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Fadiga em Cuidados Paliativos

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Prescrição Ambulatorial

Orientações ao Prescritor

    Aspectos gerais:
  • Avaliar se a fadiga é primária (relacionada à doença avançada) ou secundária a causas tratáveis (anemia, depressão, distúrbios eletrolíticos, efeitos de medicamentos, etc.);
  • Priorizar medidas não farmacológicas sempre que possível;
  • Considerar tratamentos farmacológicos apenas se houver sofrimento significativo, causa identificável ou benefício funcional desejado;
  • Avaliar constantemente o prognóstico e metas de cuidado do paciente.
    Cuidados com os corticoides:
  • Indicação: Fadiga severa em pacientes com expectativa de vida limitada (< 1–3 meses); doença neoplásica avançada; desidratação; anorexia; sintomas múltiplos;
  • Dexametasona é o mais estudado;
  • Lembrar do desmame de corticoide se > 14 dias de tratamento em pacientes com > 4 mg de Dexametasona/dia, recomenda-se desmame gradual de até 25% da dose por semana;
  • Melhora rápida da fadiga (48–72 horas), especialmente em pacientes terminais;
  • Pode haver benefício transitório e de curta duração;
  • Restrições:
    • Evitar uso crônico → risco de fraqueza muscular, hiperglicemia, delirium, imunossupressão;
    • Reavaliar semanalmente ou suspender se não houver resposta.
    Metilfenidato:
  • Indicação:
    • Pacientes com câncer avançado em tratamento ativo ECOG 0–2, com bom desempenho cognitivo;
    • Pacientes em fim de vida que necessitam manter alerta para se comunicar;
    • Casos de apatia ou perda de motivação/energia;
    • Fadiga associada a depressão leve ou hipersonia.
  • Evidência: Moderada (Grau B), com resultados positivos em subgrupos específicos;
  • Vantagens: Ação rápida (1–2 horas após dose), reversível rapidamente após suspensão, pode ser usado por curtos períodos (ex.: visitas familiares, última conversa);
  • Cuidados:
    • Duração do teste terapêutico: 3 a 5 dias (resposta rápida esperada);
    • Se eficaz, manter até benefício ou surgimento de efeitos adversos;
    • Evitar dose à noite para prevenir insônia;
    • Contraindicações: Delírio ativo, insônia severa, cardiopatia instável, uso concomitante de IMAO, hipersensibilidade conhecida.
    Modafinil:
  • Indicações:
    • Fadiga grave e refratária: Após falha de medidas não farmacológicas e corticoterapia;
    • Fadiga associada a sonolência diurna: Situações como gliomas, encefalopatias, opioides em dose alta;
    • Fadiga durante uso de ITK ou imunoterapia: Medicações como Pazopanibe, Sorafenibe, Sunitinibe.
  • Evidência: Moderada a baixa (grau C): resultados diversos com benefício modesto ou até significativo, de forma individualizada. Alternativa inferior ao Metilfenidato;
  • Vantagens:
    • Ação rápida: início em 1–2 horas;
    • Meia-vida: 12–15 horas (evitar uso após 14 horas para não prejudicar o sono);
    • Pode ser suspenso sem necessidade de desmame.
  • Cuidados:
    • Uso individualizado; evitar em pacientes com delírio ou expectativa de vida muito curta;
    • Contraindicações: Delírio ou agitação, história de arritmias graves, gestantes ou lactantes e epilepsia não controlada.
    Testosterona:
  • Indicação:
    • Homens com hipogonadismo laboratorial (total < 300 nanogramas/dL + sintomas);
    • Sintomas: Fadiga, perda de massa magra, libido reduzida.
  • Evidência: Melhora funcional e de fadiga em pacientes com deficiência real; benefício indireto na massa muscular e motivação;
  • Cuidados:
    • Contraindicado em pacientes com câncer de próstata, hematócrito > 54%, insuficiência cardíaca descompensada;
    • Monitorar PSA, hemograma, sinais de retenção hídrica.

