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Hemorragia Digestiva Alta Varicosa

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Prescrição Ambulatorial

Orientações ao Prescritor

    Recomendações:
  • A profilaxia secundária de hemorragia digestiva alta varicosa (HDA-V) é combinada: Betabloqueador não seletivo (Carvedilol, preferencialmente) e ligadura elástica de varizes esofágicas;
  • Após erradicação das varizes de esôfago por ligadura elástica, sugere-se repetir a endoscopia digestiva alta (EDA) anualmente;
  • Deve-se atentar aos efeitos colaterais do uso de betabloqueadores, como hipotensão arterial, bradicardia, pesadelos/sonhos vívidos, broncoespasmo e impotência sexual. Nesses casos, está indicada a monoterapia com ligadura elástica;
  • Na presença de doença hepática crônica avançada, com hipertensão portal clinicamente significativa, o uso de betabloqueadores está contraindicado na presença de hipotensão arterial significativa (pressão arterial sistólica < 90 mmHg, pressão arterial média < 65 mmHg) e pode aumentar a mortalidade na ascite refratária. Na presença de creatinina > 1,5 mg/dL ou sódio sérico < 130 mE/qL, deve-se ter cautela especial com o uso desses medicamentos, pelo risco de agravamento desses parâmetros.

Tratamento Farmacológico

    1. Betabloqueador: Escolha uma das opções: [cms-watermark]
  • Carvedilol (1ª escolha) (3,125 mg/comprimido): Iniciar com 3,125 mg de 12/12 horas, com dose alvo de 6,25 mg de 12/12 horas, conforme a tolerância; [cms-watermark]
  • Propranolol (10 mg, 40 mg/comprimido) 20 mg VO de 12/12 horas, na ausência de contraindicações. Progredir a dose até atingir FC 55-60 bpm.

Prescrição Hospitalar

Orientações ao Prescritor

    Recomendações:
  • A prioridade no tratamento deve ser a estabilização clínica, em conformidade com o protocolo ABCDE, sendo prioritária a ressuscitação hemodinâmica com a garantia da perfusão tecidual, seguida de medidas hemostáticas específicas;
  • Na vigência de HDA, deve-se suspender diuréticos e anti-hipertensivos, incluindo o betabloqueador;
  • A EDA deve ser realizada nas primeiras 12 horas após admissão. Se paciente instável, realizar o mais rápido possível, tão logo haja segurança para o ato anestésico;
  • Na presença de sangramento maciço, considerar passagem de balão de Sengstaken-Blakemore ou colocação de prótese metálica autoexpansível;
  • Os inibidores de bomba protônica (IBP) devem ser suspensos após a confirmação de HDA-V – contudo, antes da realização da EDA é recomendada a sua administração, pois mesmo entre hepatopatas, a etiologia péptica é responsável por cerca de metade dos casos de HDA;
  • Não está indicado o uso rotineiro de fator VII recombinante, ácido tranexâmico ou plasma fresco – em relação ao ácido tranexâmico, o mesmo tem sido estudado no contexto da hiperfibrinólise, comum na doença hepática avançada (Child B ou C) – há potencial para a redução na falha de controle de sangramento nos primeiros 5 dias e atenuação do risco de ressangramento nas primeiras 6 semanas;
  • Avaliar critérios para TIPS preemptivo: Child-Pugh < C14 e > B7 com sangramento ativo na endoscopia inicial ou gradiente de pressão hepático venoso >20 mmHg – nesses grupos a taxa de falha da hemostasia endoscópica é elevada;
  • Realizar exame de imagem seccional assim que possível para excluir trombose no sistema esplâncnico, presença de hepatocarcinoma e mapear a circulação colateral, sobretudo com vistas a procedimentos endovasculares, como o BRTO;
  • A partir do 5° dia de tratamento, o que geralmente coincide com o término do vasoconstritor esplâncnico endovenoso, deve-se considerar início de betabloqueador para profilaxia secundária de HDA conforme prescrição ambulatorial.

