Orientações ao Prescritor
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Avaliar a gravidade da crise
conforme a tabela 2;
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Iniciar monitorizações cardíaca e hemodinâmica, acesso periférico e oxigênio suplementar, se necessário (SatO
2
< 92%);
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Identificar possíveis diagnósticos diferenciais, como IC descompensada, pneumotórax, pneumonia ou TEP;
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O objetivo inicial do tratamento é o alívio rápido do broncospasmo, reduzindo o trabalho ventilatório e a hiperinsuflação pulmonar dinâmica;
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As medicações inalatórias devem ser administradas por meio de espaçador, dando-se preferência a dispositivos pressurizados;
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Na presença de sinais de fadiga respiratória, não retardar a intubação orotraqueal;
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Considerar sempre a opção de suporte ventilatório com pressão positiva (VNI) como tratamento adjuvante;
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Se o paciente estiver em ventilação mecânica invasiva ou não invasiva, o uso de doses maiores de broncodilatadores por via inalatória (em geral, 2-3x maiores) pode ser necessário para compensar as perdas no circuito.
Tabela 2.
Critérios de gravidade
Dieta e Hidratação
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Dieta zero inicialmente e, após melhora da dispneia, avaliar conforme o quadro clínico:
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A dieta por via oral só pode ser liberada após redução do trabalho ventilatório e ausência de risco de falência ventilatória;
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Nos pacientes que evoluíram para intubação orotraqueal, o início de dieta enteral deve seguir de acordo com as condições clínicas do paciente.
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SF 0,9%
20-30 mL/kg EV em 24 horas:
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Glicose hipertônica 50% 200 mL divididos nas etapas do item 2, se dieta zero.
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Tratamento Farmacológico
A abordagem da crise de asma grave é feita em etapas, de acordo com a resposta do paciente. Se o paciente não responde à etapa do esquema A, deve-se prosseguir para B. A etapa C é para casos refratários e de exceção.
Esquema A:
Associação:
I.
Beta-2-agonista de curta duração (SABA).
+
II.
Anticolinérgico de curta duração (SAMA).
+
III.
Corticoterapia sistêmica.
Opções de beta-agonista de curta ação (I):
Escolha uma das opções adiante.
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Bromidrato de fenoterol aerossol
(100 microgramas/dose) 4-10 jatos inalados de 20 em 20 minutos na primeira hora seguidos de 4-10 jatos inalados de 1/1 hora, se broncoespasmo intenso. Após o controle, manter a medicação até intervalos de 2 a 6 horas;
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Sulfato de salbutamol aerossol
(100 microgramas/dose) 4-10 jatos inalados de 20 em 20 minutos na primeira hora seguidos de 4-10 jatos inalados de 1/1 hora, se broncoespasmo intenso. Após o controle, manter até intervalo de 2 a 6 horas de acordo com sintomas;
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Sulfato de salbutamol gotas
(5 mg/mL) 0,5-1 mL (10-20 gotas) diluído em 3-5 mL de SF 0,9%. Inalar de 20 em 20 minutos na primeira hora e, em seguida, de 1/1 hora, se broncoespasmo intenso. Após o controle, manter até intervalo de 2 a 6 horas de acordo com sintomas.
Opções de anticolinérgico de curta ação (II):
E
scolha uma das opções a seguir.
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Brometo de ipratrópio
(25 microgramas/dose) 4 jatos via inalatória de 20 em 20 minutos junto com SABA na primeira hora. Em seguida, 4 a 8 jatos inalados de 1/1 hora, se broncoespasmo intenso. Após o controle, manter até intervalo de 2 a 6 horas de acordo com sintomas;
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Brometo de ipratrópio solução 0,025%
(0,25 mg/mL) 0,5 mg (40 gotas) diluído em 3-5 mL de SF 0,9% por via inalatória de 20 em 20 minutos junto com SABA na primeira hora. Em seguida, nebulização horária, se broncoespasmo intenso. Após o controle, manter até intervalo de 2 a 6 horas de acordo com sintomas.
Opções de corticoterapia sistêmica (III):
escolha uma das opções a seguir.
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Prednisona
(20 mg/comprimido) 40-60 mg VO de 24/24 horas por 5-7 dias;
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Metilprednisolona
(40 mg/mL) 40 mg EV de 12/12 horas por 5-7 dias;
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Hidrocortisona
(100 mg/2 mL) 200 mg EV de ataque seguidos de 100 mg EV de 8/8 horas por 5-7 dias.
Esquema B:
Ausência de melhora dos sintomas e do
peak flow
para valores 60-80% do predito ou do melhor do paciente (preferencial):
Adicionar ao Esquema A:
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Sulfato de magnésio 10%
(1 g/10 mL) Fazer 2 g (20 mL) EV diluídos para 80 mL de SF 0,9%. Correr em 20-30 minutos (bomba de infusão):
-
Atenção aos efeitos colaterais da infusão de magnésio, como hipotensão, rubor facial e hiporreflexia.
