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Doença da Arranhadura do Gato

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Prescrição Ambulatorial

Orientações ao Prescritor

    Recomendações:
  • Casos leves: tratamento pode não ser necessário, já que o quadro costuma ser autolimitado:
    • Pode-se fazer uso de antipiréticos, anti-inflamatórios e compressa de água morna no local da inoculação;
  • O uso rotineiro de antibióticos é discutível e há quem recomende não o usar em casos leves ou não complicados;
  • A antibioticoterapia acaba sendo indicada principalmente na doença grave e disseminada;
  • Não há consenso na literatura de qual seria o melhor esquema antimicrobiano para as doenças causadas pelo gênero Bartonella ;
  • Curso mais prolongado de antibiótico (2-3 meses) pode ser necessário, principalmente se lesão hepatoesplênica, osteomielite ou envolvimento ocular.

Antibioticoterapia Específica

  1. Caso leve a moderado e em paciente imunocompetente: Azitromicina (500 mg/comprimido):
    • Se > 45 kg: 1 comprimido VO 1x/dia no 1º dia e 1/2 comprimido do 2 o ao 5 o dia;
    • Se < 45 kg: 10 mg/kg no 1º dia e 5 mg/kg do 2º ao 5 o dia.
  2. Caso atípico, grave ou disseminado ou em paciente imunocomprometido: Escolha uma das opções:
    • Sulfametoxazol + trimetoprima (800 + 160 mg/comprimido) 1 comprimido ou 40 mg/kg/dia + 8 mg/kg/dia VO de 12/12 horas até melhora clínica e, no máximo, por 2-3 meses;
    • Ciprofloxacino (500 mg/comprimido) 1 comprimido ou 20-30 mg/kg/dia VO de 12/12 horas por 2-3 semanas e, no máximo, por 2-3 meses;
    • Azitromicina (500 mg/comprimido) 10 mg/kg/dia VO 1x/dia até melhora clínica e, no máximo, por 2-3 meses;
    • Claritromicina (500 mg/comprimido) 1 comprimido VO de 12/12 horas até melhora clínica e, no máximo, por 2-3 meses;
    • Doxiciclina (100 mg/comprimido) 1comprimido VO de 12/12 horas por 4-6 semanas em imunocompetente e 4 meses em imunocomprometido.

Tratamento não Farmacológico

  1. Aspiração dos linfonodos supurados:
    • Atenção ao risco de infecção e formação de fístula.

Orientações ao Paciente

    Recomendações de cuidados com os gatos:
  • Encaminhar o gato ao veterinário;
  • Testar PCR ou sorologia e caso positivo:
    • Eliminar pulgas, manter os gatos dentro de casa e fora do convívio com gatos selvagens;
    • Tratar a infecção com antibioticoterapia (ex.: Doxiciclina e fluoroquinolona, por 4-6 semanas);
    • Desinfetar feridas e evitar ser ferido por outros animais.

Profilaxia

  1. Evitar infecção dos gatos por pulgas e, quando presente, realizar tratamento adequado;
  2. Manter distância dos gatos de rua;
  3. Evitar contato com muitos gatos;
  4. Evitar brincadeiras violentas com gatos, principalmente com os gatos mais jovens;
  5. Pacientes imunocomprometidos: adotar gatos > 1 ano, sem pulgas, em boa saúde e que não venham de ambiente com muitos gatos;
  6. Não deixar os gatos lamberem feridas no corpo de seres humanos;
  7. Em caso de mordida ou arranhadura, lavar imediatamente a ferida com água quente e sabão.

Autoria principal: Jaqueline Barbeito de Vasconcellos (Dermatologia).

Revisão: Mariana Santino (Dermatologia).

    Equipe adjunta:
  • Camila Bento (Dermatologia);
  • Cecília Victer (Dermatologia);
  • Raquel Boechat (Dermatologia).

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