Conteúdo copiado com sucesso!

Desnutrição Energético-Proteica Infantil

Voltar

Prescrição Ambulatorial

Orientações ao Prescritor

  • O tratamento de pacientes com desnutrição grave que necessitem de internação hospitalar ocorre em três fases: [cms-watermark]
    • Estabilização (no ambiente hospitalar);
    • Reabilitação (no ambiente hospitalar);
    • Acompanhamento (de forma ambulatorial);
  • O paciente desnutrido deve ser tratado como imunodeprimido, portanto, se tiver febre ou hipotermia, deve ser orientado a procurar a emergência para avaliação médica;
  • Aconselhar a família a ofertar a dieta adequadamente de acordo com a idade, a disponibilidade de alimentos na família e os hábitos alimentares, em conjunto com a equipe de Nutrição e Nutrologia, seguindo o regime alimentar que já estava sendo oferecido no hospital.

Prescrição Hospitalar

Orientações ao Prescritor

  • Escolha uma das opções de dieta e hidratação, conforme a condição clínica do paciente;
  • Dieta oral ou por sonda nasogástrica (caso o paciente esteja sonolento ou não aceite a dieta) em crianças estáveis;
  • Caso a criança não aceite todo o volume planejado, administre por sonda nasogástrica;
  • Para fazer a transição da fase de estabilização (1-7 dias, crianças com descompensação clínica ou infecciosa) para a fase de reabilitação (criança já estável, fazer recuperação nutricional) , por 48 horas deve-se manter o mesmo volume oferecido anteriormente, mudando o preparado alimentar inicial para o de crescimento rápido. Depois de 48 horas do início dessa fase (10 o dia do tempo total de tratamento), aumenta-se o volume da refeição em 10 mL; a partir daí, acrescentam-se sempre 10 mL em cada refeição. A prescrição deve instruir aumentos progressivos de volume a cada dia, começando pela quantidade da refeição anterior ao início de cada dia, até que a criança deixe sobras (provavelmente quando alcançar cerca de 200 mL do preparado de crescimento rápido por kg de peso em 24 horas);
  • Hidratação oral (preferencialmente) ou venosa (na impossibilidade de hidratação oral ou em crianças gravemente desidratadas);
  • Todos os pacientes desnutridos gravemente merecem um curso de antibioticoterapia de amplo espectro, uma vez que podem apresentar infecções bacterianas sem que apresentem sinais clínicos clássicos dessa condição.

Dieta e Hidratação

Escolha uma das opções a seguir.

1. Dieta zero para crianças instáveis.

    2. Dieta oral ou por sonda nasogástrica, conforme orientado adiante:
  • Fase de estabilização: Utilizar volumes progressivos de preparado alimentar inicial (com baixa osmolaridade de 280 mmol/L, baixo teor de lactose de 13 g/L, taxa calórica de 75 kcal/100 mL e taxa proteica de 0,9 g de proteína/100 mL):
    • Dias 1-2: 11 mL/kg de 2/2 horas (130 mL/kg/dia);
    • Dias 3-5: 16 mL/kg de 3/3 horas (130 mL/kg/dia);
    • Dias 6-7: 22 mL/kg de 4/4 horas (130 mL/kg/dia);
  • Fase de reabilitação: U tilizar fórmula para crescimento rápido da Organização Mundial da Saúde (OMS) (contém 100 kcal/100 mL e 2,9 g de proteína/100 mL) ou fórmula infantil com menor oferta de lactose. Por 48 horas, deve-se manter o mesmo volume oferecido anteriormente, mudando-se o preparado alimentar inicial para o de crescimento rápido. Depois de 48 horas do início dessa fase (10 o dia do tempo total de tratamento), aumenta-se o volume da refeição em 10 mL; a partir daí, acrescentam-se sempre 10 mL em cada refeição. A prescrição deve instruir aumentos progressivos de volume a cada dia, começando pela quantidade da refeição anterior ao início de cada dia, até que a criança deixe sobras (provavelmente quando alcançar cerca de 200 mL do preparado de crescimento rápido por kg de peso em 24 horas).

3. ReSoMal (solução de reidratação oral) 5 mL/kg VO a cada 30 minutos, por 2 horas, seguidos de 5-10 mL/kg nas próximas 10 horas, com reavaliações a cada hora (cerca de 70-100 mL/kg de ReSoMal em 12 horas).

4. Soro glicofisiológico (0,45 mEq/L de sódio) 15 mL/kg em 1 hora, podendo-se repetir, se necessário.

Tratamento Farmacológico

    1. Antibioticoterapia: Escolha uma das seguintes opções:
  • Ampicilina 50 mg/kg/dose EV/IM de 6/6 horas + Gentamicina 7,5 mg/kg/dose EV/IM de 24/24 horas por 7-10 dias;
  • Ceftriaxona 50 mg/kg/dose EV/IM de 24/24 horas por 7-10 dias para crianças com maior gravidade clínica;
  • Metronidazol 10-12 mg/kg/dose VO de 8/8 horas, se houver diarreia prolongada.

Por não apresentarem os sinais clássicos de infecção (febre, inflamação e dispneia), as manifestações clínicas de infecção em desnutridos graves podem ser apatia, sonolência, hipotermia e/ou recusa alimentar. Assim, quando não for possível a detecção do foco infeccioso, recomenda-se introduzir antibioticoterapia desde o início do tratamento, presumindo-se que essas crianças tenham infecção subclínica, com base na prevalência elevada do binômio infecção/desnutrição. Quando o tratamento é instituído precocemente, o índice de mortalidade é menor em comparação com crianças que não recebem a antibioticoterapia.

Profiláticos e Sintomáticos

    1. Antitérmicos: Em caso de febre (a partir de 37,8 o C) ou dor. Escolha uma das seguintes opções:
  • Dipirona 500 mg/mL solução injetável 0,05 mL/kg/dose ( 25 mg/kg/dose) EV ou VO SOS até 6/6 horas em caso de dor ou febre. Diluir com SF para concentração final de 50 mg/mL;
  • Dipirona 25 mg/kg/dose VO SOS até 6/6 horas em caso de dor ou febre.
    2. Glicose: Em caso de hipoglicemia (< 54 mg/dL): Escolha uma das seguintes opções:
  • Glicose 10% 50 mL VO, se a criança estiver consciente;
  • Glicose 10% 5-10 mL/kg EV ou 50 mL por sonda nasogástrica, se a criança estiver inconsciente ou com convulsão.

Cuidados

1. Sinais vitais de 3/3 horas.

2. Balanço hídrico de 6/6 horas.

3. Providenciar roupas, cobertores, contato com o corpo e/ou manta térmica se houver hipotermia.