Orientações ao Prescritor
Recomendações:
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O tratamento de queloides é desafiador e a recorrência é comum;
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Não há um padrão-ouro de tratamento, mas diversas opções terapêuticas estão disponíveis. A associação dessas opções tem se mostrado a melhor estratégia.
Terapia tópica:
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Corticoide em oclusão (1ª linha, podendo evitar a recorrência após excisão cirúrgica);
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Curativo compressivo com fita de silicone ou hidrocoloide;
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Terapia de pressão.
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Terapia intralesional:
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Triancinolona com ou sem antineoplásicos (5-fluoruracila ou Bleomicina).
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Outras opções:
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Crioterapia com nitrogênio líquido;
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Excisão cirúrgica com ou sem radioterapia localizada;
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Laser e luz intensa pulsada;
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Terapia fotodinâmica.
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Outras terapias também são estudadas:
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Ondas de choque;
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Terapias intralesionais (Verapamil, toxina botulínica, insulina, hialuronidase);
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Inibidor da enzima conversora de angiotensina (Enalapril, Captopril);
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Enxerto de gordura;
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Células-tronco mesenquimais;
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Interferon α-2b, interferon gama;
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Modificações epigenéticas e genéticas.
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O anti-histamínico H1 pode ser uma boa opção para o prurido e a dor no local do queloide, pois bloqueia a inflamação e a proliferação celular.
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O algoritmo brasileiro proposto para guiar o tratamento do queloide (ASAP) está citado em campo próprio abaixo.
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Tratamento Farmacológico – Tópico
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Esquema A: Corticoide tópico em oclusão (considerado 1ª linha). Escolha uma das opções:
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Propionato de clobetasol
(0,05% creme ou pomada). Aplicar e massagear na lesão 1x/dia e ocluir com curativo ou papel filme por 2-3 meses;
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Fludroxicortida
(4 microgramas/cm²). Aplicar na lesão 1x/dia, mantendo por 24 horas (retirar apenas durante o banho) por 2-3 meses.
Tratamento Farmacológico – Intralesional
Esquema A: Intralesional:
Associação:
I.
Triancinolona (1ª linha)
±
II.
Antineoplásico.
Opções de Triancinolona (I):
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Triancinolona acetonida
(40 mg/mL): Diluir em lidocaína 2% ou soro fisiológico 0,9%, com concentração final de 10-40 mg/mL, e injetar intralesionalmente no nível da derme papilar com distância de 1 cm entre as injeções, a cada 2 a 4 semanas e em geral por 6 meses;
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Triancinolona hexacetonida
(20 mg/mL): Diluir em lidocaína 2% ou soro fisiológico 0,9%, com concentração final de 10-20 mg/mL, e injetar intralesionalmente no nível da derme papilar com distância de 1 cm entre as injeções, a cada 2 a 4 semanas e em geral por 6 meses.
Opções de antineoplásicos (II):
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5-Fluoruracila
(50 mg/mL solução): Diluir 0,1 mL de Triancinolona com 0,9 mL de 5-Fluoruracila ou diluição de 1:1 e injetar a cada 4 semanas por 6 meses.
Atenção!
Descartar gravidez;
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Bleomicina
(15 unidades): Diluir com Triancinolona na diluição de 1:1 e injetar a cada 3 ou 4 semanas por no máximo 4 sessões. Atenção! Cuidado para evitar a inalação. Maior incidência de hiperpigmentação, bolha e ulceração e necessita descartar gravidez. Sua manipulação exige regras regulatórias extras.
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Observações:
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Utilizar seringa
luer lock
e agulhas de 30 G ou 27 G. Injetar inicialmente pela borda da cicatriz e, ao longo das sessões, diretamente no núcleo da cicatriz;
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A aplicação em lesões mais amolecidas pode ser menos dolorosa e facilitar a difusão do medicamento pela lesão;
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Podem ser associada a tratamentos como radiofrequência, entre outros.
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Tratamento Não Farmacológico
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Terapia tópica:
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Curativo compressivo com fita de silicone ou hidrocoloide:
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Considerado 1ª linha por alguns, embora para outros não tenha tanto impacto na prevenção de queloides. No entanto, ajuda a diminuir a espessura e a coloração da lesão;
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Cobrir todo o queloide, fixar com adesivo tipo micropore e, a cada 7 dias, remover para limpar a pele, recolocando o curativo. Pode ser reutilizado por 1-4 meses.
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Terapia de pressão:
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Malha cirúrgica customizada com tecido elástico e inelástico na composição ou algum material que faça compressão local, como brincos ou botões;
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Pode ser considerada 1ª linha;
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Deve cobrir toda a cicatriz, ser usada por várias horas ao dia e promover o branqueamento da lesão;
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Pode auxiliar a manter o curativo no lugar e proteger a cicatriz da exposição solar.
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Crioterapia com nitrogênio líquido:
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Também considerada 1ª linha de tratamento;
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Boa opção para queloides pedunculados;
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O congelamento local da lesão pode induzir involução após algumas sessões;
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Pode ser feito
shaving
do queloide seguido de crioterapia;
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A crioterapia intralesional pode ser considerada para lesões menores ou naquelas muito espessas, nas quais a cirurgia não é uma opção viável.
