Os sintomas em lactentes e pré-escolares podem ser mais inespecíficos, tais como tremor, irritabilidade, hipotonia, hipotermia, letargia, cianose, crises convulsivas e apneia. Por vezes, os lactentes podem não demonstrar sintomas até que a hipoglicemia se agrave e se manifeste como crise convulsiva.
Atenção!
Para mais informações sobre a
abordagem e o tratamento de hipoglicemia neonatal, acesse Hipoglicemia Neonatal.
Acontece quando há concentração de glicose sérica menor que 50 mg/dL. Entretanto, não se sabe exatamente qual nível de glicose pode começar a causar dano cerebral em crianças, por isso, valores menores que 55-60 mg/dL devem ser considerados se a criança apresentar sintomas associados.
Assim, há uma tendência a considerar intervenção em níveis mais elevados do que antigamente, a fim de tratar um grupo maior, diminuindo as chances de algum paciente ficar sem tratamento.
A hipoglicemia ocorre quando há falha em uma ou várias das interações complexas que geralmente garantem a homeostasia da glicose no período de alimentação e jejum.
As manifestações clínicas podem ser relacionadas à ativação do sistema nervoso autônomo, com liberação de epinefrina ou associadas à glicopenia cerebral. Pode ser assintomática, principalmente em pacientes com distúrbios do metabolismo do glicogênio, uma vez que essas crianças tendem a tolerar mais baixas glicêmicas.
O sistema nervoso autônomo e os hormônios atuam de forma a intensificar a produção de glicose, havendo modulação enzimática da glicogenólise e da gliconeogênese, enquanto limitam a utilização periférica de glicose.
A hipoglicemia pode levar ao comprometimento permanente do crescimento e da função cerebral, tendo como principais sequelas a atividade convulsiva recorrente e o retardo mental.
Imediatamente, fazer glicemia capilar periférica (hemoglicoteste [HGT]). Se não estiver disponível, faça o teste terapêutico tratando a hipoglicemia. Faça anamnese, exame físico e, se possível, complemente com exames laboratoriais.
A prioridade diante de hipoglicemia é tratá-la. A investigação diagnóstica deve ocorrer paralelamente, mas a prioridade é estabilizar o paciente.
2. Defeito na oxidação de ácidos graxos.
É extremamente importante tratar a hipoglicemia o mais precoce possível, visto que a hipoglicemia sintomática prolongada, recorrente e grave está associada a sequelas neurológicas.
Repetir glicemia em 15 minutos após administrar os 15 g de carboidrato simples. Se continuar baixa, ofertar mais 15 g de carboidrato. Observação! A dose de 15 g também pode ser usada para adultos.
Dica prática:
Por vezes, é preciso prestar primeiros socorros para pacientes fora do hospital. Na suspeita de hipoglicemia e se o paciente estiver com nível de consciência rebaixado, com pulso e respirando, deve-se ligar para Serviço de Atendimento Médico de Urgência (SAMU), número 192; também pode-se calçar luvas e esfregar o equivalente a uma colher de mel ou uma colher de açúcar na gengiva do paciente – internamente – na bochecha. É importante estar de luvas, principalmente, se for esfregar o açúcar na gengiva, pois sangrará um pouco. Não colocar o dedo entre os dentes do paciente, pois ele poderá morder e lesionar seu dedo.
Revisão:
Gabriela Guimarães Moreira Balbi (Pediatria pela UFPR e Reumatologia Infantil pela UNIFESP).
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