Bromoprida
(10 mg/2 mL) 10 mg EV de 8/8 horas;
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Ondansetrona
(2 mg/mL) 4-8 mg EV de 8/8 horas.
3.
Proteção gástrica:
Escolha uma das opções:
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Omeprazol
(40 mg/10 mL) 20-40 mg VO/EV de 24/24 horas, pela manhã;
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Pantoprazol sódico
(40 mg/10 mL) 40 mg EV de 24/24 horas.
Cuidados
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Curva térmica.
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Ventilação mecânica ou O
2
sob máscara, a critério médico.
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Glicemia capilar a cada hora. Se os valores estiverem estáveis por 3 horas, aumentar o intervalo da monitoração para 2 horas.
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Colher sangue venoso para função renal e eletrólitos a cada 2 horas, pH e Bicarbonato de 4/4 horas, até estabilização do quadro.