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Doença Renal Policística

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Prescrição Ambulatorial

Orientações ao Prescritor

    Recomendações:
  • A doença renal policística autossômica tem origem genética e evolui com cistos renais substituindo o parênquima renal saudável. Ainda não existe tratamento definitivo para impedir a progressão da doença;
  • Em alguns casos, o paciente pode apresentar-se com doença renal crônica em fase avançada (DRC IV e V), e medidas referentes à síndrome devem ser tomadas;
  • Diagnóstico precoce, modificações de riscos de progressão da doença e tratamento das complicações associadas à disfunção renal são a base do tratamento atual;
  • Há poucos anos, foi aprovado o tratamento com inibidores do receptor do hormônio antidiurético (Vaptans), que tem mostrado efeito benéfico na redução do crescimento dos cistos com consequente preservação da função renal. Porém, essa medicação tem custo elevado, e no Brasil apenas alguns centros especializados utilizam.
    Medidas gerais: [cms-watermark]
  • Controle estrito da hipertensão: Se não houver contraindicação, a droga de escolha é IECA ou BRA, principalmente naqueles com proteinúria - reduz mortalidade cardiovascular; o alvo de PA ainda não é totalmente definido mas as principais referências sugerem PA < 120x80 mmHg; [cms-watermark]
  • Dieta: Baixo teor de sódio (até 2 g/dia) e colesterol (< 200 mg/dia), rica em fibras; [cms-watermark]
  • Restrição ou abolição do uso de bebidas cafeinadas: Estudos in vitro mostram que a cafeína estimula a secreção de líquido via AMPc pelas células de revestimento e pode, potencialmente, promover o crescimento dos cistos; [cms-watermark]
  • Aumento da ingesta hídrica para 3 L/dia ou mais de água visando à supressão do ADH e diminuição da progressão dos cistos; [cms-watermark]
  • Analgesia da dor abdominal: Dar preferência para analgésicos comuns; evitar AINEs. Em dor crônica, é possível usar antidepressivos tricíclicos depois de excluídas causas mecânicas. Avaliar possibilidade de intervenção cirúrgica para descompressão de cistos (punção, bloqueio dos nervos esplâncnicos) e atentar para complicações como hemorragia do cisto ou infecção. [cms-watermark]

Tratamento Farmacológico

    1. Controle pressórico: A s drogas preferenciais são da classe dos IECA ou BRA. Escolha uma das opções:
  • Enalapril 10-40 mg/dia VO divididos em 2 tomadas;
  • Captopril 25-150 mg/dia VO divididos em 3 tomadas;
  • Ramipril 5-10 mg/dia VO;
  • Losartana 50-100 mg/dia VO;
  • Valsartana 80-320 mg/dia VO;
  • Telmisartana 40-80 mg/dia VO;
  • Olmesartana 20-40 mg/dia VO.
  • [cms-watermark]
    2. Estatinas: Escolha uma das opções:
  • Sinvastatina 10-80 mg VO, à noite;
  • Atorvastatina 10-80 mg VO, à noite;
  • Rosuvastatina 10-40 mg VO, à noite.
    3. Se Infecção de cistos: Se infecção, persistir após 1-2 semanas de tratamento, considerar drenagem percutânea ou cirúrgica do cisto infectado. Pode ser necessário estender o tratamento para 4-6 semanas. [cms-watermark] Escolha uma das opções:
  • Sulfametoxazol + trimetoprima (800/160 mg) 1 comprimido VO de 12/12 horas, por 2 semanas;
  • Ciprofloxacino (500 mg) 1 comprimido VO de 12/12 horas, por 2 semanas;
  • Norfloxacino 400-800 mg a cada 12 horas, por 2 semanas;
  • Levofloxacino 750 mg/dia, por 2 semanas.

Tratamento Não Farmacológico - Terapias Renais Substitutivas

    Para pacientes com DRC terminal com indicações: [cms-watermark]
  1. Hemodiálise: Os pacientes que necessitam de hemodiálise têm prognóstico melhor que os pacientes dialíticos com outras etiologias de perda renal. [cms-watermark]
  2. Diálise peritoneal: Pode ser feita, mas com risco maior de hérnias inguinais e umbilicais.
  3. Transplante renal: O transplante é indicado, e a nefrectomia do rim nativo não é realizada como rotina, exceto em complicações já indicativas de retirada renal. [cms-watermark]

Outras Informações

Autoria principal: Pamela Santos Borges Araujo (Clínica Médica e Cardiologia).

    Revisão:
  • Guilherme Tafuri Marcondes (Nefrologia e Medicina Intensiva);
  • Ester Ribeiro (Nefrologia e Clínica Médica).
    Equipe adjunta:
  • Leonardo Nanes (Clínica Médica, Cardiologia, Arritmologia e Medicina Intensiva);
  • Isabela Abud Manta (Clínica Médica e Cardiologia);
  • Eraldo Moraes (Cardiologia, Eletrofisiologia, com especialização em Marca-passo);
  • Sara Del Vecchio Ziotti (Clínica Médica e Cardiologia).

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