Orientações ao Prescritor
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A hiperglicemia hospitalar, definida como qualquer glicemia ≥ 140 mg/dL, está associada a um aumento no risco de resultados clínicos adversos, incluindo infecções, internação hospitalar prolongada, incapacidade pós-alta e mortalidade;
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A avaliação inicial deve informar o tipo de diabetes (ou seja, tipo 1, tipo 2, gestacional, pancreatogênico, hiperglicemia de estresse, relacionada a medicamentos ou relacionada à nutrição [ex.: nutrição enteral ou parenteral]) quando for conhecido;
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É recomendado realizar um teste de A1C
em todas as pessoas com diabetes ou hiperglicemia (glicemia aleatória > 140 mg/dL) internadas no hospital se nenhum resultado de teste de A1C estiver disponível nos 3 meses anteriores;
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Vários estudos multicêntricos, incluindo o ensaio NICE-SUGAR em indivíduos hospitalizados gravemente doentes em unidades de terapia intensiva (UTI) médicas e cirúrgicas, demostraram que o tratamento intensivo da glicemia (80–110 mg/dL) não obteve vantagem significativa no tratamento em comparação com um grupo com metas glicêmicas mais moderadas (140–180 mg/dL);
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Alvos mais baixos de glicemia aumentam o risco de hipoglicemia grave e mortalidade, sem benefícios em desfechos clínicos. Assim, em pacientes críticos, o alvo de glicemia é entre 140-180 mg/dL;
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Em pacientes gravemente enfermos, recomenda-se infusão contínua de insulina seguida de transição para regimes de insulina subcutânea quando os pacientes estiverem estáveis e próximos da alta da UTI.
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O uso da tecnologia de diabetes no hospital está evoluindo rapidamente, mas ainda não está pronto para uso generalizado. Portanto, em pacientes críticos, recomenda-se a monitorização da glicose por glicemia capilar em vez da utilização de sistemas de monitoramento contínuo de glicose intersticial (CGM) pois estes dispositivos não são precisos nesse perfil de pacientes;
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Porém, em casos de má perfusão periférica ou edema, recomenda-se evitar a utilização de glicemia capilar, utilizando-se a glicemia sérica ou arterial para controle.
Princípios do Controle Glicêmico
Início:
Iniciar protocolo de insulina se houver ≥ 2 medidas de glicemia ≥ 180 mg/dL.
Alvo de glicemia:
140-180 mg/dL.
Administração:
A
infusão contínua de insulina intravenosa é a via de escolha para atingir o controle glicêmico
(vide sugestão de esquema de prescrição abaixo).
Ajuste:
A velocidade de infusão da solução de insulina deve ser ajustada a cada hora conforme a glicemia (vide tabela abaixo).
Monitorização:
Manter de 1/1 hora se Insulina EV. Monitorizar mais frequentemente se houver aumento de dose da insulinoterapia. Espaçar medidas em pacientes com glicemias estáveis.
Glicemia:
Pode ser coletada por glicemia capilar ou sangue total (ex.: gota de sangue via circuito de pressão arterial invasiva). Repetir coleta em caso de resultados extremos, para afastar erros de coleta.
Hipoglicemia:
Sempre deixar prescrito Glicose 50% (40 mL) para abordagem da hipoglicemia. A hipoglicemia leve/oligossintomática pode ser tratada com carboidratos ou Glicose 50% VO (para pacientes com condições para isso). A hipoglicemia grave ou sintomática deve ser tratada com Glicose 50% EV em bólus, podendo ser realizada via acesso periférico. Pacientes com necessidade de infusão contínua de glicose 50% precisam de um acesso venoso central para sua administração. Ajustar a taxa de infusão da bomba de insulina nos casos de hipoglicemia (vide sugestão na tabela abaixo).
Tratamento Farmacológico da Hiperglicemia no Paciente Crítico
1.
Insulina regular (100 unidades/mL)
100 unidades + SF 0,9% 99 mL (concentração: 1 unidade/mL) EV em BIC:
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Administração:
Desprezar 20 mL da solução pelo equipo para ocorrer saturação do circuito pela insulina.
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Cálculo da taxa de infusão inicial conforme glicemia:
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181-200 mg/dL:
Sem bólus. Iniciar infusão a 2 unidades/hora;
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201-250 mg/dL:
Bólus de 3 unidades, iniciar infusão a 2 unidades/hora;
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251-300 mg/dL
: Bólus de 6 unidades, iniciar infusão a 3 unidades/hora;
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301-350 mg/dL:
Bólus de 9 unidades, iniciar infusão a 3 unidades/hora;
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≥ 351 mg/dL:
Bólus de 10 unidades, iniciar infusão a 4 unidades/hora.
Ajuste da taxa de infusão inicial conforme glicemia:
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Insulina regular (100 unidades/mL) em
Sliding Scale
conforme glicemia capilar
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<180 mg/dL:
Não administrar Insulina;
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180-200 mg/dL:
Administrar 2 unidades;
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201-250 mg/dL:
Administrar 4 unidades;
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251-300 mg/dL:
Administrar 6 unidades;
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301-350 mg/dL:
Administrar 8 unidades;
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≥ 351 mg/dL:
Administrar 10 unidades e avisar médico de plantão.
Adaptado de
: Hospital Israelita Albert Einstein; 2024
Atenção!
Nos pacientes em uso prévio de insulinoterapia,
sempre
considere reconciliar a medicação de uso prévio. Quando houver dúvida com relação à aderência terapêutica, é
prudente utilizar doses abaixo
das relatadas como de uso ambulatorial.
Profiláticos e Sintomáticos
1.
Analgésico e antitérmico:
Se presença de dor ou febre ≥ 37,8°C. Escolha uma das opções:
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Dipirona sódica
(500 mg/mL) 1-2 g EV até de 4/4 horas (dose máxima: 5 g em 24 horas);
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Dipirona sódica
gotas
(500 mg/mL) 20-40 gotas/dose VO até de 4/4 horas;
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Dipirona sódica
(500 mg/comprimido ou 1 g/comprimido) 500-1.000 mg/dose VO até 4/4 horas;
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Paracetamol gotas
(200 mg/mL) 35-55 gotas/dose VO até de 6/6 horas;
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Paracetamol
(500 mg/comprimido ou 750 mg/comprimido)
500-750 mg/dose VO até de 6/6 horas.
2.
Antiemético:
Se presença de náuseas e/ou vômitos.
Escolha uma das opções:
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Metoclopramida
(10 mg/2 mL) 10 mg EV, diluído em água destilada, até de 8/8 horas;
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Metoclopramida
(4 mg/mL) 50 gotas/dose VO de 8/8 horas;
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Metoclopramida
(10 mg/comprimido)
10 mg/dose VO de 8/8 horas;
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Bromoprida
(10 mg/2 mL) 10 mg EV de 8/8 horas;
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Bromoprida
(4 mg/mL) 1-3 gotas/kg VO de 8/8 horas.