Tratamento Farmacológico

Escolha uma das classes:

    Classe A: Corticoides: Escolha uma das opções:
  • Dexametasona (4 mg) 4-8 mg/dia pela manhã, por 7–14 dias; dose máxima: 16 mg/dia;
  • Lembrar do desmame de corticoide se > 14 dias de tratamento em pacientes com > 4 mg de Dexametasona/dia ou dose equivalente de outro corticoide, recomenda-se desmame gradual de até 25% da dose por semana;
  • Para mais informações de equivalência de dose, acesse Conversão de Corticoides.

    Classe B: Psicoestimulantes: Escolha uma das opções (disposição em ordem de preferência):
  • Metilfenidato (5 mg) 0,5- 1 comprimido, VO, pela manhã (podendo repetir ao meio-dia). Início de ação rápida: 24-48 horas. Aumento progressivo: Dose máxima de 20-40 mg/dia;
  • Modafinila (100 mg): Escolha uma das opções:
    • Início cauteloso (idosos ou pacientes frágeis): 25–50 mg/dia, pela manhã;
    • Adultos com bom ECOG 100 mg/dia pela manhã;
    • Dose máxima habitual 200 mg/dia (dividida manhã e meio-dia).

    Classe C: Fadiga secundário ao hipogonadismo masculino:
  • Enantato de testosterona 200–250 mg IM a cada 2–3 semanas. Alternativas: gel transdérmico diário (50 mg/dia). [cms-watermark]

    Classe D: Fadiga secundária à anemia: Escolha uma das opções:
  • Darbepoetina 500 microcramas SC a cada 3 semanas;
  • Eritropoetina 30.000 unidades SC/semana.

Tratamento Não Farmacológico

  1. Exercício físico supervisionado:
    • Prescrição adaptada à capacidade funcional 3x/semana, mínimo de 20–30 minutos, conforme tolerância;
    • Pode ser feito em domicílio com supervisão periódica;
    • Inclui caminhada leve, alongamento, fisioterapia resistida com elástico.
  2. Psicoeducação e validação da fadiga:
    • Promoção de educação sobre fadiga e instrução no autocuidado;
    • Técnicas de enfrentamento;
    • Gerenciamento de atividades.
  3. Intervenções psicológicas: Efeito benéfico (ex.: terapia cognitivo-comportamental).
  4. Fisioterapia e reabilitação funcional.
  5. Acupuntura é eficaz no controle da fadiga relacionada ao câncer. Ioga, mindfullness também têm benefícios em fadigas diversas.
  6. Higiene do sono e estruturação de rotina:
      • Criar rotina diurna, limitar luz azul à noite;
      • Técnicas de relaxamento, estímulo à exposição solar pela manhã.
  7. Terapia ocupacional:
    • Organização de tarefas, adaptação de ambiente e tecnologia assistiva;
    • Foco em economia de energia e autonomia;
    • Ações terapêuticas ocupacionais na adaptação das atividades de vida diária do paciente (ex.: rampas, cadeiras de rodas e andadores);
    • Propostas de medidas de conservação de energia (ex.: realizar atividades na posição sentada, quando possível; auxílio de terceiros em tarefas de maior gasto energético).
  8. Suporte nutricional:
    • Fracionamento de refeições, alimentos densos calóricos/proteicos;
    • Em alguns casos: Suplementação oral com hipercalóricos ou nutricionista paliativo para adaptações de dieta de conforto.
  9. Suporte espiritual:
    • Para mais informações acesse Espiritualidade em Cuidados Paliativos.

Prescrição Hospitalar

Orientações ao Prescritor

    Aspectos gerais:
  • Avaliar se a fadiga é primária (relacionada à doença avançada) ou secundária a causas tratáveis (anemia, depressão, distúrbios eletrolíticos, efeitos de medicamentos, etc.);
  • Priorizar medidas não farmacológicas sempre que possível;
  • Considerar tratamentos farmacológicos apenas se houver sofrimento significativo, causa identificável ou benefício funcional desejado;
  • Avaliar constantemente o prognóstico e metas de cuidado do paciente.
    Cuidados com os corticoides:
  • Indicação: Fadiga severa em pacientes com expectativa de vida limitada (<1–3 meses); doença neoplásica avançada; desidratação; anorexia; sintomas múltiplos;
  • Dexametasona é o mais estudado;
  • Lembrar do desmame de corticoide se > 14 dias de tratamento em pacientes com > 4 mg de Dexametasona/dia, recomenda-se desmame gradual de até 25% da dose por semana;
  • Melhora rápida da fadiga (48–72 horas), especialmente em pacientes terminais;
  • Pode haver benefício transitório e de curta duração;
  • Restrições:
    • Evitar uso crônico → risco de fraqueza muscular, hiperglicemia, delirium, imunossupressão;
    • Reavaliar semanalmente ou suspender se não houver resposta.
    Metilfenidato:
  • Indicação:
    • Pacientes com câncer avançado em tratamento ativo ECOG 0–2, com bom desempenho cognitivo;
    • Pacientes em fim de vida que necessitam manter alerta para se comunicar;
    • Casos de apatia ou perda de motivação/energia;
    • Fadiga associada a depressão leve ou hipersonia.
  • Evidência: Moderada (grau B), com resultados positivos em subgrupos específicos;
  • Vantagens: Ação rápida (1–2 horas após dose), reversível rapidamente após suspensão, pode ser usado por curtos períodos (ex.: visitas familiares, última conversa);
  • Cuidados:
    • Duração do teste terapêutico: 3 a 5 dias (resposta rápida esperada);
    • Se eficaz, manter até benefício ou surgimento de efeitos adversos;
    • Evitar dose à noite para prevenir insônia;
    • Contraindicações: Delírio ativo, insônia severa, cardiopatia instável, uso concomitante de IMAO, hipersensibilidade conhecida.
    Modafinil:
  • Indicações:
    • Fadiga grave e refratária: Após falha de medidas não farmacológicas e corticoterapia;
    • Fadiga associada à sonolência diurna: Situações como gliomas, encefalopatias, opioides em dose alta;
    • Fadiga durante uso de ITK ou imunoterapia: Medicações como Pazopanibe, Sorafenibe, Sunitinibe.
  • Evidência: Moderada a baixa (grau C): resultados diversos com benefício modesto ou até significativo, de forma individualizada. Alternativa inferior ao Metilfenidato.
  • Vantagens:
    • Ação rápida: início em 1–2 horas;
    • Meia-vida: 12–15 horas (evitar uso após 14 h para não prejudicar o sono);
    • Pode ser suspenso sem necessidade de desmame.
  • Cuidados:
    • Uso individualizado; evitar em pacientes com delírio ou expectativa de vida muito curta;
    • Contraindicações: Delírio ou agitação, história de arritmias graves, gestantes ou lactantes e epilepsia não controlada.
    Testosterona:
  • Indicação:
    • Homens com hipogonadismo laboratorial (total < 300 nanogramas/dL + sintomas);
    • Sintomas: Fadiga, perda de massa magra, libido reduzida.
  • Evidência: Melhora funcional e de fadiga em pacientes com deficiência real; benefício indireto na massa muscular e motivação;
  • Cuidados:
    • Contraindicado em pacientes com câncer de próstata, hematócrito > 54%, insuficiência cardíaca descompensada;
    • Monitorar PSA, hemograma, sinais de retenção hídrica.

Dieta e Hidratação

  1. Dieta geral, VO, conforme aceitação. [cms-watermark]
  2. Hidratação 20-30 mL/kg/dia, VO/EV. [cms-watermark]

Tratamento Farmacológico

Escolha uma das classes:

    Classe A: Corticoides: Escolha uma das opções:
  • Dexametasona (4 mg) 4-8 mg/dia pela manhã, por 7–14 dias; dose máxima: 16 mg/dia;
  • Lembrar do desmame de corticoide se > 14 dias de tratamento em pacientes com > 4 mg de Dexametasona/di ou dose equivalente de outro corticoide, recomenda-se desmame gradual de até 25% da dose por semana;
  • Para mais informações de equivalência de dose, acesse Conversão de Corticoides.

    Classe B: Psicoestimulantes: Escolha uma das opções (disposição em ordem de preferência):
  • Metilfenidato (5 mg) 0,5- 1 comprimido, VO, pela manhã (podendo repetir ao meio-dia). Início de ação rápida: 24-48 horas. Aumento progressivo: Dose máxima de 20-40 mg/dia;
  • Modafinila (100 mg): Escolha uma das opções:
    • Início cauteloso (idosos ou pacientes frágeis): 25–50 mg/dia, pela manhã;
    • Adultos com bom ECOG 100 mg/dia, pela manhã;
    • Dose máxima habitual 200 mg/dia (dividida manhã e meio-dia).

    Classe C: Fadiga secundário ao hipogonadismo masculino:
  • Enantato de testosterona 200–250 mg IM a cada 2–3 semanas. Alternativas: gel transdérmico diário (50 mg/dia).

    Classe D: Fadiga secundária à anemia: Escolha uma das opções:
  • Darbepoetina 500 microgramas SC a cada 3 semanas;
  • Eritropoetina 30.000 unidades SC/semana.

Profiláticos e Sintomáticos

    1. Analgésico e antitérmico: Se presença de dor ou febre ≥ 37,8°C. Escolha uma das opções:
  • Dipirona sódica (500 mg/mL) 1-2 g EV até de 4/4 horas (dose máxima: 5 g em 24 horas);
  • Dipirona sódica gotas (500 mg/mL) 20-40 gotas VO até de 4/4 horas;
  • Dipirona sódica 500-1.000 mg VO até 4/4 horas;
  • Paracetamol gotas (200 mg/mL) 35-55 gotas VO até de 6/6 horas;
  • Paracetamol 500-750 mg VO até de 6/6 horas.
    2. Antiemético: Se presença de náuseas e/ou vômitos. Escolha uma das opções:
  • Metoclopramida (10 mg/2 mL) 10 mg EV, diluído em água destilada, até de 8/8 horas;
  • Metoclopramida (4 mg/mL) 50 gotas VO de 8/8 horas;
  • Metoclopramida 10 mg VO de 8/8 horas;
  • Bromoprida (10 mg/2 mL) 10 mg EV de 8/8 horas;
  • Bromoprida (4 mg/mL) 1-3 gotas/kg VO de 8/8 horas.
    3. Proteção gástrica:
  • Omeprazol (20 mg) 1 comprimido em jejum, VO, pela manhã, durante a corticoterapia.

Cuidados

  1. Exercício físico supervisionado:
    • Prescrição adaptada à capacidade funcional 3x/semana, mínimo de 20–30 minutos, conforme tolerância;
    • Pode ser feito em domicílio com supervisão periódica;
    • Inclui caminhada leve, alongamento, fisioterapia resistida com elástico.
  2. Psicoeducação e validação da fadiga:
    • Promoção de educação sobre fadiga e instrução no autocuidado;
    • Técnicas de enfrentamento;
    • Gerenciamento de atividades.
  3. Intervenções psicológicas: Efeito benéfico (ex.: terapia cognitivo-comportamental).
  4. Fisioterapia e reabilitação funcional.
  5. Acupuntura é eficaz no controle da fadiga relacionada ao câncer. Ioga, mindfullness também têm benefícios em fadigas diversas.
  6. Higiene do sono e estruturação de rotina:
      • Criar rotina diurna, limitar luz azul à noite;
      • Técnicas de relaxamento, estímulo à exposição solar pela manhã.
  7. Terapia ocupacional:
    • Organização de tarefas, adaptação de ambiente e tecnologia assistiva;
    • Foco em economia de energia e autonomia;
    • Ações terapêuticas ocupacionais na adaptação das atividades de vida diária do paciente (ex.: rampas, cadeiras de rodas e andadores);
    • Propostas de medidas de conservação de energia (ex.: realizar atividades na posição sentada, quando possível; auxílio de terceiros em tarefas de maior gasto energético).
  8. Suporte nutricional:
    • Fracionamento de refeições, alimentos densos calóricos/proteicos;
    • Em alguns casos: Suplementação oral com hipercalóricos ou nutricionista paliativo para adaptações de dieta de conforto.
  9. Suporte espiritual:
    • Para mais informações, acesse Espiritualidade em Cuidados Paliativos.