Orientações ao Prescritor
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Definir gravidade e sistemas acometidos;
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Avaliar necessidade terapêutica em internação hospitalar com uso de imunossupressores e sintomáticos;
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Manifestações mais graves, como renais, neurológicas ou hematológicas, serão discutidas em abordagens específicas, em razão das particularidades inerentes a cada uma delas;
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Alvo terapêutico (
treat-to-target
):
Remissão (SLEDAI = 0, em uso de
Hidroxicloroquina
e sem corticoide); se não for possível atingir a remissão, tolera-se a baixa atividade de doença (SLEDAI ≤ 4, em uso de
Hidroxicloroquina
, corticoide ≤ 5 mg/dia de
Prednisona
ou equivalente, e imunossupressores em dose estável);
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A primeira linha de tratamento é a
Hidroxicloroquina
, além da corticoterapia. Em casos refratários, tem-se
Metotrexato
,
Azatioprina
,
Micofenolato de mofetila
e
Belimumabe
. Para casos refratários, especialmente com acometimento cutâneo mais proeminente, pode-se considerar o uso de
Anifrolumabe
;
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Cuidados com o uso da Hidroxicloroquina:
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Deve ser realizada avaliação oftalmológica com fundo de olho no início do tratamento, seguido de tomografia de coerência óptica com domínio espectral e campimetria anual após 5 anos de uso em razão do risco de maculopatia irreversível;
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Fatores de risco para maculopatia incluem:
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Tempo prolongado de uso (> 5 anos);
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Doses > 5 mg/kg/dia;
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Idade avançada (> 60 anos);
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Doença renal crônica;
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Doença hepática;
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Uso de Tamoxifeno;
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Doença macular prévia.
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Cuidados com o uso de Metotrexato:
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Preferir administração subcutânea para doses ≥ 20 mg/semana;
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Em caso de pacientes idosos ou com doença renal crônica associada, iniciar com doses maiores de
á
cido fólico
(7,5-10 mg/semana);
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Devem ser solicitados hemograma, creatinina e transaminases 1 mês após o início da medicação e após cada aumento de dose. Com doses estáveis, os exames passam a ser solicitados a cada 8-12 semanas;
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A dose semanal pode ser aumentada em 5 mg (2 comprimidos ou 0,2 mL) a cada mês após avaliação laboratorial;
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Sempre associar o
á
cido fólico
, que deve ser usado 12-24 horas após a dose do
Metotrexato
;
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Efeitos colaterais frequentes:
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Náuseas;
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Vômitos;
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Dispepsia;
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Alopecia;
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Elevação de transaminases.
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Evitar associações com sulfas, pelo risco de mielotoxicidade;
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A pacientes do sexo feminino, deve ser prescrita contracepção altamente eficaz, pois o
Metotrexato
é teratogênico. A medicação deve ser suspensa, no mínimo, 3 meses antes de uma gestação programada.
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Cuidados com o uso de Azatioprina:
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Solicitar hemograma, creatinina e transaminases em 2-4 semanas para aumento de dose (aumentar 50 mg por vez após laboratório de controle). Com doses estáveis, solicitar a cada 3 meses;
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Efeitos colaterais mais frequentes:
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Intolerância gastrointestinal;
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Elevação de transaminases;
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Anemia;
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Leucopenia.
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Não é recomendada a dosagem da TPMT de rotina (a maioria das leucopenias não é associada à deficiência de TPMT);
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Não associar a
Alopurinol
(risco de mielotoxicidade grave);
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Seguro na gestação;
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Cuidados com o uso de Micofenolato de mofetila:
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Exames laboratoriais em 1 mês de uso do medicamento, inicialmente; com doses estáveis, a cada 3 meses;
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Teratogênico:
Oferecer contracepção altamente eficaz (não utilizar anticoncepcionais combinados, pois o
Micofenolato de mofetila
reduz os níveis séricos e, consequentemente, a eficácia desses anticoncepcionais);
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Efeitos colaterais:
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Náuseas;
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Vômitos;
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Diarreia e dor abdominal (frequentes);
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Leucopenia;
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Hepatotoxicidade.
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Em caso de intolerância gastrointestinal, o
Micofenolato de mofetila
pode ser substituído pelo
Micofenolato de sódio
(equivalência: 500 mg de
Mofetila
= 360 mg de Micofenolato de sódio).
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Cuidados com o uso de Anifrolumabe:
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Indicação:
Pacientes com lúpus eritematoso sistêmico (LES) moderado a grave que permanecem com atividade de doença apesar do uso da terapia padrão (Hidroxicloroquina, corticoides e/ou imunossupressores). A decisão de iniciar deve ser feita por reumatologista com experiência no tratamento do LES;
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Cuidados:
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Rastrear doenças infecciosas antes do início (HIV, HBV, HCV, sífilis e tuberculose latente);
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Atualizar calendário vacinal previamente, evitando vacinas de vírus vivo durante o tratamento;
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Monitorar sinais de infecção (aumenta risco, especialmente de infecções respiratórias e herpes-zóster);
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Pesquisar neoplasias conforme a idade.
