Orientações ao Prescritor
Orientações gerais:
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Tratamento agressivo do hipotireoidismo e da possível insuficiência adrenal associada;
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Identificação e tratamento do fator precipitante (infecção, insuficiência coronariana aguda, acidente vascular encefálico, sedativos e analgésicos);
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Tratamento agressivo e imediato para evitar sequelas.
Orientações para tratamento:
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Quadro infeccioso associado é comum. Alguns autores sugerem o uso de antibioticoterapia empírica até a exclusão de infecções;
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O distúrbio hidreletrolítico mais comum é a hiponatremia. Se hiponatremia leve, a própria reposição de hormônios tireoidianos constitui tratamento apropriado. Casos mais graves requerem reposição com solução hipertônica;
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Se não houver
Levotiroxina
na disponibilidade venosa, administrá-la
na dose
de
500-1.000 microgramas/dia VO pela sonda nasoenteral (SNE), seguida de 100-200 microgramas/dia;
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Com a estabilidade clínica do paciente, os hormônios tireoidianos podem ser administrados por VO, e suas doses ser devidamente ajustadas (inicialmente: 100-200 microgramas VO a cada 24 horas).
Dieta e Hidratação
1.
Dieta enteral ou dieta oral
de acordo com nível de consciência. Evitar deixar o paciente em dieta zero, visto que a hipoglicemia pode ser danosa.
2.
Hidratação venosa (atentar para níveis de PA, função cardíaca e volemia, individualizar):
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Valor usual:
500-1.000 mL/24 horas.
Tratamento Farmacológico
1.
Levotiroxina
(200 microgramas/mL) 800 microgramas + 16 mL de SF 0,9% (concentração: 40 microgramas/mL). Administrar 300-500 microgramas EV, em bólus – dose de ataque:
-
Dose de manutenção:
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Levotiroxina
(12,5-300 microgramas/comprimido) 100-200 microgramas VO a cada 24 horas (VO quando o paciente atingir estabilidade);
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Levotiroxina
(200 microgramas/mL) 50-100 microgramas EV a cada 24 horas.
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Alguns autores recomendam a administração associada de Levotiroxina (T4)
e Liotironina (T3) (manipulado):
T4 200-400 microgramas EV + T3 5-20 microgramas EV seguidos por 2,5-10 microgramas a cada 8 horas, até estabilização do paciente.
2.
Hidrocortisona
(100 mg/frasco):
-
Dose inicial:
100 mg, EV;
-
Manter dose até obter estabilidade clínica ou até excluir a possibilidade de insuficiência adrenal:
50-100 mg, EV, a cada 8 horas.
3.
Norepinefrina
(1 mg/mL) 20 mL + SF 0,9% (80 mL) EV em bomba de infusão contínua (BIC), a critério médico, se paciente mantiver hipotensão arterial.
Profiláticos e Sintomáticos
1.
Analgésico e antitérmico:
Se houver dor ou febre ≥ 37,8°C. Escolha uma das seguintes opções:
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Dipirona sódica
(500 mg/mL) 1-2 g, EV, até de 4/4 horas (dose máxima: 5 g em 24 horas);
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Dipirona sódica gotas
(500 mg/mL) 20-40 gotas, VO, até de 4/4 horas;
-
Dipirona sódica
500-1.000 mg, VO, de até 4/4 horas;
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Paracetamol gotas
(200 mg/mL) 35-55 gotas, VO, de até 6/6 horas;
-
Paracetamo
l
500-750 mg, VO, de até 6/6 horas.
2.
Antiemético:
Se houver náuseas e/ou vômito. Escolha uma das seguintes opções:
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Metoclopramida
(10 mg/2 mL) 10 mg, EV, diluídos em água destilada, de até 8/8 horas;
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Metoclopramida
(4 mg/mL) 50 mg, VO, a cada 8 horas;
-
Metoclopramida
10 mg, VO, a cada 8 horas;
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Bromoprida
(10 mg/2 mL) 10 mg, EV, a cada 8 horas;
-
Bromoprida
(4 mg/mL) 1-3 gotas/kg, VO, a cada 8 horas.
3.
Proteção gástrica.
Escolha uma das seguintes opções:
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Omeprazol
(40 mg/10 mL) 20-40 mg, VO/EV, a cada 24 horas, pela manhã;
-
Pantoprazol
sódico
20-40 mg, VO, a cada 24 horas, em jejum;
-
Pantoprazol sódico
(40 mg/10 mL) 40 mg, EV, a cada 24 horas.
4
. Enoxaparina sódica
(100 mg/mL) 40mg/dia (se função renal normal), SC, a cada 24 horas.
5.
Aquecer o paciente:
Evitar a hipotermia.
Não utilizar cobertores térmicos
que podem desencadear choque por vasodilatação periférica.
6.
Dosar g
licemia capilar
a cada 2 horas.
7.
Insulina regular
SC conforme seguinte esquema:
-
70-150 = 0 unidade;
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151-200 = 2 unidades;
-
201-250 = 4 unidades;
-
251-300 = 6 unidades;
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301-350 = 8 unidades;
-
351-400 = 10 unidades;
-
Se > 400 ou < 70, avisar plantonista.
8
. Glicose hipertônica
a 50%
(40 mL), EV, se hemoglicoteste (HGT) < 60.
9.
SF 0,9%
(500 mL), EV, a critério médico
. Não deve ser administrada em pacientes com suspeita de encefalopatia hiponatrêmica. Nos casos de hiponatremia sintomática grave, 100 mL de
NaCl
a 3% devem ser administrados.
10.
Ventilação mecânica ou O
2
sob máscara
,
a critério médico.
11.
Suporte intensivo e admissão em UTI.