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Esquema C:
Indicado como terapia
off-label
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na ausência de melhora dos sintomas e do
peak flow
para valores 60-80% do predito ou do melhor do paciente.
Opções de beta-2-agonista de curta duração (SABA) por via endovenosa:
Escolha uma das opções:
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Salbutamol
(0,5 mg/mL) 10 mL + SF 0,9% 40 mL (concentração: 100 microgramas/mL). Dose de ataque: 250 microgramas em 10 minutos. Dose de manutenção: 3-20 microgramas/minuto;
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Terbutalina
(0,5 mg/mL) 10 mL + SG 5% 90 mL (concentração: 50 microgramas/mL). Dose de ataque: 250 microgramas EV em 10 minutos. Dose de manutenção: 1,5-5 microgramas/minuto;
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Adrenalina
(1 mg/mL) 0,3-0,5 mg IM, podendo-se repetir mais 2 vezes (total de 3 doses) em um intervalo de 20 minutos cada um
(off-label).
Observação!
Considerar, principalmente, na suspeita de anafilaxia.
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Atenção!
O consenso internacional da GINA não recomenda o uso de beta-2-agonista venoso devido à alta incidência de efeitos colaterais e à ausência de estudos que comprovem benefício sobre os medicamentos inalatórios.
Para mais informações sobre broncoespasmo refratário, acesse conteúdo específico.
Profiláticos e Sintomáticos
1.
Analgésico e antitérmico:
Se presença de dor ou febre ≥ 37,8 °C. Escolha uma das opções:
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Dipirona sódica
(500 mg/mL) 1-2 g EV até de 4/4 horas (dose máxima: 5 g em 24 horas);
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Dipirona sódica
gotas
(500 mg/mL) 20-40 gotas VO até de 4/4 horas;
-
Dipirona sódica
500-1.000 mg VO até de 4/4 horas;
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Paracetamol gotas
(200 mg/mL) 35-55 gotas VO até de 6/6 horas;
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Paracetamol
500-750 mg VO até de 6/6 horas.
2.
Antiemético:
Se presença de náuseas e/ou vômitos.
Escolha uma das opções:
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Metoclopramida
(10 mg/2 mL) 10 mg EV diluídos em água destilada até de 8/8 horas;
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Metoclopramida
(4 mg/mL) 50 gotas VO de 8/8 horas;
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Metoclopramida
10 mg VO de 8/8 horas;
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Bromoprida
(10 mg/2 mL) 10 mg EV de 8/8 horas;
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Bromoprida
(4 mg/mL) 1-3 gotas/kg VO de 8/8 horas.
3.
Para proteção gástrica:
Escolha uma das opções:
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Omeprazol
(40 mg/10 mL) 20-40 mg VO/EV de 24/24 horas, pela manhã;
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Pantoprazol
(40 mg/10mL) 40 mg EV de 24/24 horas.
4.
Profilaxia de TVP:
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Enoxaparina
(40 mg/0,4 mL) 40 mg SC de 24/24 horas, conforme indicação. Para mais informações, acesse Profilaxia de TVP.
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Procedimentos – Insuficiência Respiratória por Asma
Alguns pacientes não respondem às terapias inalatórias e tampouco a corticoide e ventilação não invasiva, portanto devem prosseguir para intubação orotraqueal.
Cuidados na abordagem da via respiratória de pacientes asmáticos:
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Escolha do sedativo:
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Preferência por uso de Cetamina ou Propofol devido ao efeito broncodilatador. Evitar Morfina e Atracúrio devido à liberação de histamina e à potencial
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piora do broncospasmo;
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Cloridrato de cetamina
(50 mg/mL) para indução em sequência rápida está indicado na dose de 1-2 mg/kg EV em bólus. Manutenção de sedação pode ser com 0,01-0,03 mg/kg/minuto;
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Propofol
(10 mg/mL) para indução em sequência rápida, está indicada a dose de 1-3 mg/kg EV em bólus. Manutenção de sedação pode ser com 1,5-4,5 mg/kg/hora. Atenção especial aos pacientes idosos, que tendem a ser mais sensíveis.
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Escolha do modo ventilatório:
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Manter SatO
2
entre 92-95%;
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Calcular auto-PEEP e reduzir com PEEP extrínseca (cerca de 2/3 da auto-PEEP);
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Frequência respiratória menor e maior tempo expiratório com o objetivo de reduzir a hiperinsuflação;
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Em VCV, manter onda de fluxo quadrada para menor tempo inspiratório e fluxo elevado (60 L);
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Em PCV, ajustar tempo inspiratório e tolerar pressão de pico mais elevada, desde que platô dentro do que é considerado seguro (30 cm H
2
O);
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Para mais detalhes do manejo da ventilação mecânica na crise asmática grave, acessar conteúdo específico.
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Diagnóstico diferencial:
Para crise grave, é ainda mais importante descartar outras causas de descompensação, como TEP e pneumonia.