Orientações ao Prescritor
Orientações gerais:
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O objetivo é trazer conforto para o paciente e sua família, aliviando os sintomas do quadro;
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Simplificar a prescrição suspendendo anti-hipertensivos, antidiabéticos, antiarrítmicos, antidepressivos, vitaminas. Reavaliar manutenção de corticoterapia e antibióticos, ambos com indicação restrita nessa fase. Explicar que, diante do processo ativo de morte, tais medicações não trazem benefício superior ao que medicações sintomáticas poderiam trazer do ponto de vista do conforto do paciente. Além disso, podem precipitar hipoglicemias e hipotensões;
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Avaliar a suspensão ou diminuição da frequência de aferição dos sinais vitais. Lembrar que será esperado taquicardia e/ou bradicardia, dessaturação, hipotensão e disglicemias, que podem gerar uma ansiedade no familiar/cuidador e sem impacto no conforto do paciente;
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Medicações utilizadas para controle de sintomas devem ser mantidas, adequando-se a via de administração: oral → parenteral, preferência subcutânea (hipodermóclise) a endovenosa. Não esquecer de prescrever doses de "resgate" (S/N) para possíveis sintomas;
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Dúvidas sobre o processo podem ser frequentes e repetitivas, mas devem ser esclarecidas e acolhidas pelo profissional assistente.
Orientações específicas:
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Objetivos:
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Reduzir a frequência e gravidade da dispneia;
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Diminuir a percepção da dispneia;
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Diminuir o sofrimento psicológico e espiritual.
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Deve-se controlar a dispneia ao mesmo tempo em que se identifica e trata as causas subjacentes;
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Nas causas irreversíveis, o principal objetivo é o alívio dos sintomas;
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Para uma abordagem adequada, é importante estabelecer uma boa comunicação com a família e o paciente através do diálogo franco sobre o quadro clínico e possíveis causas envolvidas, equalizando expectativas de ambas as partes;
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A Morfina é o fármaco de escolha para o controle da dispneia (especialmente nas causas irreversíveis);
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Traz um efeito dissociativo entre o quadro real de dispneia e a percepção do paciente sobre isso;
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Caso o paciente já faça uso de
Morfina
, deve-se aumentar em 25-50% a dose anterior; caso virgem de opioide, titular com doses menores. Atenção para pacientes com
comprometimentos de função renal ou hepática
(necessitarão de doses menores).
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Considerar o uso de benzodiazepínicos para pacientes em que a ansiedade é um fator significativo na dispneia;
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Lembrar que a respiração irregular e períodos de apneia são esperados durante o processo ativo de morte. Atuaremos para controlar o máximo possível, mas o controle total sobre esse cenário é improvável;
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Corticoides
: Muito útil na linfangite carcinomatosa e como adjuvante na exacerbação do DPOC;
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Medicações adicionais podem ser consideradas para tratamento da causa da dispneia. Para mais informações, acesse
Dispneia em Cuidados Paliativos.
Dieta e Hidratação
1. Dieta de conforto (conforme aceitação, nível de consciência e gravidade da dispneia).
2. Hidratação oral conforme demanda, em pequenos goles.
Tratamento Farmacológico
1.
Morfina
Dose inicial:
1-2 mg, SC ou EV, de 4/4 horas. Realizar resgates na mesma dose até 6x/dia em via SC. Após 24 horas, acrescentar à dose habitual todas as doses de resgates realizadas no dia anterior. Considerar uso em infusão 10 mg/24 horas, SC, em BIC. Dose habitual: 20-60 mg/24 horas.
2.
Sedação paliativa (se dispneia refratária): Midazolam:
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Dose de ataque:
2-5 mg EV ou SC em bólus. Repetir a cada 30-60 minutos, se necessário;
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Dose de manutenção:
Infusão contínua SC (hipodermóclise) ou EV entre 10-60 mg/24 horas horas diluído em SF 0,9%. Dose máxima: 120 mg/24 horas;
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Para mais informações, acesse
Prescrição - Sedação Paliativa.
Observação!
Para mais detalhes de prescrição e abordagem por causas, acesse
Prescrição - Dispneia em Cuidados Paliativos.