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Cuidados com o uso de Belimumabe:
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Indicação:
Paciente em uso da terapia
standard-of-care
(
Hidroxicloroquina
+ corticoide + imunossupressores) e que se mantém com atividade residual, dependente de doses elevadas de corticoide ou com reativações frequentes, na ausência de manifestação grave da doença. Antes do início da medicação, o paciente deve ser avaliado por um reumatologista com experiência no tratamento da doença;
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Cuidados:
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Atentar para infecções e ideação suicida;
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Pesquisar neoplasias conforme a idade + manter cartão vacinal atualizado (não utilizar vacinas com vírus vivo);
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Rastrear doenças infecciosas com sorologia para HIV, HBV, HCV e sífilis, além de tuberculose (PPD, radiografia de tórax e contato com paciente bacilífero) antes do início da medicação.
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Tratamento Farmacológico
Escolha um dos esquemas a seguir:
Esquema A: Tratamento inicial (primeira linha):
I.
Corticoterapia.
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+
II.
Hidroxicloroquina
(
400 mg/comprimido) 3-5 mg/kg VO 1x/dia. Calcular a dose diária para o paciente e distribuir o número de comprimidos ao longo da semana (ex.: 400 mg 5x/semana), uma vez que a dose dos comprimidos é fixa.
Opções de corticoterapia (I):
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Prednisona
(5 ou 20 mg/comprimido) 0,25-0,5 mg/kg/dia VO de 24/24 horas em cascata (desmame rápido). Em casos mais graves, pode ser necessário o uso de doses maiores e por períodos mais prolongados (2-4 semanas), com posterior desmame;
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Prednisolona
(5 ou 20 mg/comprimido) 0,25-0,5 mg/kg/dia VO de 24/24 horas em cascata (desmame rápido). Em casos mais graves, pode ser necessário o uso de doses maiores e por períodos mais prolongados (2-4 semanas), com posterior desmame;
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Para desmame de corticoide, acesse Desmame de glicocorticoide;
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Para equivalência de dose com outros glicocorticoides, acesse a calculadora Conversão de corticoides.
Esquema B: Para casos refratários.
Acrescentar
ao esquema anterior:
Escolha uma das opções:
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Metotrexato
(2,5 mg/comprimido) 6 comprimidos de 7/7 dias. Progredir dose em 5 mg/semana, caso os sintomas não tenham sido controlados ou não seja possível o desmame de corticoide conforme programado (dose máxima: 25 mg/semana);
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Metotrexato
(50 mg/2 mL) 0,6 mL SC de 7/7 dias. Progredir dose em 5 mg/semana, caso os sintomas não tenham sido controlados ou não seja possível o desmame de corticoide conforme programado (dose máxima: 25 mg/semana (1 mL/semana);
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Azatioprina
(50 mg/comprimido) 50-100 mg/dia. Progredir dose em 50 mg/semana (dose máxima: 2-2,5 mg/kg/dia);
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Micofenolato de mofetila
(500 mg/comprimido) 500 mg de 12/12 horas. Progredir dose em 1 comprimido de 12/12 horas por semana (dose máxima: 2-3 g/dia);
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Para casos ainda refratários, é possível a troca entre os medicamentos do esquema B ou acréscimo do
Belimumabe
ou
Anifrolumabe
(esquema C).
Esquema C: Para casos refratários à combinação de corticoide + Hidroxicloroquina + imunossupressor,
acrescentar
ao esquema anterior uma das opções a seguir, conforme indicação clínica:
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Belimumabe
(80 mg/mL) 10 mg/kg EV nos dias 0, 14 e 28 seguidos de 10 mg/kg EV a cada 28 dias;
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Belimumabe
(200 mg/mL) 200 mg SC a cada 7 dias;
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Anifrolumabe
(150 mg/mL) 300 mg SC a cada 28 dias. O papel do Anifrolumabe no tratamento do LES ainda está sendo definido. Pode-se considerar para casos moderados a graves refratários, especialmente se comprometimento cutâneo for a atividade de doença principal.
Esquema D: Para lesões cutâneas refratárias e localizadas, a
crescentar
ao esquema que o paciente está em uso:
Escolha uma das opções:
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Hidrocortisona
(creme, pomada ou loção 2,5% ou 1%) aplicação tópica em face e áreas de flexão 1-2x/dia;
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Valerato de betametasona
(creme 0,1%, em casos moderados, ou pomada 0,1%, em casos graves) aplicação tópica sobre as lesões 1-2x/dia;
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Tacrolimo tópico
(pomada 0,03% ou 0,1%) aplicação tópica de 12/12 horas.
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