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Excisão cirúrgica:
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Considerada 2ª-3ª linha de tratamento;
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Principalmente indicada para lesões recalcitrantes e queloides pedunculados;
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Utilizar técnica para reduzir a tensão da cicatriz, como suturas subcutâneas e fasciais, z-plastia, retalhos;
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Quando utilizada como monoterapia, há maior risco de recorrência. Recomenda-se associar com radioterapia, corticoides, com ou sem oclusão, fita de silicone, terapia de pressão, entre outros;
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No caso de queloides no lóbulo da orelha, a excisão seguida de terapia de pressão tem mostrado ter alta eficácia.
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Radioterapia localizada:
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Indica após cirurgia;
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Exemplos: irradiação por feixe de elétrons ou braquiterapia intersticial de baixa ou alta dose;
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Em alguns casos, pode ser utilizada como monoterapia, especialmente em idosos ou queloides muito grandes.
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Laser
e luz intensa pulsada:
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Usado em combinação com tratamento tópico ou intralesional;
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Considerado 2ª linha antes da excisão;
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Geralmente realizado a cada 4 semanas e pode ser associado à terapia intralesional ou tópica;
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Exemplos: Erbium 2.940 nm, CO
2
fracionado 10.600 nm, ND YAG 1.064 nm, diodo 980 nm,
pulsed dye laser
(PDL) 595 nm, luz intensa pulsada.
-
T
erapia fotodinâmica
:
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Existem relatos esparsos sobre seu uso, mas é uma terapia de evidência emergente.
Algoritmo Brasileiro Proposto para Guiar o Tratamento de Queloides (ASAP):
O tratamento segue quatro etapas sequenciais.
A – Análise cuidadosa:
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Classificar a cicatriz do paciente (queloide, cicatriz hipertrófica ou atrófica) e agrupá-las, por exemplo, em:
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Sem tratamento prévio;
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Pós-queimadura ou pós-traumático;
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Queloides recorrentes após tratamentos anteriores;
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Cicatrizes atróficas pelo uso de corticoide intralesional.
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A classificação correta guiará a escolha do tratamento mais adequado.
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Exemplo:
Para cicatrizes hipertróficas, evitar o uso de corticoide, pois pode atrofiar a lesão. Já queloides pedunculados podem ser tratados diretamente com cirurgia e radioterapia.
S – Suavizar as cicatrizes:
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Amolecer a cicatriz antes das injeções, utilizando curativos oclusivos de silicone ou hidrocoloide, além de roupas de compressão (malha cirúrgica), que podem diminuir o volume, o eritema e os sintomas, facilitando as injeções subsequentes;
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Esse processo pode ser necessário por 2-12 meses;
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Se a cicatriz resolver por completo: pular para a próxima fase (P);
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Se não resolver: avançar para a fase de injeções (A).
A – Abordagem com injeções e tecnologias:
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Injeções de Triancinolona, com ou sem antineoplásico (5-fluoruracila ou Bleomicina);
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Luz intensa pulsada pode ser ustilizada antes da injeção para reduzir a proliferação, pigmentação vascular e facilitar a difusão do material injetadoo, já que o edema transitório promove essa difusão;
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Pode ser necessário manter por 6-9 meses.
P – Tratar a pigmentação e a qualidade da pele:
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Tratar a pigmentação residual utilizando retinoides tópicos, ácido glicólico, hidroquinona,
peeling
químico com ácido retinoico e microagulhamento combinados;
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Cicatrizes acrômicas podem ser tratadas com psoraleno (8-metoxipsoraleno 0,5%-1%) e exposição à luz solar, começando com 3 minutos diários, 3-4x/semana, aumentando 2 minutos/semana de exposição até atingir 15 minutos;
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Outras opções incluem transplante autólogo de melanócitos, lipoenxertia,
lasers
Erbium, CO
2
, ou luz intensa pulsada para melhorar o resultado estético;
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Pode ser necessário manter o tratamento por 6-9 meses.
Profilaxia
Medidas preventivas para evitar a formação de queloide após cirurgias, principalmente em pacientes que tem predisposição:
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Cuidados com feridas:
Assegurar uma epitelização rápida, utilizando terapia com pressão negativa, curativos adequados, medicamentos tópicos, além de antibióticos e anti-inflamatórios.
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Cuidados com feridas suturadas:
Lavar diariamente e cobrir com material não adesivo até a remoção dos pontos.
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Suporte mecânico externo prolongado:
Usar fita de silicone, hidrocoloide ou gel de silicone até que a cicatriz atinja a maturidade (torne-se macia, flexível e plana), o que pode levar até 3 meses após a sutura. Em casos de maior risco de queloide, prolongar o uso do suporte por 6 a 12 meses após a maturação. Tratar com corticoide tópico sem oclusão nas primeiras 2 a 3 semanas após a epitelização e continuar com corticoide sob oclusão até a cicatriz se tornar plana e macia.
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Em caso de infecção da ferida:
Tratar a infecção e, se houver risco de queloide, seguir as medidas mencionadas acima.
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Em caso de detecção precoce de queloide:
Aplicar corticoide tópico sob oclusão. Se ineficaz após 1-3 meses, associar com corticoide intralesional.
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