Dieta e Hidratação
1.
Dieta zero:
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Assim que o paciente tiver condições de ingerir líquidos com segurança (ex.: melhorar nível de consciência), liberar dieta oral própria para a idade e avaliar se aceitará soro de reidratação oral;
-
Se o paciente não tolerar ou não tiver condições de receber dieta oral, avaliar dieta enteral via cateter nasogástrico ou nasoentérico.
2.
Estimar a necessidade hídrica basal diária (NHD):
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0-10 kg:
100 mL/kg/dia;
-
10-20 kg:
1.000 mL + 50 mL/kg para cada kg de peso acima de 10 kg;
-
> 20 kg:
1.500 mL + 20 mL/kg para cada kg de peso acima de 20 kg;
-
Volume máximo de 2.700 mL/dia
3.
Dividir a hidratação venosa em quantidade de etapas:
Sabendo que existem frascos de soro glicosado a 5% ou SF 0,9% de 250 mL, 500 mL ou 1.000 mL.
Hidratação - Etapa 1
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Escolha um dos esquemas de acordo com o tipo de soro a ser ofertado.
Esquema A:
I.
SF 0,9%
+
II.
Taxa de infusão de glicose (TIG)
, fornecida por meio de glicose hipertônica a 25% ou a 50%, de acordo com o peso:
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< 10 kg:
3,5 mg/kg/minuto;
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10-20 kg:
por volta de 3 mg/kg/minuto;
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> 20 kg:
2-2,5 mg/kg/minuto.
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Observação!
TIG = (% de glicose da solução com glicose usada x taxa hídrica da solução de glicose) / 144. Lembrar-se de multiplicar taxa hídrica da solução de glicose pelo peso para encontrar a quantidade de glicose hipertônica a ser usada:
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Exemplo:
Criança de 10 kg → oferta de SF = NHD = 100 mL/kg/dia = 100 x 10 = 1.000 mL de SF. Oferta de glicose oferecendo glicose hipertônica a 50% → TIG 3 mg/kg/minuto → TIG = (% de glicose da solução x TH da solução de glicose) / 144 → 3 = (50 x TH) /144 → TH da glicose a 50% = (144 x 3) / 50 = 8,7 mL/kg LOGO o volume de glicose a 50% a ser prescrito é de 8,7 x 10 = 87 mL de glicose a 50%.
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Esquema B:
I.
SG 5%
.
+
II.
NaCl a 20%
de acordo com o cálculo da osmolaridade:
Volume de NaCl a 20% (mL) por etapa =
(volume da etapa) x 300 (osmolaridade desejada) / 6.800.
Observação!
Em geral, inicia-se com osmolaridade de 300 se não sabemos a dosagem de sódio sérico para oferecer solução com tonicidade semelhante à do plasma, exceto em desnutridos, neonatos ou cardiopatas:
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Já para desnutridos e cardiopatas, é sugerido oferecer osmolaridade inicial de 150-200, e ajustar conforme sódio sérico;
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Para neonatos, o aporte de sódio deve ser menor, pois seus rins são imaturos e têm menor capacidade de eliminação de sódio.
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Hidratação - Etapa 2
Acrescentar potássio na HV apenas se o paciente já tiver urinado (sabendo que 1 mL de KCl a 10% é 1,34 mEq):
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Em geral, iniciamos oferta de 10 mEq/L de potássio para crianças com peso < 10 kg ou 10-20 mEq/L para crianças a partir de 10 kg, e ajustamos conforme o nível sérico de potássio;
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Observação!
Se já tiver a dosagem de potássio e esta estiver > 4,5 mEq/mL, geralmente suspende-se o K+ na HV e deve-se fazer nova coleta de potássio no mesmo dia para verificar se há necessidade de reintroduzir potássio na HV.
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Hidratação - Etapas 3 e 4
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Etapa 3:
Calcular o volume total a ser infundido por etapa e a velocidade de infusão em mL/hora se for oferecer em bomba de infusão;
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Etapa 4:
Coletar exames laboratoriais com dosagem de Na+, K+, cálcio, fósforo, magnésio, ureia e creatinina. Ajustar HV conforme resultado dos exames laboratoriais:
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Avaliar necessidade de suplementar magnésio na HV: 0,3-1 mEq/kg/dia da solução de MgSO
4
10% (1 mL = 0,8 mEq/mL).
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Hidratação - Etapa 5
Reposição de perdas pelo Ministério da Saúde:
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50 mL/kg/dia de uma solução composta por soro glicosado 5% + SF na proporção 1:1. Reavaliar esse volume de acordo com as perdas do paciente;
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Exemplo:
Um bebê com peso de 8 kg terá volume de reposição de 50 x 8 = 400 mL de solução. Assim, deveremos realizar em 24 horas SG 5% 200 mL + SF 200 mL.
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