Dieta e Hidratação

  1. Dieta via oral zero nas primeiras 24-48 horas : [cms-watermark]
    • Após ligadura elástica, dieta pastosa fria por 7-14 dias. [cms-watermark]
  2. Hidratação venosa: Com base nos parâmetros hemodinâmicos e na cota básica. [cms-watermark]

Tratamento Farmacológico

    1. Vasoconstrictor esplâncnico: Escolha uma das opções:
  • Octreotida (1 a escolha) [cms-watermark] (0,05; 0,1; 0,5 mg/mL) 50 microgramas EV em bólus, seguido de infusão contínua de 50 microgramas/hora EV, por 2-5 dias. A diluição habitual é de 250 mcg em 250 mL de SF 0,9% ou SGI 5% (concentração: 1 mcg/mL) ou 500 mcg em 250 mL de solução (2 mcg/mL);
  • Terlipressina (0,1 mg/mL) 2 mg EV em bólus, seguido de 2 mg EV de 4/4 horas. Reduzir para 1 mg EV de 4/4 horas após controle de hemorragia e manter por 2-5 dias.
    2. Antibioticoprofilaxia: Escolha uma das opções: [cms-watermark]
  • Norfloxacino (400 mg/comprimido) 400 mg VO/SNE de 12/12 horas, por 5 dias;
  • Ciprofloxacino (2 mg/mL) 400 mg EV de 12/12 horas, por 5 dias;
  • Ceftriaxona (1 g/frasco) 1 g EV de 24/24 horas, por 5 dias:
    • 1ª opção em paciente com cirrose avançada (Child B e C). [cms-watermark]
    3. Estabilização hemodinâmica: A valiar necessidade individual do paciente: [cms-watermark]
  • Noradrenalina (1 mg/mL) 20 mL + SG 5% 80 mL (concentração: 200 microgramas/mL): [cms-watermark]
    • Administrar 0,05-0,1 micrograma/kg/minuto (0,015-0,030 mL/kg/hora) EV em BI (dose máxima: 0,5 micrograma/kg/minuto), titular pela resposta. [cms-watermark]

4. Lactulose (667 mg/mL). Iniciar com 20-40 mL VO/SNE de 12/12 horas e ajustar para 2-3 evacuações/dia se sinais de encefalopatia hepática.

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Tratamento Não Farmacológico [cms-watermark]

    1. Hemoderivados: Escolha uma das opções ou associe-as conforme necessidade clínica: [cms-watermark]
  • Concentrado de plaquetas: Considerar transfusão de 1 unidade/10 kg de peso EV, se recorrência de sangramento a despeito de medidas farmacológicas e endoscópicas em pacientes com plaquetopenia significativa;
  • Concentrado de hemácias: Se perda volêmica estimada > 30% ou com hematêmese presenciada em grande quantidade:
    • Manter Hb > 7 g/dL: Em pacientes coronariopatas ou com insuficiência cardíaca, pode ser necessário manter níveis mais elevados de hemoglobina; [cms-watermark]
    • Geralmente, 1 concentrado de hemácias (300 mL), aumenta a hemoglobina em 1 ponto. [cms-watermark]

Profiláticos e Sintomáticos

    1. Analgésico e antitérmico: Se presença de dor ou febre ≥ 37,8 °C. Escolha uma das opções:
  • Dipirona sódica (500 mg/mL) 1-2 g EV até de 4/4 horas (dose máxima: 5 g em 24 horas);
  • Dipirona sódica gotas (500 mg/mL) 20-40 gotas VO até de 4/4 horas;
  • Dipirona sódica (500, 1.000 mg/comprimido) 500-1.000 mg VO até 4/4 horas;
  • Paracetamol gotas (200 mg/mL) 35-50 gotas VO até de 6/6 horas;
  • Paracetamol (500, 750 mg/comprimido) 500 mg VO até de 6/6 horas.
    2. Antiemético: Se presença de náuseas e/ou vômitos. Escolha uma das opções:
  • Metoclopramida (10 mg/2 mL) 10 mg EV, diluído em água destilada, até de 8/8 horas;
  • Metoclopramida (4 mg/mL) 50 gotas VO de 8/8 horas;
  • Metoclopramida (10 mg/comprimido) 10 mg VO de 8/8 horas;
  • Bromoprida (10 mg/2 mL) 10 mg EV de 8/8 horas;
  • Bromoprida (4 mg/mL) 1-3 gotas/kg VO de 8/8 horas.

Cuidados

  1. Manter dois acessos venosos calibrosos.
  2. Posição de recuperação na presença de hematêmese ativa (decúbito lateral esquerdo) para minimizar broncoaspiração.
  3. Realizar tipagem sanguínea e prova cruzada no momento da admissão hospitalar.
  4. Entrar em contato com o serviço de endoscopia digestiva enquanto se segue com a estabilização hemodinâmica.
  5. Checar a disponibilidade de balão de Sengstaken-Blakemore no seu serviço, aprender a técnica de inserção e os cuidados recomendados.
  6. A hemorragia digestiva alta varicosa é um dos principais fatores da descompensação da doença hepática crônica avançada com hipertensão portal clinicamente significativa. Recomenda-se realizar a vigilância para as disfunções orgânicas adicionais, compiladas por meio do escore CLIF-